Mãe

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Uma mulher se torna mãe quando dá tudo de si por um ser tão indefeso.

- Dorama "Mother"

LALISA

Respirar, um ato necessário para a sobrevivência de qualquer ser e, eu passei mais de um mês sem saber como era fazer isso tranquilamente.

Foram dias extremamente difíceis, amargos e com poucos sorrisos, aliás, os únicos sorrisos que se desenharam em meu rosto era quando eu olhava para minha pequena; alimentada, bem vestida, protegida e feliz, como nunca tivera sido. Seus pequenos olhinhos brilhavam sempre que aprendia algo novo, era surreal perceber que, mesmo em tão pouco tempo de convivência eu já a conhecia tão bem!

Os dias que antecederam o julgamento, para mim foram os piores. A única coisa certa era a própria incerteza! O medo do que poderia acontecer se algo desse errado me corroía até o último resquício de pensamentos correntes. Mas eu sempre lutei pela verdade, pela justiça e a honestidade, não teria como a mentira vencer. O que leva pessoas como Jimmy e Nari cometer crimes dessa natureza é a certeza da impunidade, mas a verdade absoluta é que reina no final. Quem deve paga, e paga com juros.

Pós julgamento, muita coisa havia mudado. Para a melhor, obviamente. Fiquei completamente satisfeita com o resultado final, nada poderia me deixar mais feliz do que saber que eles iriam pagar muito caro por todas as atrocidades cometidas conta minha filha. Sim, minha filha! Desde o momento em que coloquei meus olhos nela, nossas almas se interligaram para sempre, uma conexão descomunal se formou ali. Eun-Na não nasceu de mim, mas eu renasci dela! Se para a sociedade precisamos de um pedaço de papel para provar que somos mãe e filha, faremos, mas ela já é minha há muito tempo.

De repente, todas as antigas questões que eu achava não terem respostas, foram devidamente respondidas conforme eu entendia o real significado de ser mãe.

Já me questionei sobre quem eu era...

Quem é Lalisa Manoban, de fato? As vezes eu fazia esse questionamento a mim mesma. Aos sete anos, eu era apenas uma criança quebrada, abandonada. Após a adoção, eu me permiti sentir um mínimo de felicidade, mas sempre sentindo aquele incômodo vazio deixado por meus pais. Algumas pessoas me falavam que eu precisava entender a decisão da minha mãe, sobre ter me deixado. Mas, como eu poderia entender tal ato? Que tipo de explicação existe para que uma mãe simplesmente abandone um filho? Não, eu realmente nunca consegui entender, e já não faço mais questão.


Hoje, eu compreendo e entendo as razões pelas quais minha mãe fez o que fez! Se eu tivesse permitido que a raiva, ódio, o rancor e todos os piores sentimentos existentes no mundo, me dominassem, eu seria uma pessoa amargurada, sozinha e fracassada. Minha mãe fizera uma escolha por nós duas, mas pagou sozinha por ela. Com toda a confusão que estava a minha vida, mal tive tempo para sentar e conversar com ela, sem dores, mágoas, nada, absolutamente nada entre nós. Alguns dias após o julgamento, foi a primeira coisa que fiz. A procurei, conversamos muito, ela perguntou sobre mim, meus pais e os anos que perdeu da minha vida. E finalmente eu pude me sentir em casa de novo, porque, mesmo com a criação maravilhosa que recebi dos meus pais adotivos, eu sempre precisei da minha mãe, afinal, ela nunca havia me abandonado de fato.

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⏰ Última atualização: Mar 06, 2022 ⏰

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