" A Enteada do Meu Pai "
**Capítulo 28: **
Quando Eduarda acordou, o sol já estava raiando, lançando feixes de luz pela janela e iluminando seu quarto com um brilho suave. O cheiro de café fresco invadia o ar, trazendo um momento de conforto antes da despedida. Ela se levantou devagar, o corpo ainda pesado pela noite de emoções intensas. A conversa com Manuela ecoava em sua mente, e, apesar de saber que tinha tomado a decisão certa, uma parte dela se perguntava se conseguiria realmente deixar tudo para trás.
Desceu para a cozinha, onde Ana já estava à mesa, olhando para a xícara de café como se estivesse perdida em pensamentos. Ao ver Eduarda, Ana forçou um sorriso, mas a tristeza em seus olhos era inconfundível.
- Bom dia, querida. Dormiu bem? - perguntou Ana, tentando parecer animada.
- Mais ou menos - respondeu Eduarda, pegando uma fatia de pão e colocando-a na torradeira. - Estou... um pouco ansiosa.
Ana assentiu, como se entendesse perfeitamente. A ligação que Eduarda tinha recebido na noite anterior não só tinha sido uma despedida, mas também um fechamento para um ciclo que ela sabia que não poderia mais continuar. Havia um misto de dor e libertação no ar, e ambas pareciam sentir o peso da situação.
- O que você pretende fazer depois que chegar à Inglaterra? - Ana perguntou, tentando mudar de assunto.
Eduarda pensou um pouco. A ideia de recomeçar era assustadora, mas ao mesmo tempo, a esperança de um futuro diferente a preenchia.
- Quero focar nos estudos e tentar me reconectar com as pessoas que deixei para trás. Eu sinto que preciso disso - respondeu, olhando para a mãe.
Ana sorriu, embora um leve brilho de lágrimas estivesse presente em seus olhos. Ambas sabiam que aquele era um novo capítulo, mas uma parte delas queria permanecer no conforto do que já conheciam.
Após o café da manhã, Eduarda subiu para o quarto, onde suas malas estavam prontas. Olhou ao redor, tentando gravar cada detalhe em sua memória. Os cartazes nas paredes, a cama desfeita, e o cheiro familiar que parecia pertencer àquela fase de sua vida.
O celular vibrou em cima da cama, e o coração de Eduarda disparou ao ver que era uma mensagem de Manuela. Com um misto de ansiedade e esperança, abriu a mensagem.
"Oi, Edu. Espero que você esteja bem. Queria te dizer que eu vou sentir sua falta. E que, não importa a distância, sempre estarei aqui, torcendo por você."
As lágrimas começaram a escorregar por suas bochechas, e Eduarda respondeu rapidamente, sem pensar duas vezes: "Eu também vou sentir sua falta, Manu. Você sempre estará no meu coração."
Quando Eduarda terminou de arrumar suas coisas, Ana entrou no quarto, segurando um embrulho pequeno.
- Aqui, é um presente de despedida - disse, entregando o pacote a Eduarda.
Ela desembrulhou com cuidado e encontrou um colar delicado, com um pequeno pingente em forma de coração.
- É lindo, mãe! Obrigada! - disse Eduarda, tocando o colar com carinho.
- Espero que sempre se lembre de mim e de todos os momentos que vivemos aqui - respondeu Ana, puxando a filha para um abraço apertado.
Minutos depois, estavam a caminho do aeroporto, o clima entre elas era pesado, mas também carregado de amor e compreensão. Ao chegarem, Eduarda olhou ao redor, sentindo uma mistura de ansiedade e tristeza. As despedidas eram sempre difíceis, mas ela sabia que estava fazendo o que precisava para crescer.
O portão de embarque estava lotado, e ao ver pessoas se abraçando, Eduarda sentiu o coração apertar mais uma vez. A ideia de deixar Manuela para trás doía mais do que qualquer coisa que já havia sentido.
- Mãe, eu... eu só preciso de um minuto - disse Eduarda, parando repentinamente.
Ana acenou, compreendendo a necessidade da filha. Eduarda se afastou, procurando um lugar mais reservado, onde pudesse respirar e processar tudo o que estava sentindo. A angústia no peito era quase insuportável.
Ela se encostou em uma parede, fechou os olhos e se concentrou em sua respiração. A imagem de Manuela apareceu em sua mente - seu sorriso, suas risadas, os momentos compartilhados. Eduarda se lembrou de cada olhar, cada toque, e a dor se intensificou.
Com o coração pesado, ela pegou o celular e, sem pensar, começou a digitar uma mensagem para Manuela.
"Eu só queria te dizer que você vai sempre ser parte da minha vida. Não importa a distância, sempre estarei aqui, torcendo por você também. Adeus, Manu."
Assim que enviou a mensagem, sentiu uma onda de alívio e dor ao mesmo tempo. Com lágrimas escorrendo, Eduarda se recompôs e retornou para sua mãe, pronta para embarcar em um novo capítulo, levando consigo as memórias que nunca seriam esquecidas.
O voo foi tranquilo, mas a cabeça de Eduarda estava repleta de pensamentos e sentimentos. Ao olhar pela janela do avião, ela viu as nuvens passando, e, pela primeira vez, começou a sentir que talvez aquele adeus não fosse o fim, mas um novo começo para ambas.
E enquanto as asas do avião cortavam os céus, ela se lembrou da mensagem que havia enviado, e um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. A esperança de um reencontro no futuro a acompanharia, não importa onde a vida a levasse.
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A Enteada Do Meu Pai.
FanfictionSinopse: Eduarda é uma garota rebelde e impulsiva, acostumada a quebrar as regras, a ponto de ser expulsa de três escolas na Inglaterra. Desesperada, sua mãe decide que a melhor solução é enviá-la para o Brasil, para morar com seu pai, Luiz, com que...
