Após a perda dos pais, Lily decide recomeçar a vida em uma nova cidade, carregando na bagagem não apenas o luto, mas também um coração marcado pelo medo da rejeição. Seu jeito tímido e quase infantil a impede de criar laços - até que ela cruza o cam...
Carter: Sabemos que é pra você docinho, resta saber pra que você tem essa bombinha sem ter filhos - suspirou impaciente.
Balancei a cabeça em um negativo mudo e esperei que falassem alguma coisa.
Andrew: Temos um dossiê completo da sua vida Lily, teremos mesmo que olha-lo? - perguntou rígido.
Paralisei ao escutar suas palavras, não sou burra sei do que estão falando.
Eu: Como é? - perguntei descrente.
Carter: Nos vemos depois Lily - falou se afastando com Andrew.
Fechei as mãos puxando alguns fios de cabelo e me sentei na imensa cama. Andrew e Carter estão passando dos limites de uma pessoa normal.
Porque me perguntar incansavelmente, se poderiam ler as respostas quando quisecem?
Suspirei me levantando e pegando a mochila, talvez arrumar minhas coisas acalme minha mente.
Fui até o closet vazio e ocupei apenas uma pequena parte com minhas roupas. Produtos de higiene e cabelo coloquei no armário do banheiro, minha chupeta dentro da gaveta da cômoda ao lado da cama e meu novo amigo extrator de leite coloquei embaixo da cama.
Vinte minutos depois com tudo arrumado, minha cabeça ainda rodava com o que ouvi dos meninos.
Um dossiê contém tudo da vida de uma pessoa. Quantos anos, se já teve um namorado, ficha médica e muito mais.
Se olharem minha ficha médica descobrirão meu problema e se descobrirem irão rir de mim. O que menos quero são esses dois malucos rindo as minhas custas.
Me virei de volta para a cama e tirei o lençol que a cobria, me deitando em seguida. Estava tão cansada que assim que fechei os olhos adormeci.
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Não sei por quanto tempo dormi, mas a primeira coisa que percebi quando acordei foi que minha chupeta estava na minha boca.
Abri os olhos assustada e me sentei a tirando da boca. Pisquei afastando os resquícios de sono e senti um arrepio percorrer meu corpo.
Não entendi o motivo até ver Carter e Andrew me olhando de uma maneira extremamente psicótica.
Me levantei receosa e entrelacei os dedos completamente nervosa.
Eu: Até onde vocês sabem? - perguntei encarando o chão.
Não tenho coragem de olhar em seus olhos, não agora.
Carter: Sabemos de tudo docinho - falou ácido.
Essa acidez me causou lágrimas nos olhos.
Eu: Então podem começar - falei com a voz embargada.
Andrew: Com? - perguntou indiferente.
Eu: Com os chingamentos, as ameaças, me chamarem de monstro - sussurrei sentindo a primeira lágrima decer.
Escutei suas respirações se tornarem profundas e logo fui agarrada e jogada contra a parede.
Carter: Olha pra mim - mandou duro.
Neguei com a cabeça e escutei sua risada.
Carter: Foi uma ordem - colocou o dedo em meu queixo e forçou minha cabeça para cima.
Assim que meus olhos encontraram com os seus um rosnado foi ouvido.
Carter: A inocência presente nesses olhos me encanta - olhou para o irmão sorrindo malicioso - porque achou que a chamaríamos de monstro? - perguntou carinhoso.
Ele é bipolar?
Olhei para Andrew pedindo ajuda para sair do aperto forte do seu irmão e ganhei um olhar debochado.
Andrew: Responda a pergunta - mandou firme.
Suspirei me rendendo ao que eles queriam e contei:
Eu: Mosntro por muitos anos foi meu apelido - sussurrei sentindo as lágrimas voltarem - que pessoa normal produziria leite sem estar amamentando? - perguntei para mim mesma.
Andrew: Humanos tem uma concepção muito rasa sobre monstros - comentou divertido.
Eu: E vocês por acaso não são humanos? - perguntei esfregando os olhos.
Carter: Não - deu de ombros.
Arregalei os olhos olhando de um para o outro e escondi um tremor.
Eu: Já tentaram ir a um psicólogo? - sussurrei amedrontada.
Eles se entreolharam e começaram a gargalhar.
Carter: O assunto aqui não somos nós docinho - falou cheirando meu pescoço.
Ele me descolou da parede e Andrew se colocou atrás de mim, apalpando minha bunda.
Andrew: Não precisa achar que a chamaremos de montro, pois os verdadeiros monstros não se escondem - susurrou beijando minha nuca.
Carter: Sabe de uma coisa docinho? - perguntou se afastando alguns centímetros - não vai mais precisar dessa blusa - deu um olhar cúmplice ao irmão e juntos rasgaram minha peça de roupa, junto ao sutiã.
Tentei me cobrir com os braços, mas Andrew foi mais rápido e os segurou.
Andrew: Ninguém nunca mais a chamará de monstro - rosnou.