Capítulo 13 - Medo

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- Olha essa, - Zayn falou, ajeitando a tela de seu notebook. - Um cara chamado Peter Hulme vivia tendo um sonho sobre soldados atacando um castelo. Ele fez uma sessão de hipnose e descobriu lá que ele tinha sido John Raphael, um soldado escocês do século 17. Peter começou a investigar por conta própria com o irmão e eles acharam indícios da existência do castelo, acharam resquícios da tal batalha de seu sonho e também encontraram documentos que provavam a existência de John Raphael.

Louis estava sentado no banco, seus braços cruzados sobre a ilha e sua cabeça apoiada lá. Ele estava um pouco perdido.

- Essa outra, - Zayn desceu a página e continuou a ler. - Ravi Shankar, um garoto indiano que por volta dos 2 anos de idade começou a falar sobre sua outra vida. Ele contava que antes morava em um distrito vizinho e descrevia perfeitamente brinquedos e outros pertences que possuía. Contava que havia sido morto e até identificava os criminosos por nome. Quando ele tinha quatro anos, a família dele foi visitada por um homem que dizia que seu filho de seis anos havia sido assassinado seis meses antes de Ravi nascer. Ravi também possuía uma marca de nascença que se parecia muito com a cicatriz de marcas de faca, modo como o filho de seis anos do homem havia sido morto.

- Por que está me contando essas coisas? - Louis ergueu a cabeça.

- São casos reais, muito bem investigados, sobre reencarnação. - Zayn respondeu.

- Por acaso em algum deles alguém perdeu a memória e só lembrava do passado? - Louis perguntou, sentindo o efeito do chá calmamente que havia tomado passar e o nervosismo retornar.

- Não, mas esses casos podem nos dar um norte na direção da resposta para o seu.

Louis se levantou, voltando a andar de um lado para o outro. Ele olhou para o relógio de Zayn em seu pulso. Faltavam exatas 3 horas.

Toda a situação ao seu redor o assustava. Até o momento, após recuperar sua memória, ele sabia quem era, sabia o que viveu, mas agora talvez aquilo tudo fossem memórias de outra pessoa, de um Louis bem distante.

Aquilo o deixava angustiado, porque não importava o quanto tentasse aceitar que talvez ele não fosse o príncipe de verdade, ele não conseguia. Por que tudo era tão vivo? Todas as memórias?

Ele olhou para o relógio novamente. Agora faltavam 2 horas e 57 minutos.

- Louis, calma. - O moreno pareceu percebeu seu nervosismo.

- Está me pedindo algo impossível.

- Olha só, - Zayn fechou o notebook. - Eu creio que isso vai ser bom, pode te trazer muitas respostas. Mas você precisa se acalmar. Lembre-se que essa mulher é realmente mãe desse Louis. Louis esse que está desaparecido a meses.

Se a intensão do moreno era o deixar calmo, ele falhou.

- E se você estiver certo? Isso tudo que você acabou de ler? - Perguntou, sentando-se novamente, olhando para Zayn de forma aflita. - E se eu for só uma memória presa a esse corpo?

- Escute, nós iremos tentar descobrir o que está acontecendo, mas precisamos lidar com uma coisa de cada vez.

Louis tentou ouvir o moreno e se concentrar em suas palavras, que eles iriam descobrir o que estava acontecendo, mas ele só conseguiu olhar para o relógio em seu pulso novamente.

Faltavam 2 horas e 39 minutos.

[ . . . ]

- Mãe, já chegamos? - Uma garota por volta dos sete anos de idade perguntou.

- Não. - A mulher ao seu lado olhou para fora da janela do trem.

- E agora? já chegamos? - A garota perguntou novamente após alguns minutos de silêncio.

Hastings | larry auHistórias para pegar e não largar. Descubra agora