❝ Então se quiser irritar seus pais, me namore para assustá-los, mostre que você está crescida. Se o cabelo comprido e as tatuagens são o que te atraem, amor, você está com sorte. ❞
Claire Dugray nasceu em berço de ouro, filha de um dos empresários...
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Coral Gables, Miami
— NINGUÉM ESTÁ SEGUINDO A GENTE, CLAIRE. — Eu voltei a afirmar, olhando de relance para o rosto da loira ao meu lado. — Eu peguei um atalho diferente. Estamos indo pra sua casa.
— Não! — Ela exclamou. — Lá vai ser o primeiro lugar que vão procurar. Preciso que Kyle suma da minha vida por instantes.
— Tudo bem, tudo bem! — Digo, virando à esquerda. — Vamos para a minha casa.
No rádio, alguma música em espanhol tocava. Nossos vidros estavam abertos, e Claire estava encostada na janela, com o vento esvoaçando seus cabelos. Olhei para a cena, e soltei um sorriso.
Meus olhos estavam cravados no retrovisor a todo momento. Olhando para a rua, procurando ver se não havia nenhum carro suspeito nos perseguindo por ali.
Minha casa apareceu no campo de visão logo depois. A oficina do meu pai ao lado, e a casa bem colada. Em Little Havana, todos se conheciam. Mesmo estando aqui a pouco tempo, eu conhecia quase todos.
— Achava que você iria me levar para o barco. — Ela falou, desafivelando o cinto assim que estacionei na frente da casa.
— Você precisa descansar.
Eu respondi, já saindo de dentro do carro. Segui atrás de Claire até a entrada da minha casa. A porta estava aberta, já que a tranca não funcionava direito. Atrás de mim, ela vinha.
Meu pai dormia na frente da televisão quando chegamos a sala. Andamos pelo corredor esguio, indo até o final. Abri a porta, ligando o ventilador.
— Toma essa camiseta. — A entreguei, tirando diretamente do pequeno closet na parede. — Vai ficar grande, mas deve ser confortável.
O banheiro ficava no corredor, e não havia muito espaço no quarto. Então, virei-me de costas, esperando até quando Claire pudesse me dizer para virar de volta.
Como imaginei, a camiseta ficava enorme. Acima dos joelhos, pelo menos um palmo, a parte de cima era puxada mais por conta dos seus seios. Eu entendia porque aqueles garotos eram malucos em Dugray, ela era muito bonita. De rosto, e de corpo.
De personalidade, nem tanto.
— Você prefere a parede ou o corredor?
— A parede. — Ela comentou. Dei espaço para ela escalar a cama, e assim que fez, me deitei ao seu lado.
Existia um vão entre nós, e eu me mantinha do meu lado. O ventilador, no teto, lutava para conseguir ter forças para rodar. Estava fazendo um calor forte, húmido, típico da Flórida dessa época do ano. Faltam dois meses para o verão, e mesmo assim, o calor já é de matar.