Zast quer muito um soco na cara

2.9K 199 7
                                        

Eu o beijei. E se eu achava que no sonho o beijo era intenso, comparado ao que foi nosso beijo na vida real, foi um selinho. No meio do nosso beijo, ouvimos vários uivos.

-Lua cheia. - Informou Zast enquanto separava seus lábios dos meus - Quer ir ver?

Assenti com a cabeça e saímos da mansão. Vários de nossa alcatéia estavam em suas formas de lobo honrando a lua cheia. Nossas lendas dizem que dela que vem nosso poder e dava sorte ser marcada quando aparecia. Eu acho que é historinha para criança dormir. Eu e Zast ficamos abraçados, ele passando a mão pelo meu ombro e eu pela cintura dele, observando a lua. Ai me ocorreu um pensamento:

-Zast, quando vou poder ir visitar meu irmão?

Zast me deu um olhar que cachorro sem dono que despedaçou meu coração.

-Por que você quer ir? Não está feliz aqui?

-Eu estou muito feliz aqui. - Disse me aconchegando mais em seus braços. -
Mas sinto falta dele e uma das condições da minha vinda eram visitas mensais.

-Não devia ter nem acontecido essa conversa. Você é minha e nem eles nem ninguém vão impor condições para eu ficar com você.

-Eu não sou sua. - Disse me afastando. - Nós nos pertencemos, é diferente. É uma relação mútua. Eu não ordeno você por ai, e não vou aceitar que você faça isso comigo. Você pode até ser Alpha, mas eu sou a futura Luna, e nós seremos iguais. Eu vou visitar meu irmão, você gostando ou não. Te perguntei porque não queria brigar, mas eu quero ir.

Seus olhos começaram a se tornar amarelos. Seu lobo estava tomando controle. Acho que fui longe demais. Mas agora já não tinha volta.

-Vapper, você pertence a Canavar agora.

-E meu irmão pertence a Bezstrashen. - Ele deu longo suspiro de olhos fechados que me fez querer saber o que se passava em sua cabeça.

-Se eu disser que você não pode ir você vai do mesmo jeito, não vai?

-Positivo. - Uma onda de alívio tomou conta de mim. Ele ia deixar eu ir!!! Percebi que ele estava demorando para responder e percebi que ele estava falando com alguém por Link. Provavelmente falando sobre minha ida.Yayy.

-Desculpe-me, Vapper, mas estou fazendo isso pelo seu próprio bem.

-Zast, você está fazendo o quê, exatamente? - Sobre o quê que ele estava fando? Enloquece-

Antes de eu completar meu pensamento, dois brutamontes agarraram meus dois braços - um cada - e começaram a me arrastar em direção da mansão.

-ZAST! - Gritei, suplicante, para ele me salvar mas Zast ficou no mesmo lugar, com cara de culpado. Ai eu percebi: foi o babaca que mandou esses caras me pegarem. Naquele momento todos os nervos do meu corpo gritavam para eu tentar me soltar e dar um soco na cara do idiota. Mas eu aprendi com Fleur (a fêmea de meu irmão) que, apesar de querer muito dar um murro na cara do desgraçado, a melhor forma de castigar o macho é olhar para ele como se tivesse desapontada. Desapontar a fêmea é umas das piores coisas que um macho pode fazer na cabeça deles. E assim eu fiz. Coloquei minha melhor cara de desapontada e o vi ficando mais triste. Bingo.

Os caras que estavam me carregando ,que apelidei de Grosso 1 e Grosso 2 ,começaram a me levar por uma parte da mansão que não conhecia. Me jogaram num quarto escuro no final do corredor e ouvi a tranca da porta do lado de fora. Ótimo.

O quarto era espaçoso. Do lugar onde estava, consegui ver uma cama e uma porta - provavelmente um banheiro. Nada mais, nada menos. Não acredito que meu próprio macho foi capaz de fazer isso comigo. Fomos feitos um para o outro, literalmente. Como ele pode fazer isso com a próxima Luna de Canavar?
Mandei um Link para Addany quase que imediatamente depois de ser trancada no quarto.

-Fala para Zast me tirar daqui agora ou não vai ser bonito quando eu sair daqui.

-Vapper, o q-

-Só fala isso para ele. O babaca vai entender. - E encerrei o Link.

A raiva estava fervendo dentro de mim. Arrombei a porta que era do banheiro sem motivo nenhum, só para fazer um drama. Liguei o chuveiro e sentei no vaso sanitário esperando a água esquentar. Por que não tomar um banho já que vou ficar aqui, trancada, para o resto da minha vida? Olhei para o espelho, já um pouco esfumado. Meu reflexo estava aterrorisante. Até eu fiquei com medo do olhar que eu estava sustentando no rosto. Suavizei minha expressão e me virei para chuveiro. Coloquei a mão na água e a tirei por reflexo. A água estava escaldante.

O banheiro tava sendo tomado pelo vapor quente. Tentei alcançar a torneira mas a água estava muito quente. Estava olhando para cima para pedir paciência à Lua e me perguntando porquê tudo na minha vida da errado quando vi uma pequena janela em cima do chuveiro. Como não vi ela antes?

Vê-la me deu novas forças. Como um raio, meti o braço na água vulcânica e fechei a torneira. Peguei um banquinho que estava debaixo da bancada, coloquei-o embaixo da janela e subi em cima dele, me preparando para pular da janela. Quando fui abri-la, descobri que estava trancada com cadeado. Como se isso fosse me impedir. A vantagem de ter tentado fugir sua vida toda é que você aprende a fazer coisas básicas como abrir um cadeado com um grampo, e, para minha felicidade, tinha um prendendo mechas do meu cabelo para trás.

Não deu nem cinco segundos e já ouvi o click do cadeado abrindo. Abri a janela e olhei para fora dela. A janela dava para os fundos da mansão. Perfeito. Estava quase pulando da janela quando tive uma ideia sen-sa-si-o-nal. Eu sendo eu não podia deixar de fazer um showzinho. Desci do banquinho e fui até o espelho esfumado, onde escrevi a seguinte mensagem:

Fui. 2bjs.

VapperOnde histórias criam vida. Descubra agora