A verdade é que todo mundo vai te machucar. Você apenas tem que encontrar aqueles pelos quais vale a pena sofrer.
-Bob Marley.
"Esclarecer as coisas", é aquele tipo de frase que me faria correr ou arranjar uma boa desculpa para escapar, porém não em todas as vezes, eu permaneceria em muito poucas ocasiões, para ser exata duas. A primeira eu estaria bêbada demais para fugir dessa explicação, ou infeliz demais para achar que poderia ser uma boa ideia. Nesse raro caso minha rota de fuga estava bloqueada.
- É essa parte do roteiro na qual você começa a esclarecer. Seja lá o que você acredita que precisa esclarecer.
Liam não era aquele tipo de pessoa que facilmente ficava sem ter nada a dizer, ele era simples e exato, e muitas vezes irritante por ser assim. Entretanto naquele momento, sua boca abria e fechava como se escolhesse cuidadosamente as palavras que fariam sentido.
- Nós. - Pairou e respirou. - Eu e Janny começamos a namorar na mesma época que você e o ... - Ele parecia incapaz de dizer.
- Jorge? - Arrisquei.
- Sim, o jorge. - Sua mão se fechou, e estufou o peito como se estivesse preparado para ser atacado. - Sim! Eu fiz isso por que eu estava com raiva de você. Queria me impedir de pensar em você, mas não consigo, e ela não é tão ruim quanto parece, na verdade, Janny é perfeita. - Suas mãos não paravam de se mexer. Como se aquilo ajudasse suas explicações. - Quase não suporto isso.
- Por que está me contando? - Perguntei.
- Porque me lembro de cada humilhação publica que Janny fez contigo, e como saber que ela tinha algo seu lhe magoaria.
- "Algo meu"? - Repeti.
- Você sabe que sou seu! - Disse como quem nem se importava. - Sempre soube, exatamente do jeito que você é minha, ambos condenados. - Ele sorriu falando, como se houvesse escutado uma piada besta.
- Eu sei. - Confessei e me sentei ao seu lado. - A quanto tempo? - Interroguei.
- Que eu sou seu? - Ele abriu um enorme sorriso verdadeiro. - Uns oito anos.
- Quanto tempo você e Janny estão juntos? - Reformulei a pergunta para que ele entendesse sobre quais pessoas eu questionava.
- Um ano. - Sussurrou sem o sorriso.
- O ano em que evitamos um ao outro. - Raciocinei em voz alta.
- É. - Ele falou e colocou as chaves da porta que me prendia ali no meu colo. - Eu sei que me odeia, por causa daquele maldito dia de ano novo. - Falou com ar deprimido. - Mas a minha opinião daquele dia, não mudou.
- E provavelmente você vai estar certo. - Disse.
- Melhor apreciar essa frase, vai ser difícil Catherine Blanc repetir. - Falou em tom mais leve.
- E vai ser difícil Liam Müller Moraes, ouvi-lá de novo. - Retruquei ainda em tom leve.
Me levantei estava indo em direção a porta quando o Policial me girou. E me beijou, seus lábios brutos e macios, suas mãos indecisas, minha mente bagunçada. Seu cheiro de pólvora e seu gosto de menta. Ele me encostou na parede, e desencostou nossos lábios e me abraçou.
- Senti sua falta. - Sussurrou. Como uma pessoa poderia ser tão oposta á si mesma, do jeito que ele era? Em um dia me odeia, no outro sente a minha falta.
Ele sai pela porta, e eu deito em sua cama e tento dormir.
Comentários serão muito "Bem vindos".
-Lu
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8 Anos
Romanzi rosa / ChickLitTheri, aquela que estava tão perto de colocar a vida nos eixos, de esquecer completamente o passado e suas dores, de esquecer lembranças boas que traziam o gosto amargo do fim, de esquece-lo. E de finalmente ter uma vida tranquila, assistindo séries...
