Pedro me abraça e me beija como se não fizesse isso a anos. E eu me sinto tão mal por ter feito ele sofrer desse jeito, deveria ter atendido a primeira ligação.
- Ei, foi só um mal entendido, estamos bem... - ele me olha como se eu tivesse dito algo que ele precisava ouvir.
- Preciso te perguntar uma coisa...- ele me tira do seu colo e me senta ao lado dele no banco. - Faz um tempo que estou andando com isso, mas sem coragem, primeiro preciso saber... Você realmente terminou seu relacionamento? - Pedro pergunta abaixando a cabeça e mexendo nas mãos, parece que tem medo do que posso responder.
- Sim! Terminei! - seguro o rosto dele e faço com que ele me olhe. - Como eu te disse no telefone, na noite que fomos no forró, eu cheguei na casa da Bruna e eu contei que tinha te beijado e em como eu estava me sentindo sobre tudo. - olho para o chão, encarando meus pés, tentando esconder a vergonha do que vou falar. - Ela me contou que ele estava me traindo com várias meninas na frente da cidade inteira. Então liguei e terminei com ele.
Pedro me encara com um olhar distante. - Que idiota, eu jamais trairia você. - ele disse como se falasse sozinho. - E você tá bem com isso?
- Para falar a verdade, sim! Confesso que chorei por saber que todos da minha cidade viram que eu fiz papel de idiota, mas não me magoou terminar com ele. Acho que nunca tivemos um namoro de verdade. Foi bem mais costume e sei lá... - tento explicar resumidamente a ele como tudo aconteceu e Pedro escuta sempre prestando muita atenção em tudo o que eu falo. Isso é uma das coisas que mais me encanta nele, o fato de sempre me ouvir de verdade, me olhar de verdade, estar presente de verdade.
Depois de ouvir tudo, ele segura meu rosto com as mãos e me olha nos olhos fixamente. - Não vou mentir em dizer que não fico aliviado por você nunca tê-lo amado. Mas sei que passar por isso deve ser horrível, mesmo não gostando da pessoa. E eu quero que saiba que eu JAMAIS faria isso com você, JAMAIS! - Ele se arruma no banco para ficar bem de frente pra mim. - Como disse, tenho andado com isso uns dias mas sem coragem para perguntar, e agora escutando tudo, só me deixa com mais e mais vontade de te dar isso e te pedir... - ele faz uma pausa e pega um saquinho no bolso, abre lentamente e tira de lá algo brilhante que não consigo ver bem pois ele esconde na mão fechada. - Sei que não estamos juntos a muito tempo e que você acabou de sair de um relacionamento, errado, mas um relacionamento. Mas quero que saiba que o que eu sinto é algo realmente forte e desde a primeira vez que te vi, lá na Barra, não tiro você do pensamento. Mesmo depois de três meses sem nem te ver, eu sabia que era você desde aquela primeira vez. - olho nervosa para ele e vejo que ele tá mais nervoso que eu. Sei o que ele vai fazer, sei o que eu quero, mas estou tremendo e suando. - Julia, você quer namorar comigo?
Fico encarando ele por uns segundos, ele fica sem graça e abaixa a cabeça como se eu já tivesse negado. Pego seu rosto, dou um beijo em cada bochecha, na sua testa, na ponta do nariz e depois na boca, puxo ele para um abraço e digo "Sim!" Bem baixinho em seu ouvido.
Ele solta a respiração, me puxa e me beija, com um sorriso maior que a cara dele, não consigo resistir e dou risada. - Tá rindo de mim é? Eu não terminei. - ele ri e segura minha mão. - Eu comprei isso um dia antes de te levar para o forró, não é uma aliança nem nada, mas achei que ficaria lindo em você e comprei. Ia te dar de presente depois de estudarmos juntos ou sei lá...- ele fica vermelho e eu percebo que nunca tinha visto ele tão sem graça. - ... Não pensei em como te dar isso quando comprei, mas sabia que daria.
Pedro abre a mão e tira um cordão dourado com um pingente bem delicado em forma de uma máquina de escrever. Fico encarando o cordão por um tempo, como é delicado e como faz todo sentido. - É lindo! Coloca em mim? - digo me virando e puxando o cabelo, Pedro parece realmente aliviado, ele passa o cordão pelo meu pescoço o prende e me dá um beijo na nuca, me arrepiando todinha.
- Você realmente gostou. - ele diz sorrindo.
- É lindo! É claro que amei. - o beijo e ficamos ali, daquele jeito por um tempo. Nada parece errado, nada seria mais perfeito. Deixo minha mente viajar em tudo o que passei com o Maurício, como nunca me senti desse jeito com ele, pelo contrário, parece que cada segundo que passei ao seu lado era errado, tinha algo errado, sabe? Meus amigos não gostavam dele, o que me obrigou a me aproximar dos amigos dele, fazer as coisas que ele gostava, falar o que ele queria ouvir. Com o Pedro tudo é leve. Simples. Fácil.
Levanto e olho pra ele, que está encarando o céu, ele fecha os olhos e depois de um tempo parece perceber que estou encarando. Ele me olha e ficamos assim por um segundo, mas juuuro que parece ser beem mais.
- Vêm, vamos na Bruna ver se ela e o Túlio querem ir comer. Hoje tem um prato especial lá no Gil, você quer ir lá ou prefere outro lugar?
- Aah ótima ideia, tenho certeza que a Bru vai ar dançar um pouco, só não tenho certeza se o Baby dança. - digo rindo e me levantando. Pedro segura minha mão, dá um beijo beeem demorado nela e me puxa em duração ao carro.
Em menos de dez minutos estamos na rua da Bruna, Pedro estaciona embaixo de uma árvore na rua e vamos até o apartamento. O porteiro nem interfona pois me conhece e sabe que quase moro lá. Ele anota o nome do Pedro e chama o elevador. Enquanto estamos no elevador, Pedro me abraça por trás e sinto seu corpo quente me arrepiando. É uma delícia!
Chegamos e escuto uma música vindo da porta da Bru, é tão bom ver minha amiga feliz assim. Pelo jeito que seus olhos brilham sei que ela está tão feliz como eu estou. Mesmo tendo as chaves, toco a campainha por que não quero atrapalhar caso ela esteja dando uns amassos no Baby, credo, seria nojento ver isso! Bruna não demora e vem abrir a porta, ela olha pelo olho mágico e antes de abrir a porta já começa a falar.
- Tá tocando a campainha porque, retardada, tem chave não? - ela abre um sorriso ao ver o Pedro ao meu lado. - Oi cunhado! Tô cozinhando, entrem! - Quando ela vira, percebo que está de avental e descalça, o cabelo preso num coque todo desgrenhado.
- Tá treinando química, amiga? Ou tá fazendo uns feitiços? - dou risada enquanto tiro a sapatilha e coloco meus chinelos que estão bem na porta, Pedro já entrou e está parado no balcão da cozinha olhando o que ela está fazendo. Sinto algo bater na minha cabeça, Bruna jogou um pinguim de decoração que fica na prateleira dos temperos. - Aí sua bruxa, doeu!
- É para doer mesmo, tô aqui fazendo um brigadeirão delicioooso, tá!
Pedro ri vendo a cena, ele faz como se puxasse o ar para sentir o cheiro. - Tá cheirando muito bem, cunhada. Eu vou querer quando tiver pronto. - ela olha para ele com a cara mais idiota do mundo.
- Você pode casar com ele? - ela diz virando o olhar idiota para mim.
- Por enquanto só aceitei namorar. - digo como quem não quer nada, esperando o grito que eu sei que ela vai dar.
- NÃO ACREDITO! Teve pedido? - ela diz me olhando e logo vira o olhar para o Pedro - Ela vai te enlouquecer muito em breve. Se cuida, cunhado, essa daí não é fácil.
Minha vez de jogar o pinguim nela. - Ei, não faz ele se arrepender, tem nem cinco minutos que estamos namorando. - eu brinco enquanto sinto Pedro me agarrando pela cintura.
- Eu dúvido que eu vá me arrepender disso um dia. - ele diz me puxando para um selinho. E eu me derreto todinha.
- Ah que amor vocês dois, mas parem que o meu amorzinho tá longe. E eu não sou obrigada a passar vontade. - ela diz desligando o fogo e derramando o chocolate numa forma de pudim. Ela cobre com uma tampinha transparente e coloca na geladeira.
- Viemos ver se vocês quer ir a um lugar com a gente? - Pedro diz se reaproximando do balcão. - Topa?
- É lá no forró, amiga! Pedro disse que hoje vai ser especial. - digo animada, quase dando pulinhos.
Bruna contente com a idéia trata logo de pegar o telefone para avisar a mudança de planos a Túlio que estaria terminando uma aula e depois iria buscá-la para irem jantar.
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E agora, destino?
RomanceDestino é o nome que damos para os acontecimentos que não temos controle em nossas vidas. Mas para Julia, destino é um cara que está sentado atrás de uma mesa olhando para o painel de sua vida e fazendo com que ela mude totalmente os seus planos. A...
