TAEHYUNG
Aquela sala de hospital e os corredores esbranquiçados com linhas azuis passaram a ser como um segundo lar por incrível que pareça, daqueles que você sabe que é temporário, mas que de qualquer forma te faz ter certo apresso por ele quando essa parte temporária passa.
Os meninos vinham me ver todos os dias, as vezes mais de uma vez, e quanto mais o machucado em minha cabeça sarava, mais Hoseok parecia ansioso para o tratamento que poderia ajudá-lo a ter o movimento das pernas de volta, e foi em uma tarde frienta e nublada que o mesmo surgiu na minha visão com cabelos loiros e de muletas. Namjoon e Jimin estavam dispostos em cada lado seu, mas ele aparentava conseguir ter um certo controle do que fazia.
- o que achou?
- é bem estiloso, atual - rimos, ele parecia feliz. Fazia tempos que não via aquele brilho passando pelos seus olhos, seu olhar parecia mais elevado do que antes, quando não gostava de encarar ninguém. As muletas estavam lotadas de adesivos coloridos, era bem a sua cara.
- eu que ajudei a enfeitar - Jimin se aproxima da poltrona em que o recém loiro está sentado. Percebo que o seu rosto estava vermelho e meio inchado.
- o que aconteceu? - ele me olha e dá de ombros, o sorriso pequeno nos lábios era de longe o menos convincente que eu conhecia.
- eles terminaram - é Namjoon quem diz, se afastando da porta da sala e ficando próximo de nós.
- faz 3 dias.
- mas por quê? - me ergo da maca, olhando para o menor como se ele fosse a tal garota dona de todo o meu sentimento mais próximo de ódio naquele momento - o que ela fez pra você?
- nada, ué - ele ri, mais de mim do que da situação - ela só pensou melhor, seria muita loucura ficar em outro país por causa de um desconhecido...
- se o desconhecido fosse você, eu ficaria - Hobi afirma e nós dois balançamos a cabeça em concordância, Jimin parecia não acreditar.
- e ela fez isso do nada?
- tem pessoas que vem e vão assim, Tete. Talvez eu a machucasse sem querer também.
O olhar de Jimin era baixo, ouvir aquilo de si depois de tantas melhoras me fez encarar os meninos e percebo que os mesmos estão surpresos assim como eu. O menor estava inquieto, as mãos iam para os bolsos do jeans e depois saíam, iam para as pernas que não ficavam paradas no chão, e os olhos se perdiam em pontos aleatórios e nenhum desses eram nós três.
- foi um comentário meio bosta, desculpa.
Namjoon põe uma mão sua no ombro alheio e todos nós olhamos apenas para ele.
- você disse que estava melhor sobre tudo isso, eu estou melhor - disse Hoseok - ... mas não vou ficar se você não estiver.
- eu tô bem... - dava pra sentir que ele queria chorar, e ele fazia isso poucas vezes na nossa frente - só preciso tomar um pouco de ar.
- vamos juntos - digo antes que o mais novo se vire para sair.
- mas a doutora te deixaria sair?
- não é ela que faz as regras aqui - nenhum dos meninos parece concordar com isso para o meu azar, mas eu apenas me levanto da maca com Namjoon e Jimin vindo até mim como se fosse cair que nem manteiga no chão se fizesse isso sozinho - pelo amor de deus, eu tô bem pra caralho!
- se estivesse não estaria numa sala médica - Namjoon retruca segurando meu braço de leve, era fofo e engraçado aquele cuidado todo comigo.
- só estou aqui por precaução, e essa precaução já faz quase um mês. Será se podemos ir agora ou vão esperar alguém aparecer pra nos impedir?
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dear friend; taekook.
Teen Fiction[EM ANDAMENTO] O que você faria se, sem mais nem menos, cartas de um desconhecido começassem a aparecer na sua caixinha do correio? Iria se sentir dentro de As vantagens de Ser Invisível ou em algum romance clichê escrito por John Green? Bom, Taehy...
