Capítulo 2

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A chuva, como era de se esperar, logo parou. No caminho para casa, eu fiquei muda, pois não sabia o que falar. Percebi que estava tremendo. Jack que também percebeu, esticou o braço e pegou do banco de trás uma jaqueta de couro, um pouco desgastada, e estendeu para eu vestir. Aceitei. Mesmo não estando com frio realmente, queria esconder meu corpo. Nunca me senti tão vulnerável, dentro do carro de um garoto estranho, apenas de maiô. Olhei discretamente para trás e vi que tinha muitas roupas jogadas lá. Mesmo curiosa, não perguntei nada, mas Jack parece ter lido meus pensamentos.

- É, costumo passar a maior parte do tempo dentro do carro, ou na rua – ele diz com aquele sorriso idiota nos lábios.

- Hum – foi tudo que consegui dizer.

Não queria ficar de papo com ele. Não queria sequer olhar para ele. Essa superioridade que ele exalava, estava me irritando. Tive que ensinar o caminho de casa, pois mesmo ele dizendo que tinha que ir para lá, não fazia ideia de onde era. Quando ele virou a esquina da minha rua, o pânico tomou conta de mim. O que eu diria para meus pais? Saio para ir até a praia com Jessy, volto no Jeep velho de um garoto, ambos molhados e eu de maiô? Isso não iria ficar nada bem.

- Pode me deixar aqui – grito.

Jack me olha, assustado.

- Okay, você mora aqui?

- Não, um pouco a frente, mas me deixe aqui. Por favor – supliquei.

- Certo. Já entendi tudo. Mas não, não deixarei você aqui. Me mostre onde é sua casa e te deixarei lá.

Ele acelerou o carro, e quando avistei o velho rover azul de meu pai estacionado na rua, eu sabia que nunca mais iria a praia. Meu pai sempre foi mais rígido comigo, e por uma coincidência do destino ele estava em casa àquela hora.

- É aqui, muito obrigada – digo, sentindo meus olhos encherem de lágrimas.

Ele para o carro, e enquanto eu descia, ele desceu também.

- Mas o que você está fazendo? – sussurro.

- O que você acha? Estou descendo do carro. Quero conhecer seus pais, ou quem quer que more com você. Não me leve a mal, mas eu não gostaria que minha filha, ainda mais linda como você, ficasse andando com estranhos. Tenho que me apresentar – ele diz, seu sorriso ficando cada vez mais travesso.

- Nem pensar! Porque você está fazendo isso? E eu não estou andando com você, e não sou linda. Apenas peguei uma carona com o namorado da minha amiga – retruquei com certa amargura.

Ele ergueu as sobrancelhas.

- Namorado? Eu? Do que você está falando? Leonard tinha razão, você é estranha mesmo.

- Não seja idiota. Jessy já me contou que vocês estão namorando. Ela deve ter ficado muito magoada, aliás, por você ter se oferecido para me trazer.

Ele começou a gargalhar, fazendo eu me sentir pequena, tola. Nessa hora meu pai apareceu na porta, com minha mãe atrás. Eu que já estava do lado de fora do carro, congelei. Jack ao meu lado. Tirei a jaqueta e entreguei rapidamente a ele. Tinha um cheiro tão bom, que ficou grudado em minha pele. Achei que ele iria entrar no carro, e sair acelerado. Mas para minha surpresa, ele joga a jaqueta dentro do carro, e anda animadamente até meus pais.

- Olá, Sr. E Sra.? – ele pergunta estendendo a mão.

- Arnold Foster – diz meu pai, estendo a mão, mas olhando para mim.

- Helenna Foster – diz minha mãe, em seguida, parecendo encantada.

- Mãe, Pai, esse é Jack Lanster, ele é o ...

E se...?Onde histórias criam vida. Descubra agora