❝ Então se quiser irritar seus pais, me namore para assustá-los, mostre que você está crescida. Se o cabelo comprido e as tatuagens são o que te atraem, amor, você está com sorte. ❞
Claire Dugray nasceu em berço de ouro, filha de um dos empresários...
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Miami, Flórida
A AREIA DA PRAIA ESTAVA FERVENDO SOB MEUS PÉS. Mesmo usando sandálias apropriadas, ainda conseguia sentir o calor emanando. Nunca agradeci tanto por morar em uma cidade praiana.
— Onde vamos ficar? — Perguntou Eamon, ao meu lado.
— Sempre ficamos no meio. É o nosso lugar. — Liza responde para o namorado.
Andamos todos até o local, carregando cadeiras, guarda-sóis e um cooler. Após ajeitarmos tudo, começamos a beber, é claro.
— Vê se pega leve hoje. — Aaron diz para mim, me puxando para sentar em suas pernas. Faço isso e abro minha garrafa, quase a virando toda garganta a baixo.
— Vou pegar. — O respondi e selei nossos lábios em um rápido beijo. Eu não ia pegar leve, ele sabia disso. Mas fico feliz ao ver a sua preocupação visível por mim.
As meninas começaram a pegar sol logo em seguida. Queria curtir um pouco mais todo o momento, então só sai do colo de Libreghts alguns minutos depois. Passei protetor e o bronzeador, me deitando de barriga para cima em uma das minhas cangas.
Eu sabia que os meninos estavam olhando. Quando vínhamos a praia isso sempre acontecia. A maioria deles, desde o primeiro ano e até os repetentes, vem para a praia dia de sexta feira, e todos tem um só objetivo: tirar um pedaço das Angels.
O apelido mais clichê que pode existir, eu sei, mas assim, não fomos nós que nos apelidamos assim. No nono ano, quando todos nós entramos no ensino médio, uma garota do último ano começou a nos chamar assim, e quando vi, todos já nos conheciam desse jeito.
E os nossos amigos? Bem, eles eram os garotos mais sortudos de todo o colégio. Na cabeça das pessoas, só fato de que alguns garotos dividiam o círculo social com a gente, já faziam deles uns Deuses. E desculpa estragar os sonhos de alguns, mas eu conheço esses garotos desde criança. Eles são a minha vida.
Uma bola de futebol americano caiu perto de nós no exato momento que eu me deitei de barriga para baixo.
E senhor, eu não estava acreditando naquilo.
Nunca tinha visto Vinnie sem camisa. Nunca o tinha visto sem a calça também. E lá estava ele, andando até nós enquanto usava só o seu calção de banho. Sabia que ele tinha tatuagens, menos que Aaron, claro, mas não sabia que eram muitas.
E meu Deus, que garoto gostoso.
Nunca vou contar isso para ele.
Abaixei o óculos escuro assim que ele de agachou não minha frente. Ao me ver, soltou um sorriso de lado, pegando a bola de futebol com as mãos.
— Belas mãos.
— Belas pernas. — Ele diz, e enquanto se afasta, não tira o sorriso presunçoso dos lábios.
Revirei meus olhos, mas no fundo, eu estava amando aquela sensação que ele tinha me proporcionado. Sabia que era algo totalmente carnal, mas estávamos falando de Vinnie. As meninas do primeiro ano que também estavam na praia, babavam em cima de um garoto quatro anos mais velho que elas.
Cruzei meus braços abaixo de mim e deitei minha cabeça em cima do mesmo, afastando meu pensamento do barulho da praia. Mesmo sendo quatro e meia da tarde, o sol parecia que era de meio dia, e eu sabia que iria sair de lá com pelo menos alguns marquinha.
Senti um toque gelado no meio das minhas costas e assustei. Levantei a cabeça, olhando para o lado, e dou de cara com Aaron, sentado na areia ao meu lado, fitando mortalmente alguém que estava bem próximo dele.
Confusa, levantei mais a cabeça, e perto do mar, encontrei o motivo de sua fúria toda. Alguns meninos, mais velhos que nós, provavelmente universitários, me encaravam descaradamente. E bem, agora eu já sabia porque o tatuado estava desse jeito.
— O que você está fazendo, Aaron? — Eu perguntei, encarando descaradamente sua mão no meio das minhas costas.
— Nada demais.
— Eu sei me cuidar sozinha, Liebregts.
— Esses garotos estão te encarando demais. — Ele da um suspiro pesado e volta a dizer, trazendo seu olhar até mim. — Não gosto muito disso.
— Foi assim que nos conhecemos, no nono ano. — Eu digo, deitando novamente na areia. — Você estava fazendo exatamente a mesma coisa que eles, e se não me engano, demorou umas três semanas até eu falar com você.
O moreno na minha frente me olha com desdém, e logo após, desvia o seu olhar para o mar, bem distante de mim. A mão de Aaron não estava mais em minhas costas, e agora, ele estava quieto, soltando uma risadinha.
— Você é uma filha da puta. — Ele diz. — Não faço ideia de como eu ainda consigo gostar de você.
Solto um sorriso presunçoso e me deito novamente n minha canga de praia. O sol ao bater na minha pele, ardia como fogo, e eu estava começando a gostar da sensação. Era Janeiro, tecnicamente, deveria fazer frio. Mas todos nós moramos em Miami, e em Miami frio nunca há.
Minhas amigas riam entre si sobre piadas, e os meninos jogavam bola na areia do entardecer. Até Vincent, minutos depois, se juntou aos mesmos caras, passando a bola de mão em mão.
— Isso aqui basicamente virou um treino ao vivo? — Liza disse, se ajeitando em sua cadeira de sol.
— Acho que sim. — Nai a respondeu, e apontou para longe com o queixo. — E acho que as meninas gostaram.
Soltamos uma pequena risada ao ver as garotas sentadas na areia, seguindo a cada passo que eles davam. Era hilário, mas não podia esquecer que todos nós já passamos por essa fase, quando você espera que aquele garoto do último ano vá finalmente olhar para você.
Trevor era meu garoto do terceiro ano. Até pedir demais de mim.
Sinto que o sol ficou cinza e as águas do mar escureceram. Esse era o efeito que Flintch tinha sob mim, todas as vezes que eu pensava nele. Minhas energias eram sugadas, toda minha vida se resumindo a pequenos quatro anos de existência. Depois de tanto tempo, a única coisa que pude fazer foi me acostumar que a sombra dele sempre estaria aqui.
Meu celular acendeu em uma notificação, e rapidamente o peguei em mãos. Uma mensagem de mamãe brilhava na tela, e eu senti todos os pelos do meu corpo se arrepiarem assim que bati os olhos nela.