Valentina
Depois da provocação e do aviso de Dante no dia anterior, me mantive quieta no meu canto e como prometido, hoje depois do almoço encontro Dante na frente da casa para finalmente voltar para o meu morro.
- Vamos! - ele fala ríspido e sério, certamente ainda zangado comigo pela recusa de ontem. Sento quieta no banco do carona ao seu lado e ele termina de manobrar o carro virando para a saída. Um homem aparece e para mais a frente em nosso caminho nos encarando.
- Pare o carro! - digo para Dante, sem conseguir tirar meus olhos da pessoa que vejo parada logo a frente acompanhando nosso trajeto com o olhar, ele não deve ter me ouvido, pois continua dirigindo normalmente pelo caminho.
- PARE O CARRO! grito e Dante freia o carro na hora. Ele fala alguma coisa ao meu lado, mas não me preocupo em entender, apenas desço e vou até onde o homem está.
- O... o que... Como pode ser você? - não consigo acreditar em quem está parado bem na minha frente, faço um tremendo esforço para não gaguejar e seu nome em minha voz sai nada mais que um sussurro fraco - Welinton!
- Minha Tina! - ele diz com uma voz suave, então passa o nó do dedo indicador de leve da minha testa até a ponta do meu nariz. Ah, como eu amava quando ele fazia isso...
- O que está acontecendo aqui? - Dante fala ríspido ao meu lado e meus pensamentos no passado evaporam. Dou um passo para trás me afastando, baixo a cabeça e fecho os olhos colocando minhas ideias no lugar, Welinton acha o quê? Que saiu ontem de casa para dar uma volta e apareceu hoje como se não tivessem se passado 4 anos ?!
- A Tina é minha mulher! - ele fala para Dante e uma raiva enorme me toma. Só me dou conta do que fiz quando um tapa estala forte fazendo seu rosto virar, minha mão arde, mas nada comparado a dor da decepção.
- Não sou mais sua mulher. A muito tempo você me deixou! - depois de jogar essas palavras na sua cara, volto para o carro.
Entro e bato a porta com a sensação de estar sufocando, meu olhos ardem mas seguro as lágrimas que ele não merece que eu derrame.
- Valentina! Entendi errado ou Seco é o seu marido que foi dado como morto? - Dante fala macio sentando no banco do motorista ao meu lado.
- Me tira daqui, por favor! - digo fraco olhando para minhas mãos entrelaçadas em meu colo, tentando respirar. Não quero encarar ninguém agora. Ele liga o carro e seguimos em silêncio por um bom tempo até chegar na praia da Joatinga.
Paramos o carro em frente a um chalé na beira da praia. Olho ao redor, algumas poucas pessoas que estão na praia estão bem distantes, desço do carro e caminho um pouco com os pés descalços pela areia enchendo os pulmões com o ar da praia, Dante fica encostado no carro me acompanhando com os olhos, respeitando meu momento. Depois de caminhar o suficiente, volto para a frente do chalé, sentando no chão da varandinha.
- A quanto tempo ele está na sua milícia? - finalmente consigo raciocinar e quebrar o silêncio.
- A cerca de 5 anos - ele diz sentando no chão ao meu lado. Rio sem graça.
- Há 4 anos que lamento a morte daquele verme. Como ele pôde fazer isso ? - limpo rápido duas lágrimas que descem pelo meu rosto.
- Vem aqui! - Dante tenta me abraçar e o empurro para que se afaste. Ele segura meus braços e me puxa forte contra seu peito, me abraçando.
- Me solta! - me debato tentando me soltar, mas ele me aperta firme.
- Lágrimas são sinal de força, só quem chora pode levantar e encarar a batalha! Pode chorar no meu ombro, pimentinha! - paro de me mexer quando ele começa a sussurrar essas palavras próximo ao meu ouvido. Depois de ouvir isso minhas barreiras se desfazem e as lágrimas começam a cair. Cansada de ser sempre forte, me permito chorar, choro toda a minha decepção, coloco tudo para fora porque essa será a única vez.
Acabo apagando na varanda abraçada em Dante, não sei quanto tempo se passou depois disto, mas desperto tão cansada que mal abro os olhos. Estou numa cama, confortavelmente aninhada num corpo macio e quente que me abraça e acaricia meus cabelos. Fecho os olhos ainda meio grogue do sono e sinto um toque suave no meu rosto.
- Só um imbecil deixaria uma mulher como você. Se você fosse minha, eu não a deixaria nunca! - uma voz rouca sussurra em meu ouvido, tento novamente abrir meus olhos que agora não me obedecem.
- Me dê uma chance, pimentinha?! - sinto seus lábios encostarem de leve na minha testa e na ponta do meu nariz, logo depois apago novamente.
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O miliciano e a dona do morro ( Brutos que amam - Livro 2)
Romance( Brutos que amam - livro 2) Para o miliciano Dante, ordem dada é ordem cumprida. Depois de receber uma tarefa de seu amigo capo fará de tudo para realizá-la, mas nada o prepara para os obstáculos que aparecem em seu caminho. OBS: Não é um romance d...
