" A Enteada do Meu Pai"
**Capítulo 24:**
Os dias no colégio seguiam seu ritmo, mas para Manuela e Eduarda, cada momento parecia carregado de tensão e saudade. Manuela estava determinada a seguir em frente, a afastar de si tudo o que a fazia lembrar do caos emocional em que Eduarda a colocava. Ela tentava convencer a si mesma de que Bruno era a escolha certa - seguro, carinhoso e disposto a estar ao seu lado sem as complicações que Eduarda trazia consigo.
Em uma tarde ensolarada, Bruno chamou Manuela para uma conversa particular no pátio do colégio. Eles haviam passado mais tempo juntos nas últimas semanas, e Manuela podia ver o quanto ele se importava com ela. O olhar de Bruno era gentil, mas dessa vez, havia algo mais profundo, uma tensão nervosa em seu rosto.
- Manu, eu... queria falar com você - começou ele, segurando as mãos dela de maneira suave, porém firme. - Eu sei que você passou por muita coisa nos últimos tempos, mas eu realmente gosto de você. E eu quero estar ao seu lado, não só como amigo. Eu quero te namorar.
Manuela o encarou em silêncio por um momento. Sua mente estava a mil. Bruno era tudo o que qualquer garota poderia querer, e estar com ele era fácil, sem o drama constante que ela vivia com Eduarda. Talvez fosse isso que ela precisasse, algo estável e previsível.
- Bruno... - começou ela, hesitante. - Eu preciso de um tempo para pensar.
- Eu entendo, Manu. Mas só quero que você saiba que estarei aqui, esperando. - Ele sorriu, deixando claro que não havia pressão.
Mais tarde naquele dia, Manuela ficou sozinha no quarto, os pensamentos girando em sua cabeça. De um lado, havia o carinho de Bruno e a promessa de uma relação tranquila. Do outro, Eduarda, que ainda fazia seu coração disparar de maneiras que ela não conseguia explicar. Enquanto pensava, pegou o celular e, sem hesitar, mandou uma mensagem para Bruno.
"Eu aceito. Vamos namorar."
Ao mesmo tempo em que Manuela tentava seguir em frente, Eduarda estava em outro lugar do colégio, sentindo o peso das escolhas de Manuela. Ela estava destruída por dentro, ainda lutando com a ideia de que Manuela acreditou na versão de Dressa, ignorando seu lado da história. Cansada de sofrer sozinha, Eduarda decidiu que precisava de alguém com quem conversar. Assim, ela foi ao único lugar onde sabia que encontraria apoio: a casa de sua mãe, Ana.
Quando chegou, Eduarda entrou sem bater, sabendo que sua mãe estaria em casa. Ana estava no escritório, revisando alguns papéis da empresa, mas parou assim que viu a filha entrar com uma expressão abatida no rosto.
- Duda, o que houve? - perguntou Ana, preocupada, enquanto largava os documentos e se levantava para abraçar a filha.
Eduarda não aguentou mais segurar as lágrimas. Deixou-se desabar nos braços da mãe, sentindo o conforto que só Ana poderia oferecer. Ana a conduziu até o sofá, onde as duas se sentaram. Eduarda secou as lágrimas antes de começar a desabafar.
- Mãe, é a Manuela... Eu não aguento mais. Ela não acredita em mim. Ela prefere acreditar na Dressa, aquela falsa! - disse Eduarda com raiva. - Eu a amo, mas parece que quanto mais eu tento me explicar, mais ela se afasta. Agora, ela está com o Bruno, e eu sinto que a perdi de vez.
Ana escutava atentamente, suas mãos acariciando o cabelo da filha, oferecendo o apoio silencioso que Eduarda tanto precisava. Por mais que Ana tivesse suas próprias complicações com Laura e Luiz, naquele momento, sua preocupação era com o coração partido de Eduarda.
- Duda, eu sei que é difícil - disse Ana, com a voz calma. - Mas às vezes, as pessoas precisam de tempo para entender o que sentem. Se Manuela te ama de verdade, ela vai enxergar a verdade, mas você não pode forçar isso. E quanto à Dressa, o tempo vai mostrar quem ela realmente é.
Eduarda suspirou profundamente, tentando absorver as palavras da mãe.
- Eu só queria que ela me desse uma chance... Uma chance de mostrar que eu nunca quis machucá-la.
Ana sorriu levemente, segurando o rosto da filha entre as mãos.
- Às vezes, a melhor forma de provar seu amor é deixar o tempo resolver. Se você ama mesmo a Manuela, dê espaço para ela sentir a sua falta. E, se for para vocês ficarem juntas, isso vai acontecer no momento certo.
Enquanto Eduarda refletia sobre as palavras da mãe, algo dentro dela a incomodava. O sentimento de perda e o vazio que a ausência de Manuela deixava eram intensos, mas, ao mesmo tempo, ela sabia que não poderia forçar Manuela a acreditar nela.
Nos dias que se seguiram, Eduarda se viu cada vez mais próxima de Rafaela, que havia sido uma boa ouvinte durante seu desabafo. Rafaela, embora sempre um pouco competitiva e provocativa, parecia genuinamente interessada em ajudar Eduarda a superar a dor. Elas começaram a sair mais juntas, e Rafaela aproveitava cada oportunidade para lembrar Eduarda de que ela merecia alguém que confiasse nela.
Em uma noite, enquanto estavam juntas em uma festa do colégio, Rafaela fez questão de manter Eduarda por perto. As duas acabaram se aproximando novamente, e em meio ao caos da música e da dança, Rafaela beijou Eduarda. Diferente dos outros beijos que Eduarda trocara, aquele não tinha a mesma intensidade de seus sentimentos por Manuela, mas, de alguma forma, ajudava a aliviar a dor que ela carregava.
Eduarda tentou ignorar o aperto no coração ao pensar em Manuela. Se Manuela queria seguir em frente com Bruno, talvez ela também devesse tentar seguir em frente com Rafaela.
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A Enteada Do Meu Pai.
FanfictionSinopse: Eduarda é uma garota rebelde e impulsiva, acostumada a quebrar as regras, a ponto de ser expulsa de três escolas na Inglaterra. Desesperada, sua mãe decide que a melhor solução é enviá-la para o Brasil, para morar com seu pai, Luiz, com que...
