Eternal Summer VII

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No fim das contas nos classificamos para o nacional no revezamento, e como consequência nossa rotina de treino se intensificou mais ainda, Goro-sensei estava determinado em nos matar de exaustão. Eu fui o único que não reclamou, a rotina intensa esgotou minhas energias diariamente e mal me sobrou forças para pensar nos meus problemas.

Faltando uns dez dias para o nacional, chegou o festival de queima de fogos na praia perto da nossa casa, decidimos ir juntos e tentar descansar o corpo e a cabeça um pouco.

No começo do entardecer eu desci as escadas para encontrar o Makoto, combinamos de irmos juntos encontrar Nagisa e Rei no festival. Desde o meu desempenho medonho nos 100 metros livres, ele parece pisar em ovos comigo, como se eu fosse quebrar a qualquer momento. Ele não estava tão longe da verdade.

Eu ouvi uma comoção e vozes irritadas me fizeram congelar no lugar, oculto pelo muro da esquina. Desde aquele jantar, eu não tinha visto a mãe dele, mas eu tenho certeza que é ela quem está falando exaltada assim.

-Eu mandei vocês dois voltarem para casa!

-Mamãe, nós queremos ir com o nii-chan e o Haru-chan ver os fogos! - A voz chorosa de criança deveria ser da Ran, ela é mais enérgica do que o irmão e só ela teria coragem de contrariar uma ordem da sua mãe assim.

-Eu não quero vocês dois andando com esses dois, agora entrem ou vão ficar de castigo!

-Mamãe - Eles falaram exasperados e juntos.

-Agora!

Ainda chorosos, ouvi seus passos se afastarem e ela suspirar como se estivesse cansada.

-Você viu o que me obrigou a fazer? Por sua culpa eles não vão ao festival!

-Me desculpe, mãe, mas a culpa não é minha e a senhora sabe disso - Me assustei outra vez quando ouvi Makoto respondendo à sua mãe.

-Tem razão, a culpa é daquele garoto! Enquanto não desistir dessa ideia absurda e voltar a ser um garoto normal, você está proibido de se aproximar dos meus filhos!

-Eles são meus irmãos! A senhora não tem esse direito!

-Eu tenho sim - Ela falou com rispidez - A sua sorte é que seu pai me impediu de te expulsar da minha casa, mas escute bem Makoto. Se você não desistir dessa besteira até se formar, nem o seu pai vai me impedir de te colocar para fora!

As palavras duras dela foram ditas num tom calmo, não em gritos, o que deixava claro que ela não estava falando por raiva. Foi só quando não ouvi mais o som dos seus passos que eu resolvi sair de trás do muro que me escondia.

Nesses anos todos, eu já vi ele com medo, apavorado por ter que entrar num lugar escuro, já o vi triste e abalado por enfrentar o luto, mas em nenhuma dessas ocasiões o meu coração doeu tanto como agora. O rosto sempre tão belo dele estava marcado pela testa vincadas e as sobrancelhas juntas, os olhos sempre tão cheios de vida pareciam as folhas mortas do outono. Eu não sabia o que dizer quando me aproximei dele, e ainda assustado ergui minha mão para tocar o seu rosto, mas assim que ouvi a senhora ao lado falando, minha mão congelou no meio do caminho.

-Você não tem vergonha? Mesmo depois de tudo que você ouviu ainda tem coragem de tentar tocar nele?

Tamura-san segurava a vassoura com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos.

-Por isso seus pais te abandonaram aqui, você é mesmo um caso perdido! E ainda quer afundar o Makoto junto!

Eu só consegui me mover quando ele me puxou e fez que eu o seguisse. Mal consegui prestar atenção no caminho, de tanto que eu estava me amaldiçoando. Se eu não fosse tão egoísta, se eu não tivesse envolvido Makoto nos meus problemas...

Sol de Outono Onde histórias criam vida. Descubra agora