Passado doloroso..

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Magnus Bane estava na minha frente, enquanto eu tentava me concentrar na minha situação. O problema era que aquele olhar não me ajudava em nada. Eu realmente precisava do meu velho Jim Beam.

— Quer beber alguma coisa? — Perguntei.  Magnus sorriu. 

"Pelo anjo! Aquele sorriso tinha algo de divino".

— Vamos nos manter sóbrios, Alexander.  — Estremeci com o seu tom de voz rouco, aquele homem era sexy sem nem perceber até falando a porra de um nome. — Estou aqui para ouvir você.

Balancei a cabeça fechando os meus olhos.  Magnus tinha razão: ele era o meu médico e realmente precisava de todo o meu histórico. Senti uma fisgada em meu ombro e me perguntei se isso não seria psicológico. 

Olhei em sua direção e respirei fundo. Talvez eu não estivesse pronto para falar naquele momento e talvez eu nunca estivesse.  Magnus me olhava em expectativa e eu exalei com força, sentindo um aperto no peito.

— Minha mãe morreu com quarenta e sete anos. Eu era muito novo quando ela ficou doente, ainda estávamos aqui nos Estados Unidos. — Fechei os meus olhos, tentando organizar os meus pensamentos. — Por algum motivo o qual desconheço, acabamos nos mudando para o Brasil, minha mãe deu a desculpa de que vivíamos ilegalmente aqui, mas no fundo eu sabia que tinha algo haver com o meu pai, eu ainda era jovem demais  e não conseguia entender muito bem suas mudanças de humor.

Magnus me olhava com atenção e balançou a cabeça, me encorajando a continuar.

— Em algum momento ela estava bem e, então, de repente, não estava mais.. Ela passou a agir de forma estranha, não conseguia falar direito, tinha problemas com sono e seu raciocínio ficou prejudicado..

Eu peguei uma almofada aleatoriamente no sofá, precisava apertar alguma coisa. Eu me sentia desconfortável, aquela era uma situação atípica. Ninguém além de Jace conhecia a minha história e eu me sentia vulnerável  quando eu falava a respeito dela, e sentir-se  vulnerável realmente não era uma sensação boa.

— Os sintomas de minha mãe evoluíram de forma rápida e ela ficou extremamente dependente de tudo e de todos. Acontece que ela só tinha a mim e ao meu pai.  —  Franzi o cenho, sentindo a bile subir em minha garganta. — Ou seja, ela só podia contar comigo, um adolescente de dezessete anos.

Magnus piscou várias vezes, tentando  digerir tudo o que estava sendo dito, e concluí  desviando o olhar e fechando meus os olhos, eu não conseguia encará-lo nesse momento.

— Minha mãe tinha Doença de Huntington.

Houve um instante de silêncio e ainda com os meus olhos fechados, ouvi quando Magnus sussurrou:

— Eu sinto muito, Alexander..

Meus olhos continuaram fechados, eu não consegui abri-los.  

—  Ela tinha a minha idade quando descobriu Magnus. — Digo, com a voz embargada.

Quando finalmente abri os meus olhos, ele me olhava profundamente e sentou-se ao meu lado, envolvendo o meu corpo e foi impressionante como eu me senti protegido. 

Isso era ridículo, mas era a verdade e eu não poderia negar, por mais que eu quisesse. Eu estava em seus braços e não havia outro lugar no mundo em que eu quisesse estar naquele momento.

— Eu estou condenado, Magnus..

Ele me olhou assustado, engolindo em seco. 

— Você fez o teste genético?

O encarei confuso:

—  Huntington é hereditário e eu sou filho de uma portadora cuja doença avançou de forma rápida e brutal.  —  Fechei os meus olhos mais uma vez, tentando me controlar. — Ela ficou deformada,  Magnus, e não conseguia  nem controlar os seus movimentos. Seus braços se mexiam involuntariamente, ela não conseguia falar..

The Deal  (Malec)Onde histórias criam vida. Descubra agora