Após a perda dos pais, Lily decide recomeçar a vida em uma nova cidade, carregando na bagagem não apenas o luto, mas também um coração marcado pelo medo da rejeição. Seu jeito tímido e quase infantil a impede de criar laços - até que ela cruza o cam...
Desviei meu olhar tentando não corar diante de seus olhares acusadores e engoli em seco.
Eu: Vou arrumar minhas roupas para irmos - levantei vendo o quão pequena sou perto deles e fugi para o quarto.
Como eles chegaram primeiro que o elevador no 5° andar? E porque sinto que lá no fundo posso confiar neles?
Sentei na beira da cama puxando minha mala e comecei a colocar minhas roupas. Que são poucas e não ocupam muito espaço, então aproveitei e coloquei produtos de higiene junto.
Pequei a foto dos meus pais pregada na parede ao lado da cama e suspirei triste.
Eu: Um dia tomarei coragem e irei visita-los, sem nenhum medo e feliz - sussurrei encostando minha testa no papel.
Funguei afastando as lágrimas que se fizeram presentes e olhei minha chupeta na cômoda. Sem ela eu não fico.
Terminei de arrumar tudo e olhei uma última vez para o cômodo em despedida. Uma semana nunca me pareceu tão longa como parece agora.
Abri a porta encontrando os dois homens de braços cruzados olhando pela pequena janela e tossi para anunciar minha presença.
Carter: Não sabe o quanto é prazeroso vê-la corada docinho - mordeu o lábio me encarando profundamente.
Dei um pequeno passo para trás me sentindo estranhamente incomodada com seu comentário e desviei o olhar.
Eu: Podemos ir - falei conferindo tudo uma última vez.
Andrew: Pegou tudo? - lançou um olhar para a caixa ao lado da porta.
Eu: Peguei sim - respondi caminhando até lá e a recolhendo do chão.
Carter: Onde está nos...seu filho? - perguntou confuso.
Coloquei a mão na cabeça começando a me irritar e mordi o lábio nervosa.
Eu: Não tenho um filho - falei para a surpresa de ambos.
Carter: Conseguiu me surpreender docinho - olhou para o irmão.
Andrew: E a caixa com a bombinha para os seios? - perguntou impassível.
Eu: É minha - dei de ombros.
Carter: Sabemos que é sua sua docinho, queremos saber para que a usara - respirou fundo impassiente.
Eu: Isso não cabe a vocês saberem - abaixei os ombros.
No instante em que pronuncie as palavras senti algo rápido se aproximar e me vi contra a parede.
Carter: Acho que não entendeu uma coisa docinho - levou a mão em meu pescoço dando um leve aperto - você nos pertence, queremos saber tudo sobre você - rosnou roçando os lábios nos meus.
Andrew: Não dificulte as coisas Lily, não gostará do resultado - puxou Carter para lonje me fazendo cair ajoelhada.
Engoli em seco olhando de um para outro com os olhos arregalados e senti as lágrimas deslizarem livremente.
Acho que precisava disso, deixar tudo sair em uma enxurrada de lágrimas grossas e salgadas.
Prendi um soluço me levantando e braços fortes me abraçaram.
Andrew: Vamos para casa - murmurou pegando minha mala e olhando a bombinha.
Carter afroxou seu aperto em mim apenas para olhar o irmão e me tirar do chão.
Não reclamei pelo contrário, apenas me deixei ser carregada até o carro e colocada no banco.
Queria falar não, que não iria mais com eles. Mas infelizmente sempre cumpro minhas promessas.
Como Andrew foi dirigindo, Carter se sentou ao meu lado. Me senti encurralada por eles.
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Carter: Bem vinda a nossa casa - abriu a porta do carro e estendeu a mão. Ignorei o pequeno gesto educado e deci sozinha vendo um sorriso provocador surgir em Andrew.
Caminhei sentindo Carter colocar a mão em minhas costas e me guiar a porta de madeira da mesma casa que estive a dias atrás.
Nada de boas recordações.
Respirei fundo ao abrir a porta e fui guiada ao sofá.
Andrew: Temos algumas regras aqui docinho - me encarou sério - jamais entre no escritório sem ser chamada ok? - perguntou erguendo uma sombrancelha perfeitamente delineada.
Acenti acuada e Carter colocou a mão em meu ombro.
Carter: Sem nossa presença a governanta ficará a seu dispor para qualquer coisa que precisar - sorriu.
Não um sorriso sinico ou de lado, mas um sorriso verdadeiro.
Eu: Meu quarto? - perguntei tímida.
Quero respirar sem sentir a presença esmagadora que esses irmão possuem.
Andrew: Nosso quarto docinho - corrigiu me arrancando um suspiro assustado.
Eu: Irei dormir com vocês? - questionei me levantando.
Carter: A partir de hoje fará tudo conosco docinho, e sem reclamações - avisou subindo a escada para o andar de cima.
Andrew: Venha - pegou minha mão seguindo o irmão.
Como assim farei tudo com eles?
Fomos a um quarto difente do que acordei da ultima vez e me surpreendi ao ver o tamanho da cama.
É enorme!
Carter: Seus pertences serão colocados no closet - apontou para uma porta com espelho - no banheiro encontrará tudo o que precisa para higiene pessoal - indicou a outra porta.
O quarto é lindo, decorado em tons pastel e branco. No canto direito vi uma penteadeira com várias maquiagens e posta joias. É tudo para mim?
Eu: Vou dormir com vocês? - perguntei temendo a resposta.
Andrew: Não se preocupe, terá todo o conforto possível - afirmou piscando.
Ele e Carter se encararam durante algum tempo e começaram a se aproximar perigosamente.
Andrew: Agora teremos uma conversa bastante esclarecedora sobre você docinho - pegou uma mecha do meu cabelo e a levou ao nariz, aspirando profundamente em seguida.
Carter: Conseguiremos as respostas por bem ou por mal Lily - ameaçou apertando minha cintura.