❝ Então se quiser irritar seus pais, me namore para assustá-los, mostre que você está crescida. Se o cabelo comprido e as tatuagens são o que te atraem, amor, você está com sorte. ❞
Claire Dugray nasceu em berço de ouro, filha de um dos empresários...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
MIAMI, FLÓRIDA.
HOJE ERA DIA DE PRAIA. Depois da aula, nos dividimos nos carros e não demoramos muito para vir à praia. Ela estava lotada, a pequena faixa de areia coberta com quase todos os alunos do Sandia. Era uma sexta feira perfeita.
Sentada no colo de Aaron, sentia o calor do sol penetrando minha pele enquanto ele passava protetor solar nas minhas costas. O suave toque dos seus dedos desencadeava uma mistura de sensações prazerosas e um arrepio de excitação percorria minha espinha.
— Ei, Claire, conta aí, como era aquele namoro falso com o Vinnie? — Mia provocou, com um sorriso maroto estampado no rosto. Ela olhou para as outras meninas, que riram da pergunta. Sorri também, eu sabia que Aaron estava sério.
— Porque você tá perguntando isso? — Aaron perguntou, bagunçando o cabelo de Mia.
Arqueei uma sobrancelha e ri de leve.
— Ah, era só fachada, sabe? Eu fingia que estava com o Vinnie e ele fazia o papel de namorado perfeito pros meus pais. — Comecei a falar, brincando com a areia nos meus pés. — Mas, vamos ser sinceros, era o Vinnie. Ele era só um cara comum.
As minhas amigas gargalharam, soltando piadinhas sobre a suposta falta de grana do Vinnie. Éramos um grupo privilegiado, acostumados com luxo e riqueza, e mesmo que parecesse idiota, era o que fazia a gente ser a gente.
Vinnie não era um cara comum. Mas preferi deixar essa informação só pra mim.
Enquanto o sol castigava a nossa pele e as ondas quebravam ao nosso redor, aproveitei o momento para me entregar aos beijos com Liebreghts. Fiquei muito feliz por voltarmos a ser o que éramos antes. Ele se desculpou, alguns dias atrás, pela gafe na festa, assumiu que era os ciúmes.
Eu me sentia mais segura com ele.
Eu e ele nos envolvemos em um amasso apaixonado na areia quente, os beijos fervorosos nos fazendo esquecer de tudo ao redor. Eu me sentia viva, em êxtase, completamente entregue àquele momento mágico.
Mais tarde, Aaron me levou para casa em seu jeep, o vento bagunçando meus cabelos enquanto eu apoiava minha cabeça no ombro dele. Eu conseguia sentir a preocupação em seu olhar, como se ele notasse as mudanças que ocorreram em mim em tão pouco tempo.
— Claire, você mudou bastante, tão rápido. Você está bem? — ele perguntou, sua voz transbordando de preocupação genuína.
Forcei um sorriso, tentando acalmá-lo.
— Estou bem, de verdade. Só estou aprendendo a me libertar, a aproveitar a vida sem me importar com as expectativas dos outros. Não se preocupe, estou aqui, com você. — Segurei em sua mão, dando um sorriso. Sei que para Aaron aquelas palavras foram nada com nada.
Ele assentiu, seus olhos encontrando os meus, buscando respostas que eu mesma não tinha. Continuamos a percorrer as ruas quentes de Miami, o sol se pondo no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e rosa.
Me despedi de Aaron com um beijo, prometendo a ele que iria ligá-lo em algum momento era da noite. Era mentira, eu tinha outros planos. Por isso, abri o bar do meu pai e acabei a minha primeira garrafa de tequila em quase trinta minutos.
Quando cheguei em casa, senti um vazio preencher o ar. Estava sozinha de novo, com apenas minhas próprias companhias. A mansão que me envolvia parecia um palácio solitário, repleto de vazios que nem a riqueza podia preencher.
Deitei-me na cama, sentindo a falta de calor humano ao meu redor. Tantas noites solitárias, mesmo cercada por todo esse luxo. Era um paradoxo cruel, mas algo dentro de mim ansiava por conexões reais, além do materialismo superficial.
Minha cabeça girava, agora comandada pelo álcool, e a única coisa que vinha a minha mente era a minha noite com Vincent alguns dias atrás. Como ele pode simplesmente me deixar ali? Eu estava um caco, eu precisava dele.
Abri a minha segunda garrafa de tequila com a esperança de ganhar mais coragem a cada gole. Eu sabia o que eu faria daqui a um tempo. Era só uma forma de me confortar e tentar afastar a culpa para bem longe.
Peguei meu celular e olhei para o nome de Vincent na lista de contatos. Apesar das nossas diferenças e do "término turbulento", senti um impulso de falar com ele. Exatamente por isso que vocês estão pensando.
Tomei coragem, discando o número e segurando o telefone junto ao ouvido. Ele atendeu de forma ríspida, provavelmente surpreso com a minha ligação.
— O que você quer, Claire? — sua voz soou fria do outro lado da linha.
Tomei um gole de coragem (tequila), minha voz soando um pouco embriagada.
—Acho que fizemos tudo errado. Eu estava com medo, medo de perder meu irmão, de me mudar para o Tennessee. Não sei, eu...
Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Pude ouvir Vincent soltar uma risada sarcástica.
— Você está bêbada, Claire. Isso é uma péssima ideia. — Respondeu. Eu ouvia um barulho do outro lado da linha, mas eu não sabia distinguir o que aquilo era. Desligue o telefone e vá descansar.
Meu coração apertou, mas eu sabia que ele tinha razão. Talvez estivesse apenas me iludindo com a ideia de reviver algo que nunca foi real.
Funguei, chorando por alguma razão que eu não sabia ainda. Não sei porque, mas achava que Vinnie maneiraria nas palavras. Relutantemente, desliguei a ligação e me aconcheguei na cama, chorando baixinho.
Não sei quando eu dormi, mas sei que acordei no dia seguinte com o sol batendo em meus olhos. O dia estava começando, provavelmente nascendo ainda, mas a minha varanda estava aberta e a cortina esvoaçava com o vento. Mas ali tinha algo que eu sabia que não havia deixado ali.
Uma camiseta, com as cores do meu colégio, pendurada na porta. Me levantei da cama, cambaleando pela dor de cabeça, e caminhei até a varanda.
Era dele. Era uma das camisetas de treino de Vincent. A numeração estava estampada assim como o seu sobrenome, bem na costa. Olhei pelo parapeito, mas não encontrei nada.
Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios. Ele esteve aqui enquanto eu dormia. Peguei a camiseta e a abracei levemente, sentindo seu cheiro familiar.
Mesmo com todas as incertezas e desafios que nos esperavam, havia algo ali, uma conexão inegável, ou sei lá o que poderia explicar aquilo. Ainda não entendia, e nem sabia quando iria entender.