24. mapas, parte 2: linhas opostas que se cruzam.

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25 de dezembro de 2011

Jungkook estava diante de um luto, e mesmo assim a única coisa que Taehyung conseguia falar era dos seus inúmeros problemas. Ele suspirava aborrecido apertando o buque de flores azuis que segurava junto ao pequeno cd que gravara para o mesmo na outra mão.

Ultimamente aqueles mesmos pensamentos invadiam a sua cabeça sempre que enviava mais uma carta para Jungkook: eu deveria ter dado um conselho melhor; talvez lhe perguntar sobre tal assunto, pois talvez ele queira se aprofundar mais sobre; eu deveria comentar mais sobre ele, sobre sua realidade e não só a minha...

Deveria, deveria e deveria...

Taehyung sentia que deveria fazer várias coisas em relação ao outro, mas sempre ao estar diante às canetas e ao papel tudo surgia no calor do momento. Há nervosismo e ansiedade, como se estivesse frente à frente dele, sobre os olhinhos redondos e o sorriso doce e tímido. Era estranho o medo que sentia de ser incompreendido ou de não passar aquilo que realmente queria em cada palavra escrita, era estranho como parecia ser tão difícil mostrar o que sentia para Jungkook agora, mesmo que, teoricamente, aquela seria a maneira mais fácil para tal.

A mente do garoto, agora loiro, borbulhava em inseguranças enquanto suas costas descansavam na mesma parede pixada naquela noite em que se viram pela primeira vez, com o enorme coelho animado segurando o balão de biscoito do tamanho do planeta terra.

Eles não haviam combinado um local exato para se encontrarem no Natal, Taehyung temia que Jungkook tivesse ido naquele mesmo lugar durante a véspera, pois fora impossível para ele deixar a sua irmã sozinha num feriado antes tão comemorado pela família.

Ele não queria deixá-la sozinha, pelo menos não mais.

O seu namorado não tinha ido até a casa deles no dia anterior, o que Taehyung estranhou de inicio, ainda mais com a resposta seca da caçula após perguntar sobre isso à ela.

– só achamos que seria melhor cada um passar o natal com a sua família.

– mas ele sempre fez questão de estragar os nossos momentos em família... Qual seria o problema de estragar mais um? – ele arrisca a brincadeira sorrindo bobo para a menor, que apenas o encara seriamente, fazendo-o se arrepender amargamente em seguida – tudo bem, tudo bem... Não está mais aqui quem falou...

– e você? Não vai sair de casa pra pixar paredes ou ver aqueles doidos dos seus amigos?

Taehyung pode sentir um pouco de falsa maldade no tom da irmã, mas a única coisa que conseguiu fazer em resposta foi rir do possível ciúme e acenar negativamente a cabeça.

– não... eu prefiro ficar aqui com você.

A careta feita pela menor fez o loiro gargalhar. Ela realmente ainda parecia ser só uma criança.

– quem é você e o que fez com o meu pirralho?

– agora eu sou o seu pirralho?

– argh, não enche. – Mandy se afasta do bebedouro da cozinha e o mais velho a segue.

– é sério, Mandy... eu quero voltar a ser como antes...

– e com esse "ser como antes" você tá querendo dizer o que? – ambos param frente a frente no meio do caminho que os levavam à sala de estar vazia. Taehyung permanece em silêncio, pois não sabe como responder corretamente aquela pergunta.

Ele queria se aproximar dela, de alguma forma voltar a ser próximo do seu pai... Ele queria a antiga realidade feliz de volta.

– Tae... – Mandy chama, como se pudesse ler os pensamentos do mais velho. Os olhos dele decaíram sobre algum ponto aleatório do cômodo, e as mãos da mais nova em seu rosto o fazem olhá-la nos olhos. – você quer conversar?

dear friend; taekook.Onde histórias criam vida. Descubra agora