Na biblioteca, encontro um livro sobre remédios e poções. Há uma receita de um gel que alivia a dor de machucados graves, e não parece ser tão difícil de fazer. O único problema dela é um dos ingredientes, que só tem no outro lado de Velaris, quase saindo da cidade. Espero que tenha cavalos nos estábulos.
Os cavalos daqui são muito grandes para montar sem apoio. Quase caio, mas consigo subir em uma bela água de pelagem dourada, Kaya. Sempre que preciso sair de casa, vou com ela. Ela é um pouco menor do que os outros cavalos, e não corre tão rápido e nem é tão forte quanto eles. Kaya também é deixada de lado apenas por não ser tão boa quanto os outros. Arrisco dizer que ela é minha melhor amiga.
Não sei como, mas consigo mudar a cor dos meus olhos de violeta para castanho quase preto. Sem os olhos roxos e usando calça e túnica simples, sem nenhuma jóia à vista, ninguém percebe que sou a filha do Grão-Senhor. Isso é bom.
Cavalgo até a pequena feira de ervas lentamente, apreciando o dia. Está frio, mas o sol brilha no céu pontilhado de nuvens fofinhas. Se eu tivesse o dom de pintar como minha mãe, sempre pintaria o céu. Gosto de cavalgar pela simples sensação de sentir o vento soprando e de me locomover sem sentir tanta dor.
A feira é menor do que eu imaginava. Não tem como eu entrar com Kaya nela. Merda. Amarro a égua o mais próximo possível da entrada e vou até a barraca que vende o que eu preciso. Estou terminando de pagar quando ouço relinchos altos e furiosos. Kaya.
Me viro para a entrada, onde ela deveria estar. Alguém cortou suas rédeas e a assustou. Agora, Kaya não passa de uma mancha dourada ao longe, sem chance de voltar.
Resmungo tantos palavras que o vendedor me olha assustado. Pego minhas compras e saio da feira o mais rápido possível. Quero voltar para casa, quero voltar para a biblioteca. Só agora reparo em como aquele espaco é aberto, tão grande. Minha respiração acelera.
Talvez eu consiga alugar um cavalo. É, é isso que vou fazer. Alugar um cavalo, voltar para casa e tudo ficará bem.
— Senhor — me aproximo de um rapaz que caminha tranquilamente pelas ruas, guiando um cavalo logo atrás de si.
Ele se vira para mim e... É Jesse, minha paixonite de cinco anos atrás. Não nos falamos desde que arremessei uma faca nele.
A beleza dele só aumentou. Os cabelos pretos formaram ondas sedosas, e os olhos azuis são do mesmo tom que o céu. Quando eu tinha 9 anos, ele tinha 16, mas agora, eu tenho 16, e ele 21.
— Calen? — sua expressão muda na hora, ficando em estado de alerta. — O que quer aqui?
— Acho que preciso te pedir desculpas — digo, envergonhada. — E também preciso de um cavalo para chegar até em casa.
— Por que não vai andando? Sua casa não fica nem a 4 quilômetros daqui.
Ele não sabe sobre a perna. E eu não quero contar.
— Machucei a perna durante o treinamento, estou com o pé torcido — minto. — Vim até aqui com a minha égua, mas roubaram ela.
Primeiro, ele parece prestes a negar, mas então assente e me ajuda a montar no cavalo, sentando-se atrás de mim logo em seguida. Meus sentimentos por Jesse são assim: se eu não me lembro dele, não gosto dele, mas assim que me lembro de sua existência, passo a gostar dele de novo. Estou gostando dele agora.
— Você estava junto quando roubaram a sua égua? Alguém machucou você? — pergunta ele, sua voz fazendo cócegas no meu pescoço.
— Não, não me machuquei. Eu estava na feira quando roubaram ela.
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Noite Sombria e Perversa
FanfictionAnos após a Guerra, cada membro do Círculo Íntimo já tem a própria família, mas, diferente dos pais, os filhos não se dão tão bem uns com os outros. Calen e Rohan são o maior exemplo disso. A filha de Rhys e Feyre odeia o filho de Nestha e Cassian d...
