A conversa com a mãe

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Jungkook queria poder dizer que conseguiu dormir a noite toda, despreocupado, porém isso não era verdade, nem se forçasse muito. A real história é que não tinha pregado o olho por nem um segundo sequer.

Taehyung também não.

E ele sabia disso porque os dois passaram a madrugada toda conversando pelo celular. Ambos estavam apreensivos e preocupados com a tal necessidade de conversar que a mãe do mais novo alertou.

Diversos eram os pensamentos dos dois garotos e nenhum deles cogitava alguma coisa positiva. O melhor, ou menos pior de todos, havia sido pensado por Taehyung — obviamente — e cogitava a possibilidade dela simplesmente proibir os dois de ficarem juntos.

As possibilidades pensadas por Jungkook sempre incluíam ou morte ou castigos físicos. Culpa de seus pensamentos mirabolantes e pouco acolhedores.

O dia começava aos poucos. O céu ia clareando, o que aumentava ainda mais a ansiedade dos dois meninos. A conversa com a Sra. Jeon ficava cada vez mais próxima, mesmo que não soubessem quando ela ia efetivamente acontecer.

[A minha maior certeza] Será que ela já acordou?

[Você] Acho que não.

[A minha maior certeza] Que horas será que ela vai querer conversar?

[Você] Espero que nunca.

[Você] Espero que ela esqueça do que viu.

[A minha maior certeza] Eu também gostaria, mas acho meio impossível.

[Você] Também acho, mas é minha única esperança de não ser deserdado.

E realmente acreditava nisso. Seus pensamentos lhe engoliam em culpa e arrependimento, mesmo que não estive verdadeira arrependido de estar com Taehyung. Porém era incontrolável pensar que não morreria se não tivesse dado vazão aos seus desejos internos.

Naquele momento, lhe parecia estupida a ideia de ter pegado o telefone de Taehyung e mais ainda a de tê-lo chamado. Sua cabeça trabalhava incessantemente em lhe julgar por estar vivendo esse momento de total apreensão e desespero.

Era esse o resultado de quando cedemos às nossas vontades, principalmente quando elas não são "normais", afinal, ser gay era um erro social, terrível, um crime inafiançável.

Pelo menos na sua visão.

[Você] A porta do quarto dos meus pais abriu. Deve ser minha mãe, porque ela sempre acorda mais cedo.

Não sabia nem como tinha conseguido escrever aquela mensagem, tamanha era a sua ansiedade. O coração pulava tanto que parecia que ia escapar pelo peito, abrindo um buraco em seu tórax.

Não tinha como imaginar como seria vê-la. Nem com fome estava somente para evitar ter que descer para a cozinha para tomar o café da manhã.

Era impossível imaginar como seria a reação dela ao chegar no piso inferior e olhar Taehyung. Será que olharia para ele com desprezo e nojo? Ou o ignoraria completamente? Ou ainda gritaria com ele?

Será que ela havia contado para seu pai?

Céus! Pensar nessa possibilidade deixava as coisas muito piores. Por pior que fosse a reação de sua mãe, com certeza a do pai seria pior. Se a mãe poderia lhe matar, o pai daria sua carne para os abutres.

[A minha maior certeza] Era ela sim.

[A minha maior certeza] Acabou de descer pelas escadas e foi para a cozinha.

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