Ruínas

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Em Konoha

Sakura observou Ino sair pela porta, seu coração pesado como uma pedra, o peso de suas escolhas se tornando insuportável. As palavras de Kiba ainda ecoavam em sua mente, cortantes e implacáveis. Ela queria gritar, pedir desculpas, tentar de alguma forma apagar o que havia acontecido, mas sabia que era tarde demais. Ela sabia que não havia palavras suficientes para remendar tudo o que foi quebrado.

Com um suspiro profundo, Sakura se levantou da mesa. Seus passos foram hesitantes enquanto ela caminhava em direção à porta, tentando ignorar as olhadas de reprovação que sentia, mas não podia evitar o peso de cada olhar que caía sobre ela. O que ela mais temia estava se concretizando — a verdade estava finalmente sendo enfrentada, e não havia como escapar dela.

Ela viu Ino, tentando sair do pesadelo que havia se tornado a noite. A visão de sua amiga, com o rosto pálido e os olhos marejados, fez seu estômago se revirar. Ino estava machucada, e tudo o que Sakura queria naquele momento era poder fazer algo, qualquer coisa, para aliviar essa dor. Mas sabia que não havia mais nada que pudesse fazer para apagar a marca de sua traição.

— Ino, espera! — Sakura chamou, tentando não deixar que sua voz vacilasse, mas ela sentiu o peso da culpa apertando sua garganta.

Ino parou, mas não se virou de imediato. Ela ficou ali, imóvel, com as mãos firmemente apertadas ao longo do corpo. O silêncio entre elas era denso e sufocante, como se as palavras estivessem entaladas nas gargantas de ambas. A distância entre elas parecia imensurável, mesmo quando estavam tão perto fisicamente.

Sakura deu um passo à frente, mais hesitante do que jamais se sentira. Ela tentou, mais uma vez, encontrar a coragem para falar, mas as palavras pareciam escapar de sua mente.

— Eu... eu sinto muito, Ino — começou, a voz falhando um pouco. — Eu sei que não há desculpas para o que aconteceu. Eu... eu não pensei nas consequências, não pensei em nada além de mim mesma. Eu... — Ela pausou, engolindo em seco. — Eu estou tão arrependida, Ino. Não queria que você soubesse dessa forma, não queria que ninguém soubesse dessa forma.

Ino finalmente se virou, seus olhos cheios de tristeza e mágoa. Ela parecia prestes a dizer algo, mas as palavras pareciam presas. A dor que refletia nos olhos dela fez Sakura vacilar ainda mais, sentindo que o peso de sua traição jamais poderia ser totalmente reparado.

— Sabe, Sakura... — Ino começou, a voz tremendo, mas cheia de uma sinceridade cortante. — Eu realmente achei que fosse diferente. Achei que nossa amizade fosse mais forte do que isso, mais importante do que qualquer coisa. Não é só sobre o que você fez comigo. É sobre a confiança que foi destruída, sobre tudo o que eu pensei que entendia sobre nós duas, sobre você. Eu nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer.

Sakura sentiu a dor das palavras de Ino como uma faca afiada. Ela sabia que não podia justificar o que havia feito, mas ainda assim sentiu a necessidade de tentar se explicar.

— Eu entendo que você esteja machucada. Eu também estou. Estou tão arrependida por ter te colocado nessa posição, por ter feito algo que você jamais mereceria. — Sakura deu um passo mais perto de Ino, os olhos marejados, implorando silenciosamente por compreensão. — Eu nunca quis te magoar. Nunca. Mas eu... eu fiz. E não sei como corrigir isso. Não sei se posso.

Ino olhou para ela, os olhos marejados, mas não houve raiva ali, apenas uma tristeza profunda, que parecia emanar de sua alma. Ela balançou a cabeça lentamente, como se não conseguisse mais acreditar nas palavras de Sakura.

— Não sei se pode, Sakura. Eu... eu realmente não sei. Porque, no fundo, eu sei que as palavras nunca vão mudar o que aconteceu. O que vocês fizeram foi... foi o fim de algo que eu pensei que fosse indestrutível. Não é só sobre você, é sobre Hinata e tudo que ela passou. Eu não sei como posso olhar para vocês dois e fingir que nada aconteceu, porque... isso não vai embora. Hinata é nossa amiga e você traiu ela.

As palavras de Ino caíram pesadas sobre Sakura, que sentiu uma dor profunda, uma sensação de perda irreparável. Cada sílaba parecia um golpe em seu peito. Não havia mais espaço para palavras, não havia mais espaço para desculpas. A amizade delas, o que quer que tivesse sido, estava quebrada de uma forma que nunca mais poderia ser consertada.

Ino, com os olhos marejados e uma expressão de derrota no rosto, olhou para Sakura pela última vez. O peso da amargura e da dor era visível em cada traço de seu ser.

— Eu não te odeio, Sakura. Mas não sei se consigo olhar para você da mesma forma agora. — Ela fez uma pausa, o peito subindo e descendo com uma respiração pesada, como se as palavras tivessem sido arrancadas dela. — Mas você não deveria vir atrás de mim, é a Hinata que você deve uma explicação.

Com essas palavras, Ino deu meia-volta, deixando uma última visão de sua silhueta se afastando lentamente, desaparecendo no corredor. Sakura ficou ali, sozinha, os ecos das palavras de sua amiga ainda reverberando em sua mente, enquanto o peso de sua culpa a consumia. Cada batimento de seu coração parecia uma lembrança cruel de que ela havia destruído algo valioso.

Ela não sabia o que mais poderia fazer. O que restava agora era o silêncio e a solidão, o vazio de uma amizade que talvez nunca mais se recuperasse.

— Sakura — a voz de Naruto se fez presente atrás de si, suave, mas cheia de preocupação. Ela não conseguiu se virar em sua direção. As palavras ficaram presas em sua garganta, como se o peso de tudo o que acontecera a tivesse paralisado. Ela sabia o quanto ele se importava com ela, o quanto ele sempre esteve ao seu lado, mas agora, tudo parecia distante, irreparável. Ela não podia suportar mais olhar para ele, não podia suportar mais a dor de saber que havia magoado todos ao seu redor por conta do seu amor.

As lágrimas caíam de seus olhos como cascatas, uma torrente incontrolável que ela não conseguia parar. Cada gota parecia um reflexo de sua culpa, um lembrete cruel de que as coisas nunca seriam como antes. Sem dizer uma palavra, sem olhar para trás, ela simplesmente fugiu. Seus pés a levaram sem rumo, sem direção, apenas em busca de um escape, uma forma de se afastar de tudo e de todos. Ela não queria ouvir mais nada, não queria mais encarar a realidade daquilo que havia feito. As ruas de Konoha, normalmente tão familiares, agora pareciam estranhas e frias. Cada esquina, cada sombra, parecia esconde-la ainda mais de si mesma.

Sakura corria, mas não sabia para onde estava indo. O vento cortante acariciava seu rosto, mas ela não sentia nada além de um vazio profundo, como se estivesse distante de tudo, até mesmo do mundo ao seu redor. Finalmente, sem fôlego e sem forças, ela parou em um ponto isolado, longe da aldeia, onde o silêncio da noite a envolveu. Sentou-se no chão, abraçando os joelhos contra o peito, os soluços tomando conta de seu corpo. Lágrimas continuaram a escorrer, mas agora, em seu coração, não havia mais alívio. Só o peso da culpa e o temor de que, depois de tudo, ninguém mais fosse capaz de olhar para ela da mesma forma.

Enquanto as estrelas brilhavam silenciosamente no céu, Sakura ficou ali, perdida em seus próprios pensamentos, esperando que o tempo trouxesse algum tipo de cura, mas sabendo, no fundo, que o caminho à frente seria longo e solitário.

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