O Jantar

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O expediente no escritório finalmente chegou ao fim. Recolhi meus pertences e fui direto para casa, ansiosa por um banho que levasse embora as horas intensas de trabalho, e os pensamentos clandestinos que insistiam em me ligar a Jeon Jungkook.

Diante do closet, decidi não dar motivos para a minha mãe se empolgar. Escolhi a armadura mais neutra possível: o clássico e infalível vestido preto básico. Nada de decotes profundos ou fendas chamativas. Optei por uma maquiagem leve, apenas para mascarar o olhar cansado, e finalizei com algumas borrifadas do meu perfume de baunilha favorito. Eu estava pronta para o abate.

Estacionei na fachada da casa dos meus pais e respirei fundo antes de tocar a campainha. No íntimo, eu só conseguia rezar para que o convidado da noite não fosse mais um herdeiro arrogante e insistente que passaria as próximas semanas enchendo o meu saco. A porta foi aberta pela governanta, a quem cumprimentei com um sorriso gentil, e logo dei de cara com a minha mãe cruzando o hall de entrada de braços abertos.

— Filha! — Anna me abraçou apertado. — Hoje temos uma visita realmente especial. Tenho certeza absoluta de que você vai adorar.

— Eu também estava com saudades, mãe. E sim, meu dia foi ótimo, obrigada por perguntar — brinquei, desfazendo o abraço.

— Pare com isso, menina. Eu já sei exatamente como foi o seu dia — ela rebateu, gesticulando com as mãos. — Seu pai me ligou e contou tudo sobre o enorme contrato que você fechou hoje. Por isso mesmo organizei este jantar, para comemorarmos.

Arqueei uma sobrancelha, soltando uma risada debochada. 

— Uau, mãe. Realmente muito atenciosa da sua parte. Organizar um jantar para comemorar a minha vitória profissional com alguém que eu sequer conheço.

— Ai, S/N, onde foi que eu errei com você? — ela suspirou, fingindo drama. — É apenas um jantar formal. Para que tanto teatro?

— O último jantar "apenas formal" que você organizou me rendeu uma dor de cabeça sem fim. Aquele homem me perseguiu por um mês inteiro, mandando flores e mensagens inconvenientes no meu ramal de trabalho.

— Certo, eu peço desculpas por aquilo. Aquele sujeito era realmente horrível — ela admitiu, segurando minhas mãos. — Mas o de hoje é diferente, eu juro. Ele é ótimo. Vamos, filha, colabore. Tente pelo menos ser simpática.

— O que eu não faço por você, não é? — suspirei, rendendo-me. — Eu tenho alguma escolha dessa vez?

— Sabe perfeitamente que não — ela riu, vitoriosa. — Nem sei por que ainda pergunta.

Antes que eu pudesse retrucar, os passos do meu pai ecoaram pelo corredor. Ele vinha acompanhado de seu convidado. Minha mãe, agindo rápido, segurou meu pulso e me puxou delicadamente para a frente deles, assumindo o papel de anfitriã.

— Querido, veja quem chegou — Anna sorriu radiante. — Minha filha, este é o Yoongi. Ele se mudou há pouquíssimo tempo para o Brasil. E Yoongi, esta é a S/N, a minha filha de quem eu estava lhe mostrando a reportagem na revista mais cedo.

O homem deu um passo à frente. — Olá, S/N. É um prazer. Sua mãe realmente passou a tarde inteira falando de você.

— O prazer é meu, Yoongi — respondi, estendendo a mão e oferecendo-lhe um sorriso educado.

Enquanto apertávamos as mãos, aproveitei para analisá-lo de relance. Precisei dar o braço a torcer: dona Anna tinha caprichado na escolha daquela vez. Yoongi tinha os cabelos tingidos em um tom de loiro que contrastava perfeitamente com sua pele incrivelmente alva, branca como a neve. Seus olhos eram puxados, com traços asiáticos marcantes, e ele ostentava uma postura reservada, elegante. Era dono de uma beleza exótica, daquelas que raramente se via cruzando as ruas do Brasil.

Minha BunnyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora