" A Enteada do Meu Pai"
**Capítulo 27: **
Eduarda tinha finalmente tomado uma decisão. Aceitou a proposta de sua mãe para voltar à Inglaterra e retomar sua vida de antes, cercada pelas amigas e longe dos dramas que tanto a feriam no Brasil. Parecia a escolha mais sensata, mas, por mais que tentasse se convencer de que essa era a melhor decisão, o nome de Manuela continuava a ecoar em seus pensamentos, e a dor em seu peito se recusava a desaparecer.
No fundo, Eduarda sabia que Manuela era mais do que uma simples paixão. Havia algo profundo entre as duas, algo que ela não conseguia explicar, mas que, de alguma forma, não a deixava seguir em frente completamente. Ela queria se despedir de Manuela, ver aquele rosto uma última vez antes de partir para sempre. Mas sabia que o reencontro poderia ser doloroso demais.
Enquanto Eduarda preparava as malas, sua mãe, Ana, também estava finalizando seus arranjos. Ela sabia que sua partida também traria um adeus para Laura. Embora Laura estivesse noiva de Luiz, Ana ainda sentia aquele laço invisível que as unia, algo que nunca se quebrou completamente. Sabendo que não poderia partir sem dizer nada, Ana enviou uma mensagem para Laura, contando sobre sua decisão de voltar à Inglaterra com Eduarda.
Quando Laura recebeu a mensagem, foi como se uma faca atravessasse seu peito. O amor de sua vida estava partindo novamente, e mais uma vez ela se via sem forças para impedi-lo. Era final de semana, e Manuela, sem ter ideia do turbilhão emocional que sua mãe estava vivendo, estava jantando com ela em casa. A refeição seguia silenciosa, até que Laura, incapaz de conter o que sentia, soltou a notícia.
- Manuela... a Eduarda vai voltar para a Inglaterra com a mãe dela - disse Laura, sem olhar diretamente para a filha, seu olhar perdido nos pensamentos.
Naquele momento, o mundo de Manuela parou. Seu garfo congelou no ar, e o gosto da comida sumiu de sua boca. Eduarda estava indo embora? Ela não sabia o que dizer, as palavras não vinham. De repente, a dor no peito que ela vinha tentando ignorar tomou conta de todo o seu ser.
- Com licença... - Manuela murmurou, empurrando o prato de lado.
Ela subiu rapidamente para seu quarto, fechou a porta e se jogou na cama. A única coisa que conseguia fazer era chorar. O amor de sua vida estava indo embora, e ela se sentia impotente para fazer qualquer coisa a respeito. As lágrimas escorriam por seu rosto, e ela se perguntava se algum dia conseguiria superar aquilo.
Enquanto isso, Eduarda estava na casa de seu pai, se despedindo dele e da avó. As despedidas eram sempre dolorosas, mas desta vez havia uma sensação de fim, de algo definitivo. Seu pai tentou ser forte, mas a tristeza em seus olhos era inegável. Ana, ao lado, tentava manter a compostura, sabendo que sua própria despedida com Laura ainda pesava em seu coração.
Eduarda e Ana voltaram para casa para passar as últimas horas antes do voo. Já era madrugada, e as malas estavam prontas. Eduarda estava exausta, tanto emocionalmente quanto fisicamente, e foi se deitar. O sono veio rápido, mas não demorou muito para ser interrompido pelo som do celular vibrando na mesa de cabeceira.
Ainda sonolenta, Eduarda pegou o aparelho e olhou para o visor. Seu coração deu um salto. Era Manuela. Por um momento, ela hesitou em atender, mas sabia que precisava ouvir a voz dela.
- Alô? - Eduarda atendeu, com a voz rouca de sono.
- Você... vai embora mesmo? - a voz de Manuela estava embargada, quase um sussurro, e Eduarda podia sentir a tristeza do outro lado da linha.
Eduarda ficou em silêncio por um momento. Ela sabia que essa conversa seria difícil, mas também sabia que precisava ser honesta.
- Sim, Manu... estou indo embora - respondeu Eduarda, a voz carregada de pesar.
Manuela respirou fundo, tentando controlar as lágrimas que voltaram a encher seus olhos. O silêncio entre elas foi denso, cheio de sentimentos não ditos.
- Eu... - começou Manuela, mas sua voz falhou. - Eu sinto muito, Eduarda. Por tudo. Eu fui uma idiota. Eu devia ter acreditado em você, não na Dressa.
Eduarda sentiu o coração apertar ao ouvir as palavras de Manuela. Ela também sentia falta, também queria que tudo tivesse sido diferente.
- Eu também sinto muito, Manu. Queria que as coisas tivessem sido diferentes... mas agora é tarde demais - respondeu Eduarda, tentando conter a emoção em sua voz.
- E se eu pedisse para você ficar? - Manuela perguntou, a voz cheia de esperança.
Eduarda fechou os olhos, e por um breve momento imaginou como seria se ela ficasse. Mas sabia que não poderia continuar vivendo na incerteza, no ciclo de dor e desencontros. Ela precisava de um recomeço, e talvez, ficar, só prolongaria o sofrimento.
- Eu não posso, Manu... não posso - respondeu Eduarda, com lágrimas nos olhos. - Eu preciso ir. Preciso de um tempo para mim.
Manuela sentiu o chão desmoronar sob seus pés, mas não podia forçar Eduarda a ficar. Ela sabia que a outra garota tinha razão.
- Eu entendo... - Manuela disse, tentando soar forte, mas a dor era evidente.
- Eu sempre vou me lembrar de você, Manu. Sempre. Mas agora... preciso ir. - Eduarda falou suavemente, e Manuela soube que aquela era a despedida.
- Adeus, Eduarda - Manuela sussurrou, e antes que pudesse ouvir mais alguma palavra, desligou o telefone.
Eduarda ficou deitada no escuro, olhando para o teto, tentando processar o que acabara de acontecer. Seu coração estava pesado, mas de alguma forma, sentia que aquela despedida era necessária para que ambas pudessem seguir em frente.
E assim, Eduarda fechou os olhos, sabendo que, ao amanhecer, estaria a caminho de uma nova vida, enquanto Manuela tentaria continuar a sua sem ela.
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A Enteada Do Meu Pai.
FanfictionSinopse: Eduarda é uma garota rebelde e impulsiva, acostumada a quebrar as regras, a ponto de ser expulsa de três escolas na Inglaterra. Desesperada, sua mãe decide que a melhor solução é enviá-la para o Brasil, para morar com seu pai, Luiz, com que...
