O som estridente do despertador rompeu o silêncio daquela manhã de segunda-feira. Abri os olhos devagar, lutando contra o peso do cansaço, mas antes mesmo que qualquer reclamação pudesse surgir, a memória da noite anterior me atingiu, trazendo um sorriso inevitável aos meus lábios.
Caminhei em direção ao banheiro e encarei o espelho. O reflexo que me devolvia o olhar ainda carregava os vestígios de poucas horas de sono e uma energia vibrante. Ontem, eu havia me permitido esquecer as planilhas e os contratos. Fui à balada e dancei até os meus pés clamarem por descanso. Não precisei de uma única gota de álcool para me divertir nunca gostei do sabor, mas a verdadeira embriaguez daquela noite teve outra origem.
Ele.
Visualizá-lo ainda fazia meu coração acelerar. O homem era simplesmente estonteante. Alto, com músculos bem marcados sob as roupas casuais, cabelos negros que caíam desalinhados e um dos braços completamente coberto por tatuagens que atiçavam a curiosidade. No meio da multidão barulhenta da pista de dança, ele operava como um ímã; era impossível não reparar. Para a minha sorte, a atração foi mútua. Nossos olhares se cruzaram e passei um bom tempo jogando com o magnetismo entre nós, sustentando o flerte através da música, até que ele finalmente se aproximou e sugeriu que saíssemos dali.
Não pensei duas vezes. Entreguei-me à intensidade daquele moreno misterioso. Passamos a noite juntos, em uma entrega que me fez esquecer do mundo lá fora, tanto que só percebi a hora quando precisei voltar para casa com os primeiros raios de sol já cortando o horizonte.
A água morna do chuveiro bateu contra as minhas costas, dispersando as lembranças e me trazendo de volta à realidade. O dever me chamava. Saí do banho e fui direto para o closet, selecionando a minha armadura diária: um vestido preto de corte reto que ia até a altura dos joelhos e um blazer azul-marinho perfeitamente alinhado. Olhei para o relógio e percebi que teria de pular o café da manhã se quisesse manter a minha pontualidade britânica.
Minutos depois, eu cruzava as portas de vidro da minha empresa.
— Bom dia — cumprimentei a minha secretária ao passar pela recepção, caminhando a passos firmes e confiantes em direção à minha sala.
Aos 24 anos, eu carregava o título de CEO de uma das agências de modelos mais famosas do país. Jovem, sim, mas extremamente competente. Meu pai havia me treinado desde cedo para os negócios, mas a sucessão não aconteceu com o planejamento idílico que o mercado costuma imaginar. No meu último ano de faculdade, a crise estourou. Fui pressionada a assumir o cargo às pressas; a empresa estava à beira da falência, o nome afundava em dívidas e nenhum dos antigos executivos queria o risco de liderar um barco que parecia destinado ao naufrágio.
Eu me desdobrei. Vivi no limite entre as salas de aula e as salas de reunião. Não foram poucas as noites que passei em claro, dormindo na própria cadeira da presidência, com o rosto iluminado apenas pela tela do computador. Foi um período doloroso, mas eu havia feito uma promessa ao meu pai: eu daria conta. Ele já tinha outras duas empresas para administrar e precisava focar nelas.
Tive que engolir o choro e enfrentar o ceticismo geral. Os sócios mais velhos riam da minha cara pelas costas, desdenhando da minha capacidade e apostando alto que eu colocaria a minha parte à venda em poucos meses. Mas eu provei que eles estavam errados. Reergui a agência do absoluto zero, transformando o caos no império que ela é hoje. Atualmente, ostento o título de uma das CEOs mais jovens e influentes do Brasil. Após dois anos de pura guerra corporativa, finalmente consigo respirar e me dar ao luxo de sair de vez em quando para curtir a vida.
Acomodei-me na minha cadeira de couro preta, sentindo o peso do poder que aquela sala emanava. Logo em seguida, a porta se abriu com suavidade.
— Bom dia, Sra. S/N — Lívia, minha secretária, entrou com uma postura impecável. — Hoje a sua agenda inclui a reunião com os representantes da empresa coreana Jeon, e também deixei aqui na mesa alguns papéis que precisam urgentemente da sua assinatura. — Ela estendeu os documentos e eu os peguei. — Precisa de mais alguma coisa?
— Eu acabei pulando o café da manhã, Lívia. Pode trazer algo leve para eu comer, por favor?
Ela assentiu com um sorriso profissional e se retirou.
Foquei a minha atenção nos contratos à minha frente. Li cada cláusula com a atenção minuciosa de sempre e assinei os papéis rapidamente. Não demorou muito para que Lívia retornasse com a minha refeição. Dei uma olhada no relógio: eu tinha exatos vinte minutos antes do início da reunião. Devorei a comida sem perder tempo e fui direto ao banheiro privativo escovar os dentes, retocando o batom logo em seguida. Eu estava pronta.
Caminhei até a sala de reuniões principal. Ao empurrar a porta, notei que todos já ocupavam seus devidos lugares. Meu advogado de confiança, o Sr. Souza, estava posicionado de um dos lados, enquanto o advogado e o representante da empresa Jeon ocupavam as cadeiras opostas.
Dei o primeiro passo para dentro da sala e, de repente, o ar me faltou. Meu corpo inteiro paralisou, congelando no lugar.
O representante da multinacional coreana ergueu os olhos para mim.
Era ele. O mesmo homem com quem eu havia compartilhado lençóis, sussurros e fôlego poucas horas atrás.
Seus olhos fixaram-se nos meus, espelhando o mesmo choque e a intensidade da noite passada. Ficamos ali, nos encarando em um silêncio ensurdecedor no meio daquela sala formal. Na balada, a urgência do desejo havia engolido qualquer formalidade. Nós não havíamos conversado sobre negócios, rotina ou passado.
Nós sequer sabíamos o nome um do outro.
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Minha Bunny
Fanfiction- Reescrevendo - Aos 24 anos, S/N é o nome por trás de um império no mundo da moda, tendo superado o ceticismo do mercado e noites em claro para salvar a agência da falência. Agora, consagrada como uma das CEOs mais jovens e implacáveis do país, el...
