Família ..

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Cada minuto que se passava, mais o aperto no peito que eu estava sentindo naquele momento aumentava, o nó na garganta incômodo, os flashes da minha mãe que não me deixavam em paz.

Eu sentia as lágrimas escorrerem, eu sentia a minha cabeça girar, o meu coração estava acelerado e respirar estava se tornando cada vez mais difícil..  Eu estava tendo uma crise depois de muitos anos.

Em poucos minutos a porta do meu Audi se abriu e Jace me abraçou, dizendo que estava ali e que tudo iria ficar bem. Sem fazer perguntas, colocou-me no banco do carona, abriu a minha maleta que estava ali e pegou o meu Ray-Ban.

— Ninguém deveria ver Alexander Lightwood com esses lindos olhos azuis vermelhos e essa cara de choro, nem mesmo eu. — Disse, colocando os óculos no meu rosto com ternura e eu não pude deixar de esboçar um sorriso.

Ficamos um tempo em um silêncio necessário por um momento, eu estava perdido em pensamentos, até que a voz de Jace soou pelo carro:

—  Fazia muitos anos que você não tinha uma crise dessas.. O que a desencadeou?

Não respondi de primeira,  o que eu ia dizer? 

—  Estar nesse lugar, fazendo o exame que eu vi a minha mãe fazer milhares de vezes, ativou um gatilho aqui..  —  Digo, desviando o olhar para fora da janela.

Não era toda a verdade, mais era metade,  a minha voz ainda estava entrecortada pelos minutos de choro, ainda estávamos no estacionamento da clínica dos Bane.

Eu estava me sentindo exausto, como se eu tivesse corrido uma maratona, era sempre assim depois de uma crise, tudo o que eu queria era ir para minha casa e me esconder debaixo dos meus lençóis pelo tempo que eu pudesse. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Jace selou nossos lábios rapidamente e ligou o carro.

— Vamos cair fora desta merda!

⇢⇢⇢

Acordei sobressaltado  em minha cama. Eram cinco horas da tarde e levantei-me, indo em direção à sala, onde encontrei Jace ao telefone:

— "Ele ainda está dormindo." — Ele dizia ao telefone, enquanto ouvia atentamente o que a pessoa dizia do outro lado da linha e balançava a cabeça confirmando algo. — "Não se preocupe, Doutor, darei o recado assim que  ele acordar."

Meu corpo endureceu imediatamente ao ouvir a palavra doutor. Jace desligou o telefone e se virou, correndo em minha direção, quando me viu e me abraçou.  

— Gato! Como está se sentindo? Alguma dor? Precisa de um copo de água? Álcool? Um remédio? 

— Estou bem.  —  Dei um sorrisinho de lado na tentativa de acalmá-lo. De repente, lembrei-me de algo e olhei com os olhos arregalados para Jace. — Meu Deus, a reunião com o Del Rey!

— Está tudo resolvido.  —  Disse tranquilamente, ainda enroscado em mim.

Em todos esses anos, essa era a primeira vez que Alexander Lightwood faltava ao trabalho e eu realmente me sentia confuso em relação a isso.

— Como assim tudo resolvido?

— Hey! Eu existo, sabia? E você não me contratou só por causa dos meus lindos e irresistíveis olhos e minha extraordinária beleza! — Não pude deixar de sorrir e Jace concluiu. — Nossa reunião está marcada para amanhã no mesmo horário.

Jace  me puxou pela mão, me conduzindo até o sofá. 

— Supostamente você teve um “contratempo” — Disse, fazendo sinal com as mãos indicando aspas. — E não pôde comparecer. É claro que eu deixei vazar na imprensa uma notícia bombástica, algo do tipo “algum empresário milionário rondando a  Lightwood Editora”.  —  Arregalei os meus olhos e Jace prosseguiu.  — Quem sabe agora o Del Rey não se dá conta de que não é tão essencial assim e que pode ser plenamente substituído? — Eu estava chocado.  —  Essa sua falta veio bem a calhar, gato. Vamos ver agora se esse filho da puta cede. — Eu estava chocado o encarando incrédulo  e Jace sorriu, ficando sério em seguida. — Vamos esquecer isso, por enquanto. Quero saber como se sente.

The Deal  (Malec)Onde histórias criam vida. Descubra agora