Capítulo 9

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Eu sinto seus dedos sobre a minha coxa exposta pelo pequeno short do meu pijama antes mesmo de abrir o olho. E eu poderia facilmente deixá-los ali se não fosse pelas marcas que tenho, e o quanto ela me incomodaram. Então coloco minha mão em cima da sua para parar o momento dos seus dedos. Billie se assusta um pouco.

— Não toque aí — sussurro.

Ela tira sua mão debaixo da minha.

— Eu sinto muito, não sabia que isso te incomodava — ela está falando tão baixinho, é  quase um sussurro — como você conseguiu isso ?

— Não me pergunte — sussurro novamente.

— Eu não tinha notado antes.

Eu uso meia calça quando tenho que usar maior durante as aulas e maquiagem bronzeadora para as pernas, quando uso biquinhe. Mas elas passam facilmente por pequenas estrias vista de perto, mas não são. E me sinto estranha por que Billie estava olhando meu corpo, tão de perto a ponto de nota-las, tão perto a ponto de saber o que são.

— Eu sinto muito por isso — ela diz.

— Não sinta.

Eu finalmente abro os olhos e noto que o sol já está saindo. Então sento na cama assustada.

— Nossa que horas são??

— Sei la — diz Billie.

— Eu não ouvir meu despertador.

— Eu desliguei — ela diz sem qualquer preocupação — Não queria que você saísse daqui.

— Mas eu tinha que ir correr e academia. . .

Seus dedos estão sobre meus lábios, me calando.

— Eu só não queria ficar sozinha.

E de repente toda a minha raiva está acabada, tudo em mim que estava protestando contra ela, não está mais e me sinto completamente idiota por ter estado com raiva a alguns minutos atrás.

— Tudo bem, mas não faça disso um costume.

Ela faz biquinho pela minhas resposta, eu deito novamente ao lado dela, olhando pro teto. Sua coxa está encostada na minha, e tudo em mim só se concentra naquele ponto.

— Você não lembra nada sobre sua mãe ? — ela quebra o silêncio.

— Não.

— Eu queria que você pudesse ter alguma coisa dela. Pra não se sentir sozinha.

Eu odeio o jeito que ela sempre sabe o que estou sentindo. Ela nem me conhece e sabe tanto sobre mim.

— Eu não —viro para encara-lá — Eu acho que seria mais doloroso.

— É... Mas mesmo assim.

Ela revira os olhos e quando termina me olha. E ela tá fazendo de novo, tirando as minhas camadas lentamente uma a uma. Eu me sinto tão exposta quando ela faz isso que fico ofegante.

— Me conte uma coisa que você não contou pra mais ninguém — peço a ela.

— Eu já falei — ela tenta rir, mas sei que não é engraçado.

— Então me fala outra coisa.

— Pra que você quer saber.

—  Você sabe vários segredos meus — digo.

Preciso de uma vantagem.

— Eu já quis morrer — ela diz quase num sururu.

— Todo mundo já senti vontade de fazer isso.

Bel Air art schoolOnde histórias criam vida. Descubra agora