Cap. 21 - Solo Andaluz

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OLIVIA

O homem não foi encontrado, os vizinhos informaram que ele saiu na manhã do dia anterior e não retornou. Pedro chamou à polícia, os investigadores levaram cópias das imagens e darão início a um inquérito. A fábrica está interditada, todos os funcionários serão interrogados. O advogado da empresa, preparou um termo de sigilo para que eles assinem. Assim é possível evitar que essa catástrofe chegue à mídia. Se vazar, a imagem da Casa Rivera será manchada.

Voltamos para casa em silêncio. Ele entrou e foi direto se sentar na varanda, com o olhar perdido no horizonte. Beny, como sempre fiel, ao seu lado.

Pensei em algo, ter ideias para solucionar esse problema é só o que posso fazer.

- Pedro. – O chamei, sentando a seu lado. Seus olhos tristes se voltaram para mim. – O vinho que está produzindo na Andaluzia, ele está pronto?

- Sim, no entanto, eu ainda não conduzi nenhum teste.

- Amor, estamos falando do melhor vinhedo da Espanha. – O olhei com seriedade. – Com todo o seu conhecimento, eu sei que produziu uma safra excepcional.

- Pode ser a solução e seria um sonho se tornando realidade. Porém, os compradores, eles certamente não estarão dispostos a arriscar.

Não sei se estou cruzando um limite ou assumindo uma posição, contudo é o que meu coração diz ser o certo.

- Pedro, deixe os compradores comigo, eu lido com eles. – Afirmei. – Produza algumas garrafas, aqueles barris contém uma obra prima, eu tenho certeza.

Seu olhar voltou a ter brilho, suas mãos vieram parar nas minhas.

- Faremos isso, juntos, meu amor. – Beijou-me a face. – Vamos voltar às origens em solo Andaluz.

Alguém quer destruir tudo que a Casa Rivera representa. Entretanto, seja quem for não tem a ideia de que um coração não desisti fácil.

***

Don Sergio e Dona Carmen, ficaram aterrorizados com a notícia. A eles nada faz sentido, Don Sergio, reiterou que não possuí desafetos capaz de algo tão extremo.

- Quando vocês viajam? – Dona Carmen, perguntou.

- Amanhã, não podemos perder tempo. Por favor, se alguém questionar a minha ausência, diga que estou tirando um tempo pessoal. – Pedro, pediu.

Não se preocupe, ninguém saberá o real motivo. – Don Sergio, afirmou. – Vocês estão confiantes que dará certo?

- Don Sergio, no momento é uma esperança. Nós vamos trabalhar para que se torne uma certeza. – É preciso ser realista.

- Vou rezar dia e noite, pedindo por proteção e auxílio para nós. – Disse Dona Carmen, ela é muito religiosa. – A nossa família terá triunfo, tenham fé.

- Que Deus à ouça, Carmen. – Don Sergio, afirmou.

- Outra coisa, eu estou em contato com o Theo. – Disse Pedro, vi o olhar aborrecido de seu avô. – Sei que tem suas diferenças com ele, no entanto, não posso esperar apenas pelas investigações da polícia. Quero uma abordagem paralela de tudo que ocorreu.

- Apesar de discordar da decisão, não vou colocar barreiras. – Garantiu, o Rivera mais velho.

- Qualquer coisa fora do normal, chamem a segurança. Por favor, não saiam sem eles. – Pedro, falou com seriedade. – Assim que chegarmos ao vinhedo eu telefono, para checar vocês.

- Fica tranquilo meu filho, nós teremos cuidado.

***

Chegamos no início da noite, todos foram pegos de surpresa, Pedro optou por não avisar. Ainda está furioso, e cheio de desconfiança das equipes de funcionários. Os seguranças do vinhedo, mantém a linha dura. Ninguém entra ou sai sem identificação. Todos os funcionários têm crachá, com suas informações de nome e função gravadas no código de barras. Uma revolução ocorreu, esse lugar está fortemente vigiado.

OliviaOnde histórias criam vida. Descubra agora