⚠Atenção . Esta história contém cenas de sexo e violência, o que não são indicadas para menores de 18 anos🔞. Não é permitido nenhum tipo de plágio. Não se esqueçam de votar, comentar e partilhar!
Boa leitura.♤♤♤
Quando aperto o avental em minha cintura, sinto uma leve mudança na sua circunferência, me expondo que eu subi peso nas últimas semanas. Já consigo detetar uma prega cutânea bem em baixo de meus seios, já firmando um pouco da minha felicidade desde da morte do meu pai há quase duas semanas. Voltei a comer e a dormir mais. Já não tenho sonhos. Pelo menos desde que vi Harry no campus de boxe.
A menina com quem eu troco o turno para em minha frente e solta um lamento de cansaço enquanto toca em meu braço com a sua usual gentileza. Seus olhos estão vermelhos, a face pálida e ela começa a roer uma unha antes de falar. A pele parece tão seca quanto a de um coco e preocupo-me.
— Olha que tem um cliente chato querendo ser atendido. E sabes, já estou fora— ela torce os olhos com uma expressão teatral e sorrio ainda pouco convencida. — Bom trabalho, querida.
— Obrigada — ela desaparece em direção à estrada em passos rápidos e nervosos antes que eu termine de recompor-me, enfio a bandeja debaixo do braço caminhando para a única mesa ocupada depois do almoço. O dia começou lento demais, com as coisas na Universidade, o trabalho de grupo que organizamos para este fim-de-semana e o Harry. Mais um dia querendo ocupar uma parte de meus pensamentos como seu verdadeiro anfitrião, ainda mais depois de tantos beijos tão bons que pudemos trocar. Ele sempre começa com provocação e eu choro por mais. Mas por um lado é muito bom que eu ainda não o tenha visto durante o dia. Acordei pelas 7 da manhã num dos quartos da sua casa, encarando por minutos o tempo na rua que denunciava um início da manhã triste e deprimente para além dos portões de sua casa. Ele já não estava em casa havia muito.
Estabilizo a ponta do pequeno caderno velho de notas que recebi na outra semana e aproximo de uma das mesas separando o resto do dia em minha cabeça. Enfim, não impeço-me de sentir uma súbita pressão e estremecimento quase me fazendo soltar a bandeja quando um jovem de cabelos escuros cruza as mãos e me encara com um sorriso de orelha a orelha.
— Bom também te ver— Max escorrega uma mão na lateral da mesa e recuo um passo para evitar ser tocada. Um erro estar perto demais. Seus olhos manifestam uma camada fina de emoções que ele sempre verbalizou quando grudava-se a mim no apartamento sem oferecer chance de corrermos para o quarto. — Até pensei que não trabalharias agora aqui. Mesmo depois de teres recebido a herança gorda do teu pai.
Há diversos anos que trabalho no controlo de minhas expressões e emoções, como se fosse tão pouco convincente quanto doar um órgão e balanço a cabeça com o Max olhando para mim. As conversas com as meninas talvez tenha sido bastante agradável. Ele deveria passar mais tempo com a Maya, a energia deles é tão semelhante que os atrai. Olho para além de umas mesas vazias, para o balcão torto do pequeno bar, para a imparcialidade que está ali, como um defeito tão notável quanto estar a ouvir o Max. Que sugara tudo de mim durante dois anos inteiros. O rapaz lindo que eu conheci na cozinha do apartamento mostrara-se ser um marginal nos primeiros segundos que trocamos sorrisos, e mesmo assim permiti-me anexar a ele e dividir meses de pavor. Eu precisava do calor da maldade dele. Estranho pensar nisso, mas ele parecia doar aquilo que eu já tinha. A ruína. Saí da relação sem a noção exata de como era viver de novo sozinha. Viro a cabeça quando ouço um ruído. Ele segura o porta-guardanapos e cutuca-a contra a mesa de madeira. Os furinhos que estão ali são de promessas anteriores. Não sou a primeira funcionária que recebe o ex-namorado no plantão.
— Então, o que vais querer? — Pergunto segundos depois posicionando a caneta e conservando uma expressividade firme e séria, sem dá-lo oportunidade para as suas brincadeiras. Ele parecia preparado para uma de mau gosto.
— Eu não vou viajar, Jane — Ele abaixa os olhos e esfrega um dedo polegar no outro e uma boa madeixa de seu cabelo desliza pela testa cobrindo um olho. — Fora ideia de meu pai. Ele quer que eu vá viver com o meu irmão. Tu o conheces, sabes o quanto ele é exigente. Acaba por esquecer que eu já tenho 25 anos.
Ficamos em silêncio, ele esperando por uma resposta empática minha e eu esperando por um grande pedido de desculpas que compensasse ao menos 20 meses sem verdadeiro sono ao seu lado. Ou pelo menos que ele pedisse algo rápido que permitisse consumir fora da lanchonete.
— Fazes o que tu quiseres, Max.
Ele eleva a cabeça e seus lábios rasgam-se em um sorriso retorcido. Óbvio que ele ficara satisfeito já obtendo uma parte de minha atenção.
— Caramba, como eu tenho saudades tuas, minha negrinha — ele liberta um falso suspiro e sinto um embrulho no estômago com o seu olhar intenso, aquele que uma vez eu achara tão atraente. — Já cortaste o cabelo de novo. Nem deixas que ele te atinja os ombros.
— Pede logo o que queres, Max.
Ele estende os braços ao seu lado e faz uma pose dramática, já conhecendo sua atitude de provocação.
— Estou aqui a pedir. Mais logo comigo.
Termino antes que ele continue.
— Eu não quero nada contigo, Max. Se não vais pedir nada, eu troco com a minha colega ou simplesmente... — Bloqueio-me de uma vez assustada, nem sei explicar se é por causa da rapidez em levantar e arrastar a cadeira dolorosamente para trás ou se é por causa daquele olhar medonho que ele anuncia quando está a ficar fora de si. Dou uns passos atrás para minha própria segurança e os braços cruzados, como se protegesse meu peito. Aquele sorriso está lá de novo. Ele sabe de mim. Sabe de meu grande problema que trabalho para esconder. Da minha dificuldade em dormir. Ele sabe muito de mim. E sou fraca para ele.
— Não sei. Tem algo aqui que eu não estou a aderir bem. Pareces fria demais comigo. Olha para ti — ele aponta o dedo indicador em riste e faz uma careta com os olhos brilhando maliciosamente por baixo dos cílios escuros — Eu sinto uma postura arrogante cheirando-me no ar... não sei, alguém aqui está a sentir-se mais grandiosa do que é. Porra. Sejamos um pouquinho sinceros. Não é nada que eu não tenha pronunciado. Como tu podes definir isso? Tu nunca foste nada, Jane.
Eu engulo em seco de forma a deixar passar a vibração em meu peito e ele continua com seu insulto bastante frio e venenoso.
— Toda a gente te abandona. Simples assim. Vieste parar em uma cidade que nem conhecias atrás de um pai que mal te lembravas. E ainda vens para cima de mim com essa atitude de putinha?
Sinto a garganta apertar como se uma mão invisível o tentasse esmagar, não consigo engolir a saliva e meus dedos deslizam húmidos sobre o papel do bloquinho. Ele aproxima-se rápido de mim e não recuo desta vez, paralisada em meu próprio medo. Mantenho a atenção em seu peito e sinto sua mão enroscar em minha nuca e apertar levemente os cabelos. Estremeço toda quando sinto a sua voz em meu ouvido. Sinto -me ainda entorpecida pelo veneno dele.
— Nunca mais tenhas esse tipo de atitude a minha frente como se fosses a dona de tudo. Sabes exatamente que és uma garota carente que ninguém quer.
Que ninguém quer
Seus dedos roçam levemente a pele nua de meu antebraço e meu corpo responde com um arrepio.
— Eu não vou fazer-te mal— ele responde calmo e desprovido de todo o veneno de antes, como se nada tivesse sido dito no bar. Como se ele fosse substituído por outra pessoa.
— Jane? — Max me solta e volto a cabeça em direção à senhora Miggie, dona da lanchonete, que está acompanhada por um rapaz mais jovem que eu a alguns metros de nós. — Não vais atender o jovem aí?
Nem tenho tempo de responder que Max afasta-se em silêncio em direção à estrada e meu olhar continua perdido entre a conversa entretida da minha patroa com o seu filho. Pois, é disto que eu vivi durante os últimos tempos da minha vida e nunca denunciei. Também nunca disse que era exatamente infeliz. O que alguém como eu teria para reclamar?
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Love &Honey - Harry Styles
FanfictionQuando Jane perde seu pai, procura pela herança que ele a deixa com Harry, seu chefe e dono da Lux, o maior clube de sexo da cidade. O que Jane nunca esperou foi que Harry ficasse tão determinado em tê- la e acabariam por se envolver fazendo com q...