[ jɑden hossler ]
O ar do tribunal tinha cheiro de papel velho e mentiras polidas. Eu sentia o colarinho da camisa social apertar meu pescoço como uma corda de enforcamento. Um dia acontece, um dia que você está em um lugar e se dá conta que você não quer ser ninguém dos que estão a sua volta.
Não quer ser um safado de quem você quebrou a cara.
Cada palavra do juiz era um ruído, um zumbido distante que não conseguia abafar o som que realmente ecoava na minha mente, o estalo do punho contra o osso.
Houve um tempo em que eu era o orgulho da casa. O filho que trazia notas boas, o garoto de ouro dos meus pais. Eu amava aquela estrutura, até descobrir que ela era feita de vidro podre.
Algumas vezes você nem quer ser você mesmo, só quer sair correndo...
O dia em que cheguei mais cedo em casa não foi apenas o fim da minha inocência, foi o batismo do meu verdadeiro eu. Ver minha mãe o pilar da minha moralidade nos braços daquele estranho, na cama que pertencia ao meu pai, quebrou algo que não tinha conserto.
Eu não apenas bati nele. Eu tentei apagar a existência dele. Naquele momento, enquanto o sangue respingava no lençol branco, eu senti algo despertar. Eram demônios que eu nem sabia que existiam, uma fúria ancestral que transformou minhas mãos em armas.
— Caso encerrado.— a voz do juiz finalmente penetrou o transe. Liberdade condicional. Uma palmada na mão para quem teve a vida destruída por dentro.
Olhei ao redor e a náusea subiu pela garganta. Eu não queria ser o advogado de porta de cadeia, não queria ser o juiz hipócrita e, porra, eu certamente não queria ser o desgraçado que eu deixei desfigurado no hospital.
Algumas vezes, você nem quer ser você mesmo. Você só quer desintegrar e virar fumaça.
Saí daquele lugar infernal a passos largos, ignorando os olhares de julgamento. Cada degrau da escada do tribunal parecia um quilômetro a menos de uma vida que eu não reconhecia mais.
No momento em que atravessei a porta giratória, a primeira coisa que fiz foi arrancar o paletó. Aquele tecido caro era uma fantasia de um Jaden que morreu naquela tarde de traição.
Joguei a gravata no lixo e vesti minha jaqueta de couro, sentindo o peso familiar e protetor.
Montei na minha moto, o único lugar onde o mundo faz sentido. Desde que saí de casa e fui morar com meu irmão mais velho, o silêncio se tornou meu melhor amigo. Ele entende que eu nunca mais serei o mesmo. Ele viu o brilho nos meus olhos apagar e ser substituído por uma frieza que nem o sol da Califórnia consegue esquentar.
Girei a chave. O ronco do motor abafou meus pensamentos. Eu não estava apenas indo embora, eu estava fugindo do fantasma do bom filho que o mundo ainda esperava que eu fosse.
A estrada estava aberta, mas o destino era o de sempre, qualquer lugar onde eu não precisasse fingir que não estava quebrado.
[S/n Miller pov ]
O despertador tocou às 6h30, mas eu já estava acordada. No meu mundo, a imagem é a primeira coisa que chega aos lugares antes de você. Arrumei minha mochila, conferindo cada caderno e estojo. Havia uma energia estranha correndo sob minha pele hoje uma mistura de ansiedade escolar e a expectativa de ver Addison.
Ou talvez fosse apenas o pressentimento de que a rotina estava prestes a quebrar.
— Vamos logo, S/n!— A voz de Avani ecoou do corredor. Minha irmã, sempre apressada, sempre vibrante.
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✓ 𝐒𝐎𝐔 𝐋𝐎𝐔𝐂𝐎 𝐏𝐎𝐑 𝐕𝐎𝐂𝐄┊ʲᵃᵈᵉⁿ ʰᵒˢˢˡᵉʳ
Roman d'amour[EM REVISÃO] Dois jovens de mundos completɑmente diferentes se ɑpɑixonɑm descobrem o primeiro grɑnde ɑmor. S/n é ɑ gɑrotɑ dɑ clɑsse médiɑ ɑltɑ, bondosɑ e inocente, que despertɑ o interesse de Jɑden, o gɑroto impulsivo e rebelde, que pɑrece ter imα̃...
