Coração de gelo..

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Após desmontar e arrumar todo o equipamento com a ajuda de Magnus, guardei no Jipe previamente estacionado e dirigi rumo ao número 49 da Rua Vinícius de Moraes, arrancando um belo sorriso de Magnus quando chegamos.

— Garoto de Ipanema! — Exclamou Julian empolgado. — Ei! E aí Bane? O que achou do nosso Rio? — Perguntou.

Magnus sorriu. 

— Ainda estou extasiado.

— Incrível, não é? Ver tudo ali de cima... — Completou Mark e Magnus assentiu.

— Nunca me esquecerei disso. — E me olhando intensamente, concluiu. — Nunca.

Dei uma piscadinha em sua direção, puxando uma cadeira e, mal sentamos, o garçom nos serviu uma boa tulipa com chope bem gelado. 

Estava toda a equipe lá. Mark propôs um brinde e bebemos animados. Magnus retribuiu a minha piscadinha com outra e eu sorri, sentindo-me excitado  de repente.

— Você já comeu feijoada? — Mark indagou e Magnus negou com um balanço de cabeça, fazendo-o sorrir. — Ótimo! De hoje não passa!

— É bom ele tomar um Engov antes. — Sinalizou Julian, em tom zombeteiro.

— O que é Engov?  —  Magnus perguntou, provocando uma gargalhada geral, e eu lhe expliquei que era um medicamento para evitar a indigestão. Mark estava certo, ele realmente deveria tomar um.

— Você não está acostumado com esse tipo de comida.  —  Conclui e ele deu de ombros.

— Como quiserem.  —  Respondeu, pegando a sua tulipa de forma sexy e desejei ser o copo que ele segurava com tanta força. Balancei a cabeça mais uma vez. 

"Era fato. Eu nunca me cansaria de Magnus Bane."

Conversamos sobre banalidades e Magnus quis saber como comecei a prática de Vôo Livre. Dei um longo gole em minha bebida antes de começar:

— Eu e Mark nos conhecemos no hospital, quando a minha mãe estava em tratamento.    —   O sorriso de Magnus desapareceu e eu percebi o arrependimento em seus olhos por ter perguntado. 

Quando eu me calei, foi a vez do Mark continuar:

— A primeira vez que o vi, Alexander parecia um passarinho engaiolado, assustado, sem saber o que fazer da vida. — Pegando o seu copo, concluiu. — Ninguém jamais poderia culpá-lo  por isso. — Ele deu um longo gole, antes de continuar. — Minha mãe também era portadora da Doença de Huntington, mas o seu estado era muito mais avançado que o da Dona Maryse.

Inalei profundamente ao ouvir o nome de minha adorável mãe e o sentimento profundo de saudade me invadiu. Em questão de segundos, a imagem de meu pai também ocupou a minha mente e eu balancei a cabeça, confuso.

Mark continuou:  

— Nessa época eu já voava, aliás, era dessa forma que eu me livrava de toda  a tensão e de toda a carga que aquela doença me trazia. Era complicado ver a minha mãe morrendo aos poucos todos os dias, a cada dia..

— Eu sinto muito. — Magnus disse com toda sinceridade e Mark balançou a cabeça em agradecimento, continuando a falar.

— Um dia eu me aproximei e conversamos um pouco, até que perguntei se ele não gostaria de voar.  —  Ele sorriu, balançando a cabeça ao se lembrar da minha resposta e eu sorri também. Ele continuou. — Só se for para bem longe dessa merda! Foi assim que ele me respondeu.

Todos sorriram e Magnus me olhou com paixão, enquanto Mark continuava:

—   Bom, eu disse que talvez isso fosse possível. Depois disso, ele não parou mais de voar. — Deu de ombros.

The Deal  (Malec)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora