Forcei minhas mãos a se apoiarem na mesa, respirando fundo para dissipar os últimos vestígios de adrenalina que ainda insistiam em correr pelas minhas veias. Ajeitei os papéis desalinhados à minha frente, assumindo minha postura de CEO implacável, e encarei o advogado da multinacional.
— Bom dia — comecei, minha voz saindo firme, sem denunciar o caos que havia se instalado no meu peito. — Vamos dar início à reunião, por favor. Sr. Pedro, pelo que constava nos relatórios enviados previamente, eu trataria da parceria diretamente com o Sr. Jeon. Onde ele está?
O homem sorriu cordialmente, ajeitando os óculos.
— Bom dia, Sra. S/N. O Sr. Jeon infelizmente não pôde comparecer hoje devido a uma urgência pessoal de última hora na Coreia. Por isso, ele enviou seu filho e sucessor direto, o Sr. Jeon Jungkook — ele gesticulou em direção ao moreno à minha frente. — Garanto que ele tem tanta capacidade para tratar dos termos desta parceria quanto o pai.
Assenti, engolindo em seco enquanto desviava os olhos para o rapaz. Então o nome dele é Jungkook.
— Sou S/N, prazer — estendi a mão por cima da mesa, sustentando o olhar dele. — Espero que possamos construir uma parceria sólida e de sucesso entre nossas agências.
— O prazer é todo meu, S/N — a voz dele saiu baixa, aveludada, e o fato de ele ter omitido o meu "Sra." deliberadamente fez meu estômago dar voltas. — Digo o mesmo.
Ficamos nos encarando por um segundo longo demais, uma conversa silenciosa acontecendo sob a superfície protocolar. Logo, quebrei o transe e dei início à apresentação. Analisamos a proposta da Jeon Holdings detalhadamente, avaliando como cada cláusula se encaixaria na engrenagem da minha empresa. Pontuei algumas modificações estratégicas e, para a minha surpresa, Jungkook concordou com todas de prontidão, demonstrando uma visão de negócios afiada.
— Bom, por mim está tudo alinhado — o Sr. Souza se levantou, recolhendo sua pasta. — Me despeço aqui. Tenham um bom dia.
Pedro seguiu o exemplo do meu advogado. — Também me despeço, senhores. Um ótimo dia e parabéns pelo acordo.
Assim que a porta se fechou, restando apenas nós dois, o clima na sala mudou instantaneamente. O ar parecia mais denso.
— Se quiser, posso lhe mostrar as instalações da agência para que conheça nossa estrutura — ofereci, levantando-me.
— Eu adoraria — ele respondeu, com um meio sorriso que quase me fez perder a postura.
Passamos a hora seguinte caminhando pelos andares da empresa. Mostrei os estúdios de fotografia, as salas de ensaio e os setores administrativos. Quando demos por nós, o relógio já apontava o horário do almoço.
— E esta, finalmente, é a minha sala — comentei, abrindo a porta do meu escritório particular. Indicou a cadeira em frente à minha mesa e nos sentamos. — Deseja tomar alguma coisa?
Antes que ele pudesse responder, Lívia entrou discretamente.
— Água, por favor — Jungkook pediu. Acenei para minha secretária, que se retirou e voltou segundos depois com um copo de vidro com água gelada.
— Sra. S/N — Lívia chamou minha atenção antes de sair novamente. — Sua mãe ligou. Ela perguntou se a senhora está livre esta noite, pois deseja muito que jantem juntas.
— Obrigada, Lívia. Pode deixar que eu ligo para ela mais tarde.
Olhei para o relógio de pulso e soltei uma risada fraca.
— Nossa, olhe a hora... o tempo passou tão rápido que eu nem percebi que ainda não comi nada hoje. — Levantei a cabeça, encarando o homem de terno impecável à minha frente. — Vou almoçar em um restaurante aqui perto. Se estiver livre, podemos comer juntos e aproveitar para falar mais sobre os planos da sua empresa.
Jungkook inclinou o corpo para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Claro. Eu aceito o convite.
Deixamos o prédio juntos, a passos calmos. O sol de meio-dia brilhava forte quando começamos a atravessar a rua em direção ao restaurante. No meio do trajeto, no entanto, senti os dedos firmes de Jungkook envolverem meu antebraço com delicadeza, fazendo-me parar na calçada.
— Aceitei almoçar com você, S/N, mas não para falar de trabalho — ele confessou, os olhos escuros fixos nos meus, sem o filtro profissional de antes.
Senti um arrepio. — Sim... eu imagino. Também quero falar sobre o que aconteceu.
— Certo. Esse restaurante para onde estamos indo tem salas privadas? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Tem sim. Foi exatamente por isso que eu o escolhi — respondi com um sorriso cúmplice.
Voltamos a andar e logo entramos no estabelecimento. Solicitei uma das salas VIPs à recepcionista e fomos prontamente encaminhados para um espaço reservado e silencioso. Fizemos nossos pedidos rapidamente e, assim que o garçom nos deixou a sós, o silêncio se instalou. Foi Jungkook quem o quebrou.
— Foi uma surpresa absurda ver você entrando naquela sala de reuniões mais cedo — ele admitiu, encostando-se na cadeira e soltando o ar devagar. — Eu não imaginava te encontrar vestindo um blazer de CEO.
— Digo o mesmo — confessei, sentindo minhas bochechas esquentarem de leve. — Ontem as coisas foram tão intensas e loucas que... bem, eu nem sequer perguntei seu nome. E muito menos disse o meu.
Jungkook coçou a nuca, parecendo subitamente tenso, um contraste raro com a sua postura imponente. — É... E como nós fazemos agora?
Olhei para ele com seriedade, mas sem perder a leveza.
— Não sei. Somos adultos, certo? Não fizemos nada de errado. Ontem eu estava procurando um momento de diversão e encontrei você. Não precisa ficar preocupado, Jungkook, eu não vou ficar no seu pé ou misturar as coisas. — Um sorriso surgiu nos meus lábios ao ver o alívio cruzar a expressão dele. — Sei que você estava procurando exatamente o mesmo que eu.
Ele soltou uma risada baixa, parecendo genuinamente relaxado.
— Sim. Por isso não insisti em perguntas quando você decidiu manter o mistério ontem à noite.
— Então estamos acertados — decretei, apoiando os braços na mesa. — Essa parceria internacional é vital para a minha agência e eu sei que é importante para a sua também. Não vou deixar que a nossa... diversão atrapalhe os negócios.
— Ainda bem — ele falou, balançando a cabeça, um brilho de deboche surgindo em seu olhar. — Por um momento, confesso que fiquei tenso. Sabe que é difícil encontrar mulheres com a sua mentalidade hoje em dia. Geralmente, quando descobrem o meu sobrenome e o tamanho da herança da minha família, elas grudam em mim e não largam mais.
Soltei uma risada irônica, cruzando as pernas. — Acredite, Jeon. Eu digo exatamente o mesmo sobre os homens.
O comentário arrancou uma gargalhada sincera do moreno. O restante do almoço fluiu com uma leveza surpreendente. Conversamos sobre o mercado de moda na Ásia e no Brasil, trocando experiências até que fosse hora de retornar. Nos despedimos discretamente na entrada do meu prédio; ele seguiu em direção ao seu carro importado e eu peguei o elevador rumo à minha sala.
Assim que me acomodei na minha cadeira, peguei o celular e disquei o número da minha mãe, confirmando o jantar para aquela noite.
— Ah, que ótimo, querida! — a voz dela soou animada do outro lado da linha. — Teremos visitas importantes hoje, então, por favor, vá bem bonita, use um daqueles seus vestidos elegantes.
— Tudo bem, mãe. Até a noite — respondi e desliguei, soltando um suspiro pesado enquanto massageava as têmporas.
Eu já conhecia perfeitamente as intenções dela. Desde que meu nome começou a estampar capas de revistas de negócios e artigos de grande circulação, me pintando como a "jovem empresária prodígio, bem-sucedida e deslumbrante", minha mãe havia adotado uma nova missão de vida: me arrumar um marido de elite.
Eu só não imaginava o tamanho da surpresa que aquela mesa de jantar me reservava.
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Minha Bunny
Fanfiction- Reescrevendo - Aos 24 anos, S/N é o nome por trás de um império no mundo da moda, tendo superado o ceticismo do mercado e noites em claro para salvar a agência da falência. Agora, consagrada como uma das CEOs mais jovens e implacáveis do país, el...
