❝ Então se quiser irritar seus pais, me namore para assustá-los, mostre que você está crescida. Se o cabelo comprido e as tatuagens são o que te atraem, amor, você está com sorte. ❞
Claire Dugray nasceu em berço de ouro, filha de um dos empresários...
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MEU CELULAR NÃO PARAVA DE TOCAR. Eram ligações das minhas amigas, em sua maioria. Outras quinhentas de Kyle, e números desconhecidos. Eu estava na casa de Vincent desde sexta-feira, o dia da minha festa. Passei em Coconut Groove só para pegar meu uniforme, entrando escondida na minha própria casa.
O trânsito da manhã estava mais caótico do que tudo hoje. As ruas perto do colégio estavam fechadas, dificultando a passagem dos carros. Lembro de notas Vincent meio irritado durante o caminho.
Me afastei dele no primeiro momento que pulei para fora do carro. Coloquei minha mochila nas costas e sai andando, não ligando para os olhares que eu recebia enquanto passava pelo corredor.
— Claire!
Nailea chamou de longe, no final do corredor. Ela estava de braços cruzados, com as outras meninas logo atrás.
— Você tá bem? — Dessa vez é Maddy que pergunta. Ela usava uma saia tão curta que dava quase para ver o útero dela pulando para fora. — Todo mundo tá falando da sua festa.
Ah, claro. Um tiroteiro na minha festa causado pelo irmão gângster, inimigo do próprio pai.
— Eu não sabia que ele havia voltado. — Digo, segurando a alça da mochila pra mim. Mas era claro que eu sabia: Kyle e eu trocamos olhares no dia do lava-jato, mas ninguém precisava saber disso.
Elas me olharam, meio confusas e meio estranhas.
— Eles estão falando sobre o Aaron também. — Mia alerta. — Toda a confusão que aconteceu entre vocês. Sabe, rei e rainha do baile brigando do dia pra noite?
Merda. Eu não estava com cabeça pra isso.
— E onde você estava? Tomou banho? — Liza da uma fungada poderosa. — Você está fedendo.
— Ah, faça-me um favor e vá se foder!
Esbravejei. As garotas me olharam espantas, não entendendo o surto psicótico do dia pra noite. Mandei meu dedo do meio para as tres, zarpando pelos corredores do colégio, não ligando para o fato que as pessoas no colégio praticamente me farejavam.
Me toquei que estava procurando por ele quando entrei no corredor dos vestiários. Parei bem no início, respirando fundo e tentando recuperar o pouco de sanidade que ainda restava dentro do meu corpo.
— Procurando por mim, pompons?
Em um pulo, viro para trás. A cena que encontrei deveria ser enquadrada em um museu. Vincent estava na minha frente, em pé, suado e sem camisa. Provavelmente acabara de voltar do seu treino matinal, antes da aula.
— Cuidado pra sua baba não escorrer.
— Cala a boca, Hacker. — Levo a ponta do dedo até a extremidade da boca, apenas para ver se eu não estava babando mesmo. — Não, eu não estava procurando.
— Ah, conta outra! — O loiro passa a toalha pelos ombros, me encarando com a boca meio entre-aberta. — O que você quer?
Hacker saiu andando, e eu o segui. Não sabia muito bem como falar aqui sem parecer que estavam me caçando por aí, então, por isso, falei do jeito que eu imaginava ser o mais natural.
— Kyle anda me ligando a manhã toda. Alguns números desconhecidos também, provavelmente dos amigos dele. — Suspiro, e seguro a alça da mochila com mais força. — E sinto que estou sendo seguida.
O mais alto virou para minha direção com uma rapidez indescritível. Me assustei, mas ainda continuei distante. Vinnie me puxou para a sala do zelador, logo andes da entrada para o seu vestiário.
— Você tá maluca? — Pergunta, mas eu não sabia se ele estava falando sério ou não. — Você é burra o suficiente para estar aqui mesmo com essas circunstâncias?
— Desculpa se eu nunca fui procurada pela polícia! — Minha vez de exclamar, mais alto. Olho para Vincent, ainda meio suado e sem saber o que fazer. — Eu quero ir pra casa. Kyle é meu irmão, talvez ele só precise falar comigo.
— Ele pode ser seu irmão, Claire. Mas certamente não vai ligar se descobrir com quem você está andando, e se você está metida mas coisas do seu pai.
Olho para ele de baixo, ainda um pouco assustada com as palavras que saíram da sua boca. Sei que Kyle não me machucaria, mas também sei que estamos em uma situação diferente.
— Seus pais só foram embora a uma semana e você já tá se metendo em casos de vida ou morte? Meu Deus.
A afirmação de Vincent me faz querer rir, mas não consigo. Daqui a alguns dias, papai irá mandar alguém de sua confiança para ver se eu estou viva. Se tudo estiver aos pedaços, tchau tchau, Miami. Meu próximo destino será morar em uma casa minúscula no meio do Tennessee.
— Você não pode ir pra casa agora. — Ele volta a bater na mesma tecla. — Eu sei que ele é seu irmão, mas se você não percebeu, eu tô no meio da jogada agora.
Reviro os olhos, cruzando os braços. Ele era mesmo um idiota e egoísta. Esse tempo todo só pensa em seu bem estar, em não morrer ou não levar uma surra do meu irmão.
— Você se meteu no meio. — O toquei com meu dedo indicador, bem no meio do seu peito. — Poderia muito ter dito não a oferta que eu fiz, até porque, você me odeia, não é?
Ele fica quieto, me fazendo distanciar do seu corpo e ficar a alguns centímetros. O olho, de cima a baixo, e é nesse exato momento que começo a me perguntar porque eu tive a ideia de girico que eu tive.
Cruzo os braços e suspiro, pronta pra voltar a falar.
— Você pode ir embora se estiver odiando a ideia, eu não iria reclamar. — Comentei. — Ultimamente tô sentindo que preciso ir embora daqui mesmo.
— Então a princesinha finalmente aceitou que vai viver no meio do mato? — A brincadeira era visível em sua voz.
— Não enche o saco, Vincent. — Rebati. — Eu vou voltar pra minha casa, você querendo ou não. Apareça lá mais tarde e me diga o que você realmente quer. Não vou ficar esperando você pra sempre.
Segurei os livros contra o peito e andei para longe daquele corredor. Eu estava sozinha, pela primeira vez em dezessete anos.