Nova Orleans

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Nova Orleans...

Juliette caminhou para a sacada do quarto, olhando a movimentação na rua e sorriu. Era lindo ver os artistas de rua, ver a alegria dos turistas que estão passando e até mesmo dos moradores da cidade.

Sarah reservou o quarto perto do Quartel Francês, elas tem uma linda vista da cidade e do Bourbon Street, o jazz invadia os ouvidos da agente, a cidade tinha a própria trilha sonora e a mulher estava amando escutar. Apesar de ser uma agente federal, Juliette nunca fez uma missão em Nova Orleans, na maioria das vezes era perto de Nova York ou em Washington, DC.

- Vamos? – Sarah trouxe a mulher de volta para a realidade. Juliette se virou na direção da empresária, que usava um terninho, estava pronta para uma das reuniões que teria naquele dia - Vai ser um dia longo...

Sarah tinha razão, foi um dia longo, principalmente para a loira. Ela ficou na filial quase o dia todo, passando por várias reuniões e assinando coisas, para Juliette era cansativo ver aquilo, ela estava imaginando para a Sarah.

Elas comeram comida chinesa que Juliette pediu para entregarem no prédio ou a loira iria se esquecer de comer. Juliette aprendeu tanto sobre os aviões que quase esqueceu que é uma agente federal protegendo uma vítima, ela estava trabalhando e precisava manter a posse seria durante as reuniões.

Claro que Sarah não ajudava quando fazia uma careta ou revirava os olhos, principalmente quando dava patada em um dos representantes, que estava fazendo perguntas sem sentido para uma mulher que já estava irritada. Era nítido que se a Sarah passasse por mais uma reunião, ela iria gritar.

Era seis horas da tarde quando elas entraram no quarto do hotel, a Sarah já estava tirando o salto que usava, reclamando da dor que estava sentindo e falando que se arrependia de assumir a empresa da família. Juliette estava olhando alguma coisa no celular enquanto escutava a reclamação dela.

- E eu fui esquecida pela minha própria guarda costa – Juliette olhou para a loira, que estava sentada na ponta da cama com um pequeno sorriso - Você esqueceu que precisa manter os seus olhos em mim?

- Eu estava escutando suas reclamações da dor no pé, se morto não fala, eu tinha certeza que você estava viva – Juliette bloqueou o celular e olhou para Sarah, que tinha feito um bico, mostrando que estava emburrada - Vamos, se arrume – Sarah franziu o cenho com o pedido da morena - Jantar...

- Ah não. Estou com preguiça, pede algo – Sarah se deitou na cama, Juliette não parecia muito convencida e bateu na barriga da empresária - Bruta.

- Vamos logo, você vai gostar – Juliette estendeu a mão para a mulher, que hesitou um pouco antes de segurar e se levantar da cama.

Elas tomaram banho e trocaram de roupa antes de saírem do hotel de novo, Juliette guiava a mais alta pelas ruas da cidade, estavam a pé, a agente acha mais proveitoso ir andando do que de carro. Sarah sorria para as coisas que via no caminho, Juliette teve que parar três vezes porque a loira parava de andar e ficava encarando um artista, os olhos da loira brilhavam.

Juliette levou a loira até a Maison Bourbon. Quando chegaram, uma mulher estava cantando no palco, era uma música calma, os clientes assistiam com muita atenção e alguns cantavam junto dela. Juliette levou Sarah para uma mesa vaga e elas se sentaram enquanto assistiam ao show também.

- Achei que nunca tinha vindo pra cá... – Sarah falou no ouvido da morena.

- Eu não vim, mas internet está aí para todo mundo – Ela riu da fala da Ju e se ajeitou enquanto via a mulher cantar a última frase da música - Mas não posso negar que sou uma grande fã de The Originals e sempre quis visitar.

- Você? Assistindo série de vampiros? – Sarah estava chocada. Juliette riu.

- Pocah ama a Phoebe Tonkin e me faz assistir tudo que tem ela – Ela falou, lembrando das várias noites que passava assistindo a série ou H2O - Mas eu tenho que confessar que a série é boa... – Sarah sorriu e a morena se virou para fazer o pedido deles, de primeira apenas pediram drinks sem álcool.

Depois de alguns minutos conversando, Juliette tomou coragem para subir no palco, surpreendendo a Sarah que não imaginava a morena cantando na frente de tantas pessoas. Juliette se sentou na cadeira com o violão no colo, começando a melodia da música que tinha escolhido tocar.

A voz de Juliette ecoou pela restaurante em seguida, Sarah identificou qual era a música que a morena estava cantando, era Before You Go. Ela fechou os olhos enquanto escutava a voz da Juliette, fazia anos que não a escutava cantando, que não ficava derretida com a voz da morena.

Sarah sentia seu coração acelerar, trazendo a mesma sensação de dez anos, quando elas dormiam na mesma cama, quando Juliette contava histórias e fazia todo mundo rir, quando elas marcavam um dia para assistir filmes, de só ficar deitadas na enorme cama de Sarah, quando Juliette cuidava dela na época que ela enchia a cara ou quando estava doente. Sarah sentia falta da adolescência, quando era tudo mais fácil para ela, quando Juliette era mais próxima a ela e não ficava na defensiva e escondendo coisas dela.

Sarah sente falta da melhor amiga antes de sentir falta da mulher que ama, sim, Sarah não pode negar que seus sentimentos por Juliette não mudaram, ela apenas achou que sim, mas quando a agente apareceu no escritório dela com os dois parceiros, Sarah sentiu tudo voltando novamente.

Mas ela sentia medo, medo de quando o caso se resolvesse, Juliette voltaria para a vida dela normal e sumiria novamente, partindo mais uma vez o seu coração. Ela queria que aqueles momentos durassem para sempre.

Sarah piscou algumas vezes quando escutou os aplausos, Juliette terminou de cantar e saiu do palco, voltando a se sentar na mesa delas. Sarah estava perdida quando Juliette questionou o que ela queria comer no momento, a morena chegou a repetir duas vezes antes de cutucar a empresária.

- Você está bem?

- Sim, apenas pensando demais – Sarah respondeu e sorriu para a morena.

- Então, vai querer comer o que? – Juliette questionou pela terceira vez e a empresária respondeu dessa vez. Depois de fazerem o pedido ao garçom, a loira voltou a puxar assunto sobre os quase doze anos que se passaram.

- E como foi seu relacionamento com a Pocah? – Sarah perguntou, fazendo a morena olhar para ela com o cenho franzido, confusa com a pergunta - O seu noivado com ela... Você me falou que chegaram a noivar.

- Meu Deus... Tu acreditou mesmo nisso – Juliette começou a gargalhar, não imaginava que a empresária realmente tinha acreditado na história.

- Como assim?

- Era mentira, Sarah, eu e Pocah somos apenas melhores amigas, eu sou até a madrinha da filha dela. A gente já ficou? Já, mas foi tão estranha para nós que resolvemos fingir que nunca aconteceu – Juliette explicou e a expressão de Sarah mudou de confusa para indignada na mesma hora.

- Que safada mentirosa – Sarah também riu enquanto tenta fazer cosquinha na morena, que desviou rindo da mulher - Você vai pagar caro por isso...

- Sentiu ciúmes, foi? – Juliette perguntou de brincadeira, mas não esperava a resposta que a loira deu em seguida.

- Sim.

Agente Freire - SarietteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora