<< Cap. 3 >>

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— Me declaro morta — digo e me jogo no sofá do camarim — Foi muito cansativo essas gravações — suspiro — Fizemos quantos takes? — olho para Christopher, que está comigo.

— Eu perdi as contas — Christopher diz, enquanto senta na cadeira — Trouxe lanches pra nós — ele me entrega um. Percebo que há mais dois lanches em sua mão.

— Por que dois? — levanto as sobrancelhas

— Pra mim — faz uma cara engraçada e eu sorrio — Até parece que você não me conhece — ele pega o lanche e dá uma grande mordida.

— Você comeu dois na nossa primeira pausa para descansar — o olho indignada enquanto levanto uma das sobrancelhas e Christopher dá de ombros, parecendo não se importar. Como ele consegue comer tanto e não engordar? Que genética é essa? Me preparo para morder meu lanche, mas alguém bate na porta — Entra — peço e a pessoa do outro lado abre a porta. É a Lisa.

— Vocês estão liberados! — Lisa diz e dá um sorriso — A maioria das cenas ficaram ótimas — sorrio aliviada. Isso é muito bom, quer dizer que valeu a pena todo o esforço.

— Então, eu já vou indo — digo e levanto do sofá, e finalmente mordo o pedaço do meu lanche — Preciso muito deitar em minha cama e dormir — Christopher imita o meu gesto, se levantando também.

— Te acompanho — ele me diz, parando ao meu lado

— Descansem, teremos muito trabalho a fazer amanhã! — Lisa diz e nos dá espaço para sair.

— Vou te levar para sua casa — Christopher diz indo em direção ao estacionamento.

— Não precisa, eu prefiro ir caminhando — falo calmamente. Ele me olha incrédulo. O que foi agora?

— Você está doida? — ele pergunta e levanta uma das sobrancelhas — Está anoitecendo, peque, é perigoso! — ele exclama com os braços cruzados.

— Eu sei me cuidar, Chris — falo e dou risada — E nem está tão tarde assim — sorrio. Como eu sempre digo, ele é muito exagerado.

— Peque, não discute comigo — ele diz, se aproxima e pega meu pulso gentilmente, me levando pro estacionamento.

Eu suspiro e o acompanho. Entramos no estacionamento, que está lotado de carros. Christopher para em um carro vermelho. Seu Sedan, o carro que ele é completamente apaixonado. A primeira coisa que ele conquistou com seu trabalho de ator. Ele me abre a porta e eu entro enquanto a fecho. Christopher dá a volta no carro e entra no banco do motorista. Ele coloca o cinto e as mãos no volante, logo depois me olha.

— Que foi? — digo levantando uma sobrancelha. Às vezes, Christopher pode parecer estranho.

— Nada — ele diz e logo sorri — Vamos indo! —  Christopher dá a partida no carro e logo saímos dali.

Ele liga o rádio e eu encosto a cabeça no vidro. Nesse momento está tocando Sin Bandera, uma banda que o Chris ama. Ele começa a cantar baixinho e eu apenas olho para a rua, apreciando sua voz. Christopher nunca foi de cantar em frente as pessoas, ele costuma cantar sozinho ou quando estou junto, o mesmo diz que se sente confiante ao meu lado. Enquanto olho para o céu, percebo que está nublado. E aos poucos caí gotas de chuva, que vão se intensificando. É ótimo que Christopher tenha insistido em me levar para casa, já que se eu fosse andando, estaria encharcada!

— Chegamos — ele diz me tirando de meus pensamentos — Será que a dona Giovana deixa eu ficar pra jantar? — Chris sorri igual uma criança. Ele ama a comida italiana da minha mãe.

— Você sabe que minha mãe te ama e aceitaria, com certeza — digo tirando o cinto — Mas eu não, porque da última vez você comeu quase tudo e acabou com meu tiramisù — me lembro como se fosse ontem, ele roubando meu tiramisú sem a maior vergonha na cara!

— E você não se esqueceu disso ainda? — ele ri. Ele está rindo da minha cara?

— Ninguém mexe no meu tiramisú, Christopher, ninguém — digo ressaltando a última palavra. É o meu doce italiano favorito da vida! E ele sabe disso.

— Desculpa — ele fala e segura a risada.

— Quem sabe da próxima vez eu não te convide para jantar? Minha mãe ia adorar te ver — falo sorrindo e me preparo para abrir a porta — Vou entrar porque a chuva está ficando forte. Tchau Christopher — dou um abraço nele e ele me retribui. E saio do carro fechando a porta.

Vou até a porta correndo, procuro minhas chaves no bolso e entro. Vejo minha mãe e minha irmã mais nova na cozinha, daqui dá pra sentir o cheiro da comida. Por mais que eu tenha acabado de comer um lanche, aquele cheiro me deu uma fome! Passar o tempo com o Christopher me deixa igual a ele, com fome o tempo todo. Mas não o julgo - só as vezes - comida é VIDA. Elas vêem que acabei de chegar e minha mãe chama para ir até elas.

— Como foi no trabalho? — ela diz quando me aproximo.

— Foi cansativo, mas valeu a pena — digo e logo sorrio — E como foi o dia de vocês? — pergunto me sentando em uma das cadeira da mesa, perto da minha irmã, Kyara.

— O meu chato como sempre — minha irmãzinha responde irritada, com os braços cruzados.

— Por quê? — pergunto levantando as sobrancelhas.

— Porque eu fui para escola e tudo relacionado com a escola é chato! — Kyara diz. Eu rio dela, ela está o tempo todo irritada e pra mim isso é engraçado, às vezes até a respondo com ironia — Está rindo do quê? Não é você que tem que estudar e aguentar pessoas chatas — percebo que ela revira os olhos.

— Eu tenho que decorar textos, isso é igual estudar — digo e levanto uma sobrancelha — E sobre aguentar pessoas chatas, eu tenho que te aguentar todos os dias da semana, não é o suficiente? — eu dou um sorriso, brincando com a cara dela. Ela me olha com sua típica cara de zangada.

— Te odeio! — Kyara exclama. Ah, eu sei que é mentira.

— Eu também te amo! — exclamo e sorrio largamente, zombando dela. Eu amo deixá-la mais irritada do que é naturalmente!

— Acabou o show das duas? —  minha mãe diz. Ela estava o tempo todo encostada na pia com os braços cruzados, nos olhando — A comida está pronta — me levanto da mesa e vou direto no armário pegar um prato para me servir.

 Ela estava o tempo todo encostada na pia com os braços cruzados, nos olhando — A comida está pronta — me levanto da mesa e vou direto no armário pegar um prato para me servir

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Sueños Y Secretos | Christopher VélezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora