Quando o olhar ingênuo e amedrontado de uma misteriosa criança, cruza com o protetor e feroz da determinada guarda municipal, Lalisa Manoban, o destino de ambas se entrelaçou de imediato e mudaria drasticamente. Em meio à uma ameaçadora corrida cont...
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Inferno pessoal
[Figurado] Vida atribulada ou de sofrimento.
LALISA
De todos os possíveis cenários que desenhei em minha mente para me preparar para o momento da despedida, nenhum serviu de consolo. Minha primeira batalha estava perdida.
As horas que antecederam a chegada da polícia e do juizado de menores, foram as mais agonizantes que passei! Por mais que eu dissesse para mim mesma que estava pronta para aquele momento, eu não estava. Uma parte de mim se mantinha firme, forte e compreensiva, tendo em mente que aquilo era um bem necessário. Já a outra, só queria agarrar minha filha e sair correndo dali para qualquer lugar onde nunca mais pudessem nos encontrar.
Aquela velha luta interna entre razão e emoção, e o mais sensato no momento era deixar a razão vencer. Não dava para agir de forma imprudente e perder de vez a guerra que se iniciara. A dor da separação me rasgava por dentro como uma faca afiada e em chamas, doía mais do que poderia imaginar, mas precisava acreditar que tudo se resolveria e ela estaria comigo novamente. Abrir mão dela eu não iria, lutaria com todas as armas que tínhamos para provar que o lugar dela é ao meu lado.
Havia se passado duas horas desde que me trouxeram para a delegacia onde James era o delegado responsável, eu sabia que Jennie e ele já tinham conversado sobre tudo o que acontecera antes e, de como Eun-Na foi parar na minha casa. Mas, a vergonha ainda estampava meu rosto diante da pessoa que me ensinou tantas coisas dentro da nossa profissão, James não era só meu superior, era meu amigo e nutríamos um respeito muito grande um pelo outro.
- Não fique assim minha criança! Você não comeu nada! Precisa se alimentar e erguer essa cabeça para lutar.
- Estou envergonhada por ter feito isso com você.
- Por ter agido como um ser humano com coração e sentimentos? Como uma mãe? Querida, eu jamais me decepcionaria com você por ter feito o que fez.
Repassei em minha mente tudo o que aconteceu desde que meus olhos se cruzaram com os de Eun-Na pela primeira vez e, apenas tive a certeza de que eu teria feito tudo de novo pela satisfação de vê-la sorrir.
- Eu quero que você saiba, que eu não quis em momento algum prejudicar ninguém! Não era minha intenção envolver tanta gente. Mas agora eu vou precisar de toda ajuda possível para reverter essa situação.
- Quanto a isso não se preocupe, querida. Jennie é muito boa no que faz! Acredito que iremos obter o melhor resultado.
- Você acha que posso perder minha insígnia? Tenho medo de perder meu trabalho e não poder mais atuar na polícia.
- Isso é algo que estou correndo atrás! Por enquanto se preocupe em recuperar sua filha, do resto nós damos conta.
A vida era um karma bem grande e eu me pergunto agora, o que raios eu fiz para passar por tudo isso? Meu único crime foi amar, cuidar e proteger Eun-Na de um futuro triste, solitário e infeliz. Sabe-se lá o que seria dela se ainda estivesse com a idiota que se dizia mãe dela e o canalha agressor.