A CHUVA TRAZ

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P.O.V'S ANTÔNIELLA ARAÚJO

-Você precisa voltar logo. Sabe disso, não é? - Disse Lupin pela primeira vez, enquanto ainda me abraçava depois de tudo que o contei, o porém é que eu já havia parado de chorar. Agora apenas tinha a sensação de vazio que sempre vem quando se chora muito.

O sonho ainda estava na minha cabeça. Repetindo milhares de vezes como se fosse um filme com replay infinito.

-Eu vou... apenas não agora. - Minha voz soava rouca e áspera. Até doía um pouco falar.

-Você não pode ficar adiando isso, Antôniella. Só vai fazer sua ansiedade aumentar. Não pense muito, apenas faça. Se pensar demais sempre vai encontrar algo em que se agarrar para não fazer as coisas.

Sai de seu abraço, me sentei um pouco mais reta naquele chão coberto apenas pelo saco de dormir, e o encarei quase pedindo socorro.

-Eu não quero... - Não conseguia completar a frase, então ele a pegou no ar.

- Eu sei. Você não quer vê-lo. Eu sei disso. - Ele me olhava compreensivo. - Mas um dia você vai ter que fazer isso. Porque não agora? Apenas faça. Talvez vocês se resolvam.

-Não sei se isso é possível Remo. As coisas que ele falou. E eu sei o que você vai dizer: "Ele estava com raiva. Não leve aquilo a sério ou em consideração". Mas não dá. Entende? E não vou ser hipócrita. Sei que eu disse coisas duras também. Mas as coisas que ele me disse, no tom que disse, não sei se sou capaz de perdoar isso. Conheço meu próprio rancor.

-Claro que entendo. E eu não ia falar nada disso. Ele está errado, isso não está em discussão. Foi uma atitude infantil, grosseira e péssima da parte dele. Mas não estou me referindo a ele.

-E a quem você está? - Digo confusa.

- A você. Pretende parar a sua vida inteira por causa do que um homem disse sobre a sua vida? Parar os seus estudos, perder aulas, deixar de ver Harry, que pelo o que você me disse é alguém muito especial pra você? Não é sobre o Snape, Antôniella, é sobre você.

-Você está sugerindo que eu o ignore? Tudo bem que era o que eu pretendia fazer, mas sejamos lógicos aqui, ele é meu professor, isso não é uma opção.

-Só estou dizendo: Viva a sua vida. Quer se curar das coisas que ele disse? Quer se sentir melhor? Faça isso em Hogwarts, perto das pessoas que gosta, estudando e seguindo a sua vida. Eu sei que você é capaz de lidar com Snape como achar melhor. - Lupin era realmente um anjo.

-Mas e você? Como vai ficar? Ainda não está totalmente bom. - Digo apreensiva e ele me olhou com um carinho doce nos olhos.

-Eu estou bem. Você fez o seu melhor. Eu sou um adulto e tenho licantropia a muito tempo, eu sei me cuidar. - Ele sorriu - E você sabe, assim como eu sei, que isso era só uma desculpa pra não voltar à Hogwarts. Algo que te fazia adiar a sua volta. Mas olha pra mim, eu estou bem. - Ele abriu os braços para se mostrar e comprovar seu ponto.

Ele se aproximou, pegou meu rosto entre suas mãos e olhou nos meus olhos.

-Em três dias você me mostrou que é uma das pessoas mais fortes e preparadas que eu já tive o prazer e a honra de conhecer, Antôniella. Você pode e vai enfrentar isso. - Os cantos de seus lábios se ergueram de maneira sutil. O tipo de sorriso que faz pessoas se derreterem um pouco. - Olha pelas coisas que você já passou. As coisas que me contou. Você pode fazer o que desejar nesse mundo, então certamente pode lidar com alguém que te disse meia duzia de palavras desinformadas na hora da raiva.

Apoiei minhas mãos nas suas que ainda estavam no meu rosto e dei um leve sorriso de apreciação enquanto minha cabeça se inclinava um pouco pro lado.

Uma Brasileira em HogwartsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora