Amigo Colorido

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Passamos a noite assim, conversando e nos entregando um ao outro ali, naquela cama. Acabei dormindo na casa dele.

Acordo sentindo um carinho leve em meu rosto. Abro os olhos devagar e vejo Jungkook me encarando com um sorriso caloroso.

— Bom dia, Bunny — ele diz, com a voz mansa de quem acabou de acordar.

— Bom dia, Kook. Que horas são? — pergunto, me espreguiçando.

— Não sei. Você tem algum compromisso hoje?

— Marquei de ir ao cinema com um amigo.

O sorriso dele vacila de leve, e ele arqueia uma sobrancelha.

— "Amigo"? É um homem?

— Uhum. Meus pais deram um jantar e o conheci lá.

— Hum, entendi — ele responde, tentando parecer indiferente, mas falhando um pouco.

— O que foi? — provoco, segurando o riso. — Não posso ter amigos? Aposto que você também deve ter várias amigas.

— Desculpe, não pensei nisso — ele admite, passando a mão pelo cabelo. — É só que... ontem foi tão bom que não quero perder o que temos.

— Relaxa, Kook. Eu também não quero perder isso. E não que eu te deva explicações, mas ele é só meu amigo mesmo. Quer dizer, eu só o vejo como amigo. Já ele, eu não sei.

— Aposto que ele não te vê assim — Jungkook retruca na hora. — Quem seria idiota o bastante para te ver apenas como amiga?

— Você! — dou risada, apontando para ele. — Somos amigos, afinal. Coloridos, mas amigos.

Ele faz uma careta impagável.

— Vou fingir que nem escutei isso — fala, levantando-se da cama. — Vem, vou preparar o nosso café da manhã.

— Posso tomar um banho antes?

— Mas que pergunta é essa? Claro que pode. Vem, vou te dar uma toalha e uma escova de dentes.

Acompanho-o com o olhar enquanto ele mexe no armário.

— Você sempre tem escovas de dentes sobrando por aqui?

Ele para o que está fazendo e me olha com um sorriso ladino.

— Isso é ciúmes?

— Vamos mudar a palavra para "curiosidade" — desvio, arrancando uma risada gostosa do moreno.

Ele entra no banheiro e logo volta, me entregando uma escova na embalagem e uma toalha limpa.

— Respondendo à sua curiosidade: tenho reservas porque minha mãe me visita às vezes. Eu não trago qualquer pessoa para a minha casa, muito menos quem eu não conheça bem. Geralmente, levo minhas "amigas" a motéis. Você é a primeira mulher que trago aqui.

Ouvir aquilo faz meu estômago dar um leve sobressalto de felicidade. Aproximo-me dele, dou-lhe um beijo rápido nos lábios, aperto suas bochechas e corro para o banheiro.

Depois de um banho caprichado, sigo em direção à cozinha guiada por um aroma delicioso. Paro na porta e visualizo a cena. Jungkook está de costas, cozinhando sem camisa. Aproximo-me em silêncio, sento-me na bancada e fico admirando aquele homem que parece ter sido esculpido por deuses, concentrado em preparar a nossa refeição.

— Devo me sentir sortuda por estar na sua casa e ainda ganhar um café da manhã preparado por você? — pergunto, quebrando o silêncio.

Ele se vira de lado, me olhando convencido.

— Uhum. Nunca fiz isso por ninguém. Então, sim, pode se achar muito sortuda.

Abro os braços e jogo a cabeça para trás, fingindo dramaticamente.

— Obrigada, meu Deus, por essa bênção! Estou imensamente feliz com essa oportunidade única! — Termino a frase caindo na gargalhada ao ver a cara feia que ele faz.

— Não sabia que você era debochada desse jeito.

— Ah, então sinta-se sortudo também. Não sou assim perto de quem eu não conheço — pisco para ele e mando um beijo no ar.

— Você sempre acorda assim? — ele pergunta, encostando-se na pia.

— Assim como?

— Puro deboche.

— E você, sempre acorda assim? — Devolvo a pergunta. Ele não diz nada, apenas arqueia as sobrancelhas, me encarando. — Pura implicância.

Ele semicerra os olhos e passa a língua por dentro da bochecha, tentando manter a pose marrenta, mas não resiste e começa a rir junto comigo.

Tomamos o café em meio a conversas leves e risadas. Quando terminamos, decido que é hora de ir. Me despeço e já estou quase cruzando a porta quando ele segura meu braço delicadamente.

— Posso te levar em casa?

— Imagina, posso pegar um táxi. Não quero te atrapalhar.

— Vem, deixa eu te levar — ele insiste, pegando as chaves. — Não atrapalha em nada, eu mesmo estou oferecendo a carona.

— Se você insiste tanto... vamos então.

Entramos no carro e eu lhe digo o endereço. Minha casa não fica muito longe dali; em cerca de dez minutos, ele estaciona em frente ao meu portão. Abro a porta para descer e noto que ele também desliga o motor e sai do veículo.

— Prontinho. Agora eu sei onde você mora — ele diz, com um sorriso vitorioso.

— Ah, então foi por isso que insistiu tanto em me trazer? Devia ter percebido a sua segunda intenção.

— Você sabe onde eu moro, nada mais justo do que eu saber onde você mora também.

— Não podia esperar eu te convidar? — provoco.

— E se você não me convidasse? Eu ficaria sem saber — ele rebate, cruzando os braços.

— Claro que eu iria te convidar! Eu fui à sua casa, a próxima vez seria na minha.

— Hum... Então vou esperar pelo convite. Vamos fingir que eu ainda não sei onde é — ele fala, mudando a expressão para uma carinha fofa e fazendo um bico adorável.

— Não vale! Fazer essa cara é jogo sujo, Kook!

Ele solta uma risada gostosa e me puxa para um abraço apertado.

— A sua reação às minhas bobeiras é a melhor coisa do mundo.

Minha BunnyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora