18; A Justaposição da Camponesa

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S/n suspirou derrotada, deslizando seu corpo sobre o banco acolchoado da cafeteria. Ela só podia ter atirado pedra na cruz em uma vida passada e agora estava vivendo seu pior karma. Quando acordou aquela manhã, estava decidida a encarar o dia com o maior entusiasmo que seu corpo e mente poderiam entregar, mas havia perdido seu objetivo no momento em que abriu a porta para um certo loiro sorridente.

"Temos ensaio no salão principal hoje, não esqueça, vou ajudar a Kira na decoração quando você quiser dar uma pausa para descanso.". Foi a primeira coisa que ele disse quando a viu, geralmente as pessoas dão bom dia e perguntam se está tudo bem, mas a mente de Jace funcionava 24 horas, os 7 dias da semana, sem descanso. As vezes s/n suspeitava que o amigo tivesse hiperatividade, além de dislexia. Esses transtornos não vinham sempre juntos?

Não o bastante, agora os dois estavam sentados de frente um para o outro, com suas panquecas caramelizadas no prato e o suco de laranja recém colocado pela garçonete. Jace encarava seu celular com uma expressão de incômodo, tanto que suas linhas da testa formavam um relevo gigante da qual a garota nunca tinha visto em seu rosto jovial.

O motivo do incômodo, ela sabia perfeitamente: uma conversa no grupo de seus amigos, onde casualmente o galinha do Jack Griffo resolveu dar em cima dela e chamá-la de "princesa", sem nenhum motivo aparente.

— Olha, eu respeito que você tem uma queda por ele, mas confia em mim, é furada... - o loiro se pronunciou depois de longos minutos em um silêncio frustrante. S/n arqueou a sobrancelha ao ouvir a afirmação e o olhou confusa. Até perceber que ainda não desmentira esse fato para o amigo, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, acabou se esquecendo disso. Ele realmente esteve pensando nisso até agora? Inacreditável. Ele era tão ingênuo as vezes. Uma pena isso não ser o suficiente para inocentá-lo de seus erros.

— Eu não tenho uma queda por ele... - ela mordeu os lábios, com os braços cruzados e o encarando. - foi passageiro, não sinto mais nada, já acabou. Esqueça isso, por favor.

— Tudo bem então - ele concordou, desconfiado, no fundo aliviado. Finalmente disposto a devorar seu café da manhã que ainda estava intacto. - quem sou eu pra julgar.

***

O quadro de aulas do primeiro bloco seguiu normalmente, mas os cursos organizadores do baile tiveram dispensa do segundo para que pudessem auxiliar na produção. Jace e s/n seguiram para o salão principal que unia os prédios do curso de teatro e dança com o prédio de música e regência, onde ensaiariam a peça em cima do palco, o que a garota achava excelente, já que poderia por fim ter uma noção melhor de espaço, iluminação e acústica. Tudo estaria perfeito se não fosse a presença da dama dos sonhos do loiro, que recebeu o título de representante do evento e agora se responsabilizava por todo o encaminhando e preparativos do baile.

A garota não sentia inveja dela, nem raiva, ou qualquer outro sentimento ruim. Kira era uma garota ótima, simpática e elegante, poderia ser uma das populares do campus, mas definitivamente quebrava todos os estereótipos de mean girl. E s/n gostava disso. Era fã da autenticidade, inimiga de padrões e rótulos. Mas estava quase impossível competir a atenção de Jace entre ela e Kira.

— Olá senhor, não sei se percebeu, mas estou roubando suas flores! - s/n exclamou em ironia, tentando chamar a atenção do loiro, que tinha sua atenção voltada para o lado da plateia, onde haviam alguns alunos decorando as paredes do salão.

— Perdão, eu me distrai - Jace respondeu, quando viu uma cabeleira de tons castanhos entrar eu seu campo de visão, isso era porque a garota era menor que ele, e não podia estar totalmente de frente com seus olhos, ele riu internamente com o fato.

play date; jace normanOnde histórias criam vida. Descubra agora