❝ Então se quiser irritar seus pais, me namore para assustá-los, mostre que você está crescida. Se o cabelo comprido e as tatuagens são o que te atraem, amor, você está com sorte. ❞
Claire Dugray nasceu em berço de ouro, filha de um dos empresários...
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Coral Gables, Miami
A MÚSICA estava de estourar os ouvidos do lado de fora do quarto. Eu mal conseguia me concentrar em beijar a morena abaixo de mim de tanto barulho que aquela festa estava fazendo.
Ou pode ser por outra coisa. Pode ser pelo fato de que estou com algo da cabeça e que não consigo tirar.
Desde que vi aquele garoto plantado na porta de Claire, fiquei muito preocupado. Não com ela, mas com o fato de que ele estava ali. Se ele fosse mesmo quem eu achava que fosse, ele saberia que aquele bairro em específico está fora de cogitação para nós. Para qualquer pessoa como nós.
A garota enfiou as mãos por dentro da minha calça, e ficou decepcionada ao sentir que eu não estava duro. Nem um pouco, na verdade. Não estou com cabeça para pensar em sexo agora.
— Foi mal, gata. — Eu digo, e me apoio em cima das minhas mãos, me desencostando do corpo esbelto debaixo de mim. — A gente deixa pra outra hora.
Levanto-me da cama, e caminho pelo chão do quarto em busca da minha camiseta. Ao avista-lá, a peguei no chão e coloquei rapidamente. Meu celular que estava na mesa de cabeceira logo foi parar no bolso traseiro da minha calça, e com uma rapidez absurda, saio do quarto.
O ecrã do meu celular me mostrava algumas mensagens. A maioria sobre o meu trabalho, chefes e pendências. Eu já estava ficando maluco, porque desde que comecei a estudar com os riquinhos, muita coisa estava vindo parar na minha mão. Aquele era o grande ponto. Eram esses ricos que movimentavam os negócios.
A festa ainda estava agitada quando eu cheguei no andar da sala. As paredes tremiam do teto ao chão por causa das forças da batida, e enquanto as pessoas se espremiam para conseguir um lugar no meio da pista, eu caminhava tranquilamente para o bar improvisado.
Avistei Claire ali mesmo.
Ela usava um vestido extremamente colado, e além disso, bebia que nem um carro velho. O copo vermelho já parecia fazer parte de sua mão, assim como seus dedos e suas digitais.
Meu Deus, ela iria perder o controle de novo.
Olhei para os lados e não vi nenhum dos amigos dela, nem aquele Aaron, que mais parece namorado do que amigo.
— Claire! — A chamei, alto o suficiente e por cima da música, mas assim que ela me viu, desviou o olhar e botou pra dentro o que estava dentro do copo. — Voce é maluca? Vai entrar em coma alcoólico desse jeito.
— Para de me encher, Vincent! — Ela diz, e disfere um tapa em meu ombro.
Sinto que ela iria falar algo, mas em vez disso, fica quieta. Sei que ela jogou o copo longe, e em seguida, correu para fora de casa, vomitando na primeira grama que ela achou. Corri até a loura, segurando os cabelos dela para que eles não caíssem.
— Qual o seu problema, porra? — Eu pergunto. — Queria morrer ali? Já não basta no bale?
Ela não me responde nada, porque está ocupada o suficiente em passar mal nos fundos da festa.
Meu Deus, ela precisa sair daqui.
[...]
Já era muito tarde quando paramos ali.
De um lado da bancada, Claire escolhia o que colocar dentro do seu sorvete. Um pouco atrás dela, uma das atendentes preparava os nossos cachorros quentes. Eu escolhia o que beber.
— Refrigerante ou suco?
Eu pergunto de longe, ouvindo Claire gritar por refrigerante. Solto uma risada, e pego uma bebida de dois litros.
Logo depois, já estávamos sentados a mesa, comendo como se não houvesse nenhuma comida em nossa casa?
— Porque aquele cara estava com você? Na casa.
Vejo que ela gela. Claire poderia estar bebada, mas não estava surda. Ela sabe exatamente porque eu estava perguntando aquilo.
— Bom, ele e meu pai tem assuntos inacabados. — Ela começa a dizer. — E ele é meu "amigo de infância." Meu ex namorado também, na verdade . Uma doideira né?
— Mas isso não explica ele estar lá a essas horas. — Respondo, me recostando na cadeira atrás de mim. Olho pra Dugray, cruzando os braços. Não estava nem um pouco feliz com aquela resposta.
— Meu irmão fez merda, Vinnie. — A loura fala, enquanto encosta a cabeça na mesa. — Muita merda. Ele teve que ir embora, e Trevor o subsitituiu. Eu sinto tanta falta do Kyle...
Kyle. Gelei ao ouvir esse nome. Não podia ser...
Tenho certeza que existem outros Kyles por aí.
— É uma merda. Eles trabalham pro meu pai e competem pela princesinha. — Claire se embola na própria língua, ainda jogada em cima dos braços, na mesa. — Não me surpreenderia se você fosse um deles, sabia? Você e Trevor são idênticos.
Eu e ele somos idênticos? Olhei espantado para Claire. Eu abominava esse cara.
— Vocês ficam com essas garotinhas e acham que elas não vão gostar de vocês de volta... — A loura começa a dizer, e levanta um dos dedos apontando pra mim —, não me surpreenderia se você fizesse o mesmo... pegasse essas meninas de catorze anos. Prometer o mundo para elas na mesma medida que o tira para sempre, assim como a virgindade.
Respiro fundo, e evito troca de olhares com a garota. Não é novidade para ninguém que eu fico com meninas mais novas que eu, e também não é novidade nenhuma dizer que pelo menos metade delas nunca tinha feito algo antes.
A diferença é que Claire me faz sentir sujo por causa disso.
E eu odeio quando ela me faz sentir assim.
Essa garota sugava minhas energias, me fazia sentir podre. E mesmo que eu fosse, isso ainda me abatia. Mas nunca iria contar para ela.
— Kyle se meteu em brigas e com a lei, e meu pai não fez nada para ajudá-lo a sair. — Ela volta a falar, baixinho. — Ele teve que fugir, e hoje, mora com uma amigos que na mesma época o ajudaram a sair de Miami.
Três caras? E Kyle era um deles? Ela só pode estar brincando comigo. Balanço a cabeça, tentando desviar esses pensamentos dela, já que eu não estava acreditando naquilo. Não queria que ela se metesse nesses assuntos, mas pelo o que eu percebi, ela já está inserida nesse mundo desde quando nasceu.