" A Enteada do Meu Pai "
**Capítulo 23: **
O colégio estava organizando um passeio para uma fazenda nos arredores da cidade. Era o tipo de evento que todos os alunos esperavam, uma oportunidade para sair do ambiente do colégio, relaxar e se divertir. Mas, para Eduarda e Manuela, a expectativa era diferente. Depois de tudo o que havia acontecido, o passeio seria um campo minado de emoções e tensões não resolvidas.
Na manhã do passeio, o clima estava agradável, com um céu claro e uma leve brisa que balançava as folhas das árvores. Os alunos embarcaram nos ônibus, rindo e conversando animadamente, mas Eduarda estava inquieta. Fazia dias que ela não conseguia falar com Manuela de forma sincera, e a última interação entre elas no banheiro ainda queimava em sua mente.
Manuela, por outro lado, tentava agir normalmente, escondendo suas emoções por trás de uma máscara de indiferença. Estava sentada ao lado de Dressa, o que fez o estômago de Eduarda revirar. A ideia de ver Manuela ao lado da pessoa que havia causado tanta confusão entre elas era insuportável. Ainda assim, Eduarda manteve distância, tentando controlar o turbilhão de sentimentos que ameaçava explodir a qualquer momento.
A viagem até a fazenda foi tranquila. Ao chegarem, os professores orientaram os alunos sobre as atividades do dia: trilhas, passeios a cavalo, um piquenique ao ar livre e algumas brincadeiras em equipe. Eduarda e Manuela estavam em grupos diferentes, o que parecia uma benção para ambas naquele momento, apesar da tensão no ar.
Enquanto os alunos se espalhavam pelos campos e trilhas, Eduarda tentava aproveitar o dia com suas novas amigas, incluindo Brenda e Rafaela. Ela precisava se distrair e esquecer, pelo menos por algumas horas, a confusão em que sua vida se encontrava. No entanto, toda vez que seus olhos encontravam Manuela de longe, a dor voltava com força total.
Manuela também não estava totalmente confortável. O passeio, que deveria ser uma fuga temporária, se tornou um lembrete constante de tudo o que ela tentava enterrar. Bruno estava sempre por perto, tentando animá-la, mas ela sabia que o interesse dele por ela era mais profundo. No entanto, Manuela só conseguia pensar em Eduarda. Cada momento ao lado de Bruno parecia falso, uma tentativa de se convencer de que poderia seguir em frente.
Ao longo do dia, pequenas interações inevitáveis aconteceram. Em uma das atividades, Eduarda e Manuela acabaram sendo colocadas no mesmo grupo por acaso. A tarefa era simples: coletar flores para um arranjo que seria usado no piquenique da tarde. As duas trabalharam em silêncio, as mãos roçando ocasionalmente enquanto escolhiam as flores. Cada toque fazia o coração de Eduarda acelerar, e Manuela tentava não demonstrar que estava igualmente afetada.
Finalmente, ao cair da tarde, todos se reuniram para o piquenique. As risadas e conversas enchiam o ar, mas Eduarda não conseguia se concentrar. Manuela estava sentada um pouco afastada, ao lado de Bruno e Dressa. Ela se forçava a sorrir, mas seus olhos não mentiam. Eduarda sabia que Manuela estava fingindo, da mesma forma que ela estava.
Após o piquenique, enquanto todos se preparavam para voltar aos ônibus, Eduarda decidiu que não podia mais suportar o silêncio entre elas. Ela precisava falar com Manuela, mesmo que fosse apenas para esclarecer tudo de uma vez por todas. Vendo que Manuela havia se afastado um pouco do grupo para pegar sua mochila, Eduarda aproveitou a oportunidade.
- Manuela, espera - Eduarda chamou, se aproximando dela com o coração disparado.
Manuela parou, respirando fundo antes de se virar.
- O que foi, Eduarda? - Sua voz era calma, mas havia uma tensão subjacente.
- A gente precisa conversar. Sobre tudo isso... sobre nós. - Eduarda deu um passo à frente, seus olhos fixos nos de Manuela.
Manuela olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava prestando atenção, e assentiu levemente.
- Tá, mas não aqui. Vem - disse ela, levando Eduarda até uma área mais afastada, onde as árvores ofereciam um pouco de privacidade.
Quando chegaram, o silêncio entre elas era palpável, carregado de todas as palavras não ditas e sentimentos reprimidos.
- Por que você tá fugindo de mim? - Eduarda começou, incapaz de conter a frustração em sua voz. - Eu sei que você sente algo por mim. Você não pode fingir que o que aconteceu entre nós não significou nada.
Manuela cruzou os braços, seu rosto endurecido, mas os olhos traindo a dor que sentia.
- Eduarda, eu tô cansada... cansada de toda essa confusão. De achar que a gente pode ficar juntas, mas sempre ter algo ou alguém no meio. Eu vi você com a Dressa! Como você acha que isso me fez sentir?
- Manuela, aquilo não foi o que pareceu! Eu juro, ela me beijou à força! - Eduarda deu um passo adiante, tentando alcançar a mão de Manuela, mas ela recuou.
- Você sempre tem uma desculpa, Eduarda. Sempre uma história. Eu não sei mais no que acreditar.
Eduarda sentiu um nó na garganta, mas se manteve firme.
- Eu te amo, Manuela. Isso nunca mudou. E nunca vai mudar.
As palavras pairaram no ar entre elas, pesadas com a sinceridade que Eduarda não conseguia mais esconder. Manuela, no entanto, parecia travada, lutando contra seus próprios sentimentos. Ela queria tanto acreditar em Eduarda, mas o medo de se machucar de novo era maior.
- Eu não sei se consigo mais, Eduarda - Manuela disse, a voz falhando levemente.
Antes que Eduarda pudesse responder, o som de vozes se aproximando indicou que o momento havia acabado. Os outros alunos estavam voltando para os ônibus, e Manuela aproveitou a distração para se afastar.
- Vamos voltar. Não podemos perder o ônibus - disse Manuela, com os olhos evitando os de Eduarda.
E assim, mais uma vez, as palavras que precisavam ser ditas ficaram suspensas, enquanto ambas seguiam para o ônibus com os corações pesados, ainda presos em um ciclo de incerteza e dor.
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A Enteada Do Meu Pai.
FanficSinopse: Eduarda é uma garota rebelde e impulsiva, acostumada a quebrar as regras, a ponto de ser expulsa de três escolas na Inglaterra. Desesperada, sua mãe decide que a melhor solução é enviá-la para o Brasil, para morar com seu pai, Luiz, com que...
