Mel ~👠
-Porque está rindo?-Pergunto pronta para desligar na cara do Lucas que ria sem parar.
-Não achou engraçado?-Tiro o celular do ouvido reconsiderando se não deveria mesmo desligar.-Tirando toda a tragédia é óbvio que tem graça.
-Eu não deveria estar falando com você, porque me dou esse trabalho mesmo?-Porque era mais fácil recorrer a pessoa mais sensata da família e infelizmente essa pessoa era o Lucas.
-Fala sério Mel, a mulher denuncia o cachorro do ex, nega conciliação e no dia do julgamento acusa a promotora de acusar o ex dela apenas para defender ele, sendo que inicialmente ela estava o acusando.-Ele repete meu relato e nada pode ser mais frustrante de ouvir, eu fui acusada de estar acusando! injustamente o senhor, já réu da ação da acusante número 1, embora ela quisesse apenas acusar o cão do réu, o que não faz sentido já que se trata de um animal irracional. Nada fazia sentido nesse lugar mesmo, não sei porque eu estava tão frustrada com aquilo, era de se esperar.-Menos complexos impossível, há como deve ser legal atuar aí, tenho inveja de você.
-Se considere sortudo, se eu estivesse aí você já estaria morto.-Ameaço sem dó.
-Tirando isso, como você se sente?-Um trapo, puta da vida, frustrada, pronta para cometer um crime e utilizar o meu réu primário, eu queria ir para casa. Era isso que eu queria falar, mas sabia que se falasse isso um helicóptero surgiria do nada em menos de 5 segundos para me resgatar.
-Estou bem, se olharmos pelo lado bom da coisa Santos elogiou minha oratória.-Não, como ele disse mesmo?-"Olha só, embora não tenha dado em nada eu estou surpreso que você saiba onde procurar a lei e em como aplicá-la, definitivamente me surpreendeu, continue assim." Porque acho que ele diria o mesmo se tivesse adestrando um cão?
-Olha só, não era isso que você queria?-Ele aponta mais que pergunta.
-Não sei, eu achei que era, mas não conquistei nada, foi apenas uma bagunça.-Dou de ombros, é claro que estava feliz, mas sei lá, parece que eu estraguei tudo outra vez.
-Você é a bagunça, Mel.-Ele fala rapidamente, quase engolindo as palavras.
-Tá tudo bem? Está ocupado? Quer que eu ligue depois?-Pergunto passando direto da pensão sem a intenção de entrar agora e indo em direção aos limites da cidade, meu apartamento estava ficando claustrofóbico depois de tanto tempo que passei encarando o papel de parede.
-Não Mel, na verdade...-Ele hesita, mas ele nunca hesitava, ele era Lucas, afinal, tinha sempre uma resposta na ponta da língua.-Na verdade eu gostaria de falar com você, não. Droga, na verdade eu quero te contar uma coisa.
-Por que está tão nervo..-MIAU, MIAU, MIAU.-Mas que droga é essa?-Aumento meus passos e avisto um cara chutar uma sacola de plástico mais a frente.
-Mel? O que foi?-Lucas pergunta, mas observo atentamente o homem a frente, ele estava fazendo o que eu achava que estava?
-Lucas preciso resolver uma coisa, falo com você depois.
-HEY!!!-Grito assim que desligo o telefone, o cara olha rapidamente para mim, com o sol brilhando a suas costas eu não consigo focar em seu rosto, assustado ele apenas corre, mas antes ele me lança um aceno com a cabeça que me arrepia da cabeça aos pés. Que raios foi isso? Ignorando meu bom senso e meu sexto sentido farrapeiro eu corro até a sacola abandonada no chão que se contorcia conforme o gatinho miava.
-Calma amiguinho, calma.-Falo baixinho ao me aproximar, ele continua se contorcendo o que dificulta o meu trabalho em desatar o nó, minha mão tremia ao imaginar o estado do animal, eu vi claramente quando aquele brutamontes chutou a sacola mais de uma vez parecendo não ter alma nenhuma.-Vai ficar tudo bem amiguinho, vai ficar tudo bem.-Eu tentava me controlar. Assim que consigo abrir a sacola, um gato cinza pula para fora arranhando minha mão no processo.
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Doce Destino - Em Andamento
ChickLit"-Mel, meu amor, você sabe que amamos você e sempre respeitamos suas escolhas independentemente de quais sejam elas, então eu vou te fazer a pergunta que sempre te faço.-Mamãe fala acariciando minha bochecha.-Onde você quer estar daqui a 10 anos? On...
