Capítulo XIV

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ANNABETH

Hazel não conseguia parar de rir um único segundo enquanto eu contava a história para ela, de como tinha acontecido na cafeteria e ela disse que morria de inveja de Percy, que teve a oportunidade de ouvir tudo aquilo ao vivo.

Percy, o cara que saiu de casa as sete da manhã após ter um dia anterior extremamente exaustivo apenas para garantir que tudo iria ocorrer bem entre Luke e eu, era uma gentileza enorme e que eu não tinha certeza que merecia. Mas estava grata por isso.

O mais difícil agora é me livrar do sentimento de culpa, pois é, eu ainda conseguia me sentir culpada mesmo depois de todos os momentos que ele foi insensível, apático e um completo idiota, mas não é minha culpa, eu não sou culpada por nada. Acabou, realmente acabou, estou completamente livre dessas correntes, mas é difícil me livrar dessa culpa quando ela fez parte da minha vida por tanto tempo, é como retirar algemas e continuar sentindo o peso delas nos pulsos. Afasto uma mecha de meu cabelo e percebo que Hazel continuava achando o máximo tudo que eu havia falado e sinto um peso no estômago, olhando a felicidade da minha amiga agora, consigo ver também o quanto ela se importou comigo durante todo esse tempo, mesmo que fosse agressiva no modo de falar, eu tenho certeza que se eu pedisse, ela enterraria um corpo por mim.

Começo a chorar.

- Annie? - Piper chama e se inclina em minha direção, estávamos todas sentadas no tapete da sala. Eu, Piper, Hazel, Júniper e Thalia, todas vieram e eu nem havia precisado chamar de forma direta, haviam bebidas alcóolicas espalhadas na mesa de centro e uma torta de morango que já havia começado a ser consumida - cortesia de Luke. Piper beija minha cabeça e me puxa para um abraço apertado, Thalia se posiciona do outro lado e me abraça também, enquanto as outras duas me observavam de forma curiosa.

- Eu deveria ter escutado vocês mais cedo. - Soluço baixinho e fungo em seguida. - Vocês são as melhores amigas de todas, obrigada por não terem saído do meu lado.

- Awwnt. - Hazel faz beicinho e se inclina, nos abraçando também. - Desculpa por ter sido um saco as vezes, certo? Mas, deuses, obrigada por terem tirado aquele filhote de cruz credo da vida da minha amiga e da minha também consequentemente, não aguentava mais aquela cara feia.

Todas acabamos por rir do comentário de Hazel e eu passo minha mão por minha bochecha, sabendo que provavelmente estava um pouco corada agora e estendo o mindinho em direção a Hazel, que sorri satisfeita e enlaça o próprio mindinho ao meu.

- Eu amo você, Chase. - Hazel diz beijando minha bochecha e eu poderia morar no abraço das minhas amigas. - Bem como diria Júlio César... - Todas olhamos para Hazel sem entender onde ela queria chegar com aquilo. - Vim, vivi e venci, né?

- Na verdade... É "Vim, vi e venci". - corrijo apertando os meus lábios e ela revira os olhos de forma exagerada.

- Eu sei, mas eu modifiquei para se adaptar ao seu contexto sabichona. - Ela diz fingindo tédio e eu rio, apenas assentindo para sua adaptação e ela se levanta, pegando o próprio celular no bolso do moletom e conectando a caixa de som e coloca uma música da banda britânica Little Mix e me puxa para que eu me levante e comece a dançar com ela enquanto ela canta a letra. - Oh, I deleted all your pics, then blocked your number from my phone. (Eu deletei todas as suas fotos, depois bloqueei seu número do meu telefone). - Mais cedo, ela havia pegado meu celular por conta própria e me fez apertar o botão de "bloquear", para evitar transtornos em forma de ligações e mensagens, nunca pensei que uma ação tão simples fosse me deixar tão satisfeita, eu poderia dizer que foi quase mágico, como se eu estivesse carregando o céu nos ombros e de repente, alguém retirasse esse peso dos meus ombros.

De repente, tenho uma ideia que, deuses, poderia ser divertido.

- Ainda tem coisas do Luke aqui. - Comento parando de dançar e Hazel não demora meio segundo para ter os olhos brilhando de malícia.

- Vamos pegá-las. - Ela diz em tom risonho e chama Thalia para nos ajudar a pegar as coisas enquanto pedia para Piper e Júniper procurarem tesouras, isqueiros, tinta e tudo que pudesse ajudar a destruir coisas no apartamento. Uma onda de animação desconhecida me atinge e eu juro por tudo que poderia construir um prédio agora, entro no meu quarto e Hazel pega a cesta de roupas que eu deixava próxima a porta e deixa minhas roupas sujas do dia na cadeira em frente a minha escrivaninha e coloca a cesta na cama. - Pode jogar tudo aqui.

Acho o primeiro alvo, uma foto polaroid de quando viajamos para Paris no verão passado, pego a foto no meu criado mudo e deixo na cesta, em seguida, ando até o meu guarda-roupa e começo a pegar todas as camisas dele, moletons, pego umas três mudas de roupa que ele costuma deixar aqui, escova de dentes, pego também os presentes horrorosos que ele havia me dado, deixando as coisas de marca ali. Eu terminei com o Luke, não com a minha noção.

Coloco as fotos que vou achando pelo caminho e, por fim, coloco meu anel de compromisso, aquilo sim eu não me importava nem um pouco com o valor, queria ver no lixo. A onda de excitação só cresce dentro de mim e Hazel pega o cesto e o leva em direção, eu vou atrás da minha amiga quase dando pulinhos, quando chegamos, a primeira coisa que faço é me servir com uma dose de tequila e respirar fundo em seguida.

- Bem, acho que é hora de acabar de vez com isso.

E começamos, sem pressa alguma de terminar.

Wonder | PercabethOnde histórias criam vida. Descubra agora