Eu não sei quanto tempo durou o percurso até o hospital. Foi uma eternidade de angústia, mas ao mesmo tempo passou rápido como um trem.
Harry dirigiu rápido o suficiente para que as folhas das árvores, durante o caminho, passassem como flashes pelas minhas vistas. Anna foi no carro dela e disse que nos encontraria lá.
Meus olhos fitavam meu pai, apesar dele tentar enganar a sua condição, é visível o sofrimento em seus olhos. Olhar ele assim, fraco, frágil, dolorido, só fez com que as lágrimas em meus olhos escorressem num ritmo apressado.
- Eu vou pegar um cartão de estacionamento, encontro vocês lá dentro, certo? - Harry disse com a voz pesada e, eu e a mamãe levamos o meu pai até a entrada daquele maldito hospital.
Apoiamos Peter e seguimos com ele na maior velocidade que conseguimos e ao entrarmos, uma equipe de enfermeiros vieram em questão de segundos para levar ele.
O que um bom plano de saúde não faz, não é?
Fico feliz por ter conseguido ajudar nas despesas da casa, isso me faz sentir útil.
- Papai - segurei sua mão antes dele entrar pela porta, minha voz estava embargada, meus olhos marejados. Mas tentei maquiar meu medo - Eu te amo - beijei sua mão e, involuntariamente, uma lágrima escorreu dos meus olhos.
- Você vai ficar bem, eu prometo - meu pai pronunciou as palavras com dificuldade, mas deu um sorriso.
Eu vou ficar bem? Eu não quero ficar bem, eu quero que ele fique bem. Por que ele não prometeu que ficaria bem?
- Carolina, fique aqui e espere o Harry, vou acompanhar seu pai - minha mãe disse tentando parecer calma.
Apenas tentando.
- Eu não posso ir também? - perguntei e ela balançou a cabeça.
- Eu só vou poder entrar porque sou enfermeira - ela ajeitou uma mecha alaranjada do seu cabelo ruivo.
Minha mãe entrou logo atrás deles naquela porta grande. Eu sentei em um dos banquinhos da recepção e desabei.
- Eu não vou ficar bem, pai, eu só vou ficar bem se você ficar bem - murmurei para mim mesma e alisei o colar de estrelinhas, com um pingente de saturno que o meu pai me deu.
As lágrimas escorreram dos meus olhos sem que eu nem tentasse contê-las.
- Lina - eu vi a imagem da Anna atravessar a porta de entrada. Ela estava num estado péssimo, seus olhos vermelhos e sua voz também tensa.
Que dia péssimo. Eu não posso consolar minha amiga com eficiência, nem ela a mim e também não posso ajudar o Harry. Chegamos em um estado em que cada um precisa focar no seu próprio caos internos.
Anna pensou por uma fração de segundos em alguma palavra de consolo, pois sua boca abriu por um tempo, mas ela desistiu e apenas me abraçou. Ela me abraçou tão forte como se nossos corpos estivessem coexistindo em um mesmo lugar no espaço.
O abraço não era um consolo apenas para mim, era como uma troca simultânea de apoio. Nós duas precisávamos daquilo.
Então eu e Anna começamos a chorar, sem nos preocupar em esconder nada uma da outra, não precisamos disso. Eu conheço a Anna como a palma da minha mão, ela conhece a mim também, o suficiente para saber que nossos mundos estavam perto de desmoronar.
- Desculpa, Lina, eu queria poder ser uma amiga melhor nesse momento, mas eu não estou conseguindo pensar em absolutamente nada - sua voz abafou em meu cabelo.
- Não se preocupe com isso, JJ, eu também não posso sou capaz de oferecer o apoio que você precisa nesse momento - alisei suas costas.
Nós ficamos ali, no nosso mundo particular, onde o abraço amigo trazia o conforto momentâneo do qual precisávamos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Agora Você Me Conhece ||H.S||
FanfictionA vida de Carolina Bee muda a partir do momento que ela aceita ser a namorada de mentirinha do ator cuja carreira entra em colapso devido à imagem arrasada por seus vícios e constantes brigas. Seria Harry Styles apenas um rostinho bonito pousando p...
