4. One Call Away

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Minha mãe estava experimentando o seu vestido remendado que eu ainda arranjei forças para buscar depois de tudo o que ocorreu. Ela olhava cada detalhe dele e como ficava em seu corpo, dava algumas voltas em frente ao grande espelho do corredor entre a sala e a cozinha.

Aquele vestido realçava a cor dos seus cabelos ruivos, quase que alaranjados que misturados aos fios castanhos do meu pai deram origem ao meu cabelo castanho avermelhado. Eu particularmente não gosto muito dessa transição, preferia castanho ou ruivo.

Em algum momento que ela observava o espelho, percebi seus olhares se direcionarem a mim que estava logo atrás, olhando seu reflexo.

— O que aconteceu, filha? Por que seus olhinhos não estão com o mesmo brilho de hoje mais cedo? – ela questionou e, de fato, eu estava visivelmente triste pelo que aconteceu na coletiva de imprensa. Styles foi um babaca comigo.

— Ah, mamãe! São os mesmos problemas de sempre. Tenho dezenove anos e nenhum emprego. Estava pensando em ir à uma editora e tentar publicar um livro com meus poemas, mas não acho que eles aceitariam – achei melhor omitir por enquanto toda aquela cena de ontem, ninguém precisa saber.

— Mas querida, você é tão talentosa, se não conseguir com a primeira, precisa continuar tentando. Você tem um potencial gigante que não consegue olhar a imensidão dele com seus olhos – ela colocou uma mecha castanha do meu cabelo atrás da minha orelha.

— Senhora Lauren Bee, já disse que amo nossas conversas? Eu te amo muito – abracei-a de modo que seus cabelos curtos e vermelhos cobrissem minha testa, porque sou um pouco menor que ela.

— Eu também te amo muito e eu ainda vou na estreia do seu livro. Todos vão saber quem é Carolina Bee, a garota mais incrível que já conheci – ela disse enquanto colocava o vestido no quarto e voltava para o seus afazeres na cozinha — Mas se for na editora, vai logo, porque à noite teremos um jantar na casa dos Campbell – completou.

— Fala sério?! – enruguei a testa.

Tomei um banho rápido e coloquei uma calça jeans cintura alta, com uma blusa clássica azul escura, para passar a impressão de que sou uma pessoa séria e chique.

— Mamãe, estou indo, me deseje sorte – beijei sua mão macia.

— Boa sorte, filha. Mas lembre-se: Caso não consiga com essa, é porque não era pra ser o momento, e o destino está reservando algo muito melhor e mais grandioso para você no futuro. A vida é assim, perdemos algo agora, para ganhar outra coisa melhor depois.

— Tem toda razão. Às vezes queria enxergar o mundo sob suas sábias perspectivas – comentei.

Peguei minha bicicleta e sai pedalando por aquela estrada com várias árvores cobertas com alguns flocos de neve. O Inverno já estava no fim, por isso, quase não nevava e chovia mais.

Parei um pouco longe da editora, porque não queria passar uma má impressão para eles, chegando com meu maduro automóvel rosa chiclete.

Assim que entrei, senti o ar-condicionado do local esfriar meu corpo e causar um pequeno calafrio que a essa altura, não sabia se era medo ou frio realmente.

— Boa tarde! Gostaria de falar com o gerente do estabelecimento – disse ao moço que estava no balcão.

— Aguarde um instante que vou perguntar se ele pode te atender – falou colocando o telefone em sua orelha. Olhando bem, ele é bem bonito, seus cabelos longos e pretos em cima do ombro combinam perfeitamente com a cor caramelo dos seus olhos. Não aparenta ter mais de vinte e quatro anos.

— Ele está aguardando a senhorita – falou apontando para a porta que ficava ali perto e indicando que eu deveria adentrá-la.

— Muito obrigada – minha boca curvou em um leve sorriso grato.

Agora Você Me Conhece ||H.S||Histórias para pegar e não largar. Descubra agora