— Luke?
Meu amigo de infância, Luke, estava ali. Ele havia se alistado? Por que ninguém mencionou isso nas cartas que troquei com minha família?
— Olá, Annabeth. Fique tranquila, logo sairá daqui — ele disse antes de abaixar o visor do capacete e seguir em frente.
Fiquei paralisada, sem entender o que ele queria dizer. Seu tom de voz era sério, quase uma ameaça. Eu queria ir atrás dele, exigir explicações, mas minhas pernas não se moveram. Apenas entrei no quarto, sentindo meu coração disparar.
Tinha tantas coisas para fazer, mas aquelas palavras ficaram martelando na minha cabeça. O que ele quis dizer com aquilo? Luke era um infiltrado? Mas de que lado ele estava? O lado sul era agressivo e parecia estar procurando algo, enquanto o lado norte preferia negociar e era mais pacífico. Onde Luke se encaixava nisso tudo?
Passei a noite revirando essas perguntas sem respostas na mente, sem conseguir dormir. Então, aconteceu. Um ataque.
As meninas estavam comigo quando ouvimos o barulho de tiros no primeiro andar. Um guarda entrou no quarto de repente. Eu, apenas de túnica e com uma trança malfeita no cabelo, agarrei Sam e Calipso e parti pelo corredor, procurando um esconderijo seguro.
— Senhorita, entre! — ordenou o guarda apressado. Se não me engano, seu nome era Dylan.
Eu tentei entrar com Sam e Calipso, mas ele bloqueou a passagem.
— Apenas a senhorita. Elas terão um abrigo junto com os outros do outro lado do castelo.
Meu coração disparou. Aquilo era arriscado demais. Elas teriam que atravessar corredores vulneráveis enquanto o castelo era atacado. Apertei o pulso de Sam, sem machucá-la, e encarei o guarda.
— Elas entram comigo ou eu atravesso o castelo com elas.
Dylan hesitou. Calipso tentou intervir, mas a silenciei com um olhar firme. Um novo tiro ecoou no andar de baixo, e isso foi suficiente para fazê-lo ceder. Ele nos deixou entrar.
O abrigo estava lotado. Não apenas algumas garotas da elite, mas todas as selecionadas estavam ali, junto com a família real, que permanecia afastada em um canto. Assim que Iris nos viu, veio diretamente até mim.
— Senhorita, criadas devem ir para outro esconderijo.
— Elas ficam — cortei-a antes que pudesse insistir. Me aproximei e falei baixo para não alertar as outras selecionadas. — Houve disparos. Não vou deixar minhas meninas lá fora atravessando o palácio.
Iris estreitou os olhos, insatisfeita, mas cedeu.
— Então, se não irão ao abrigo delas, ao menos servirão água a todos aqui.
— Apenas para a família real. As selecionadas podem pegar um copo sozinhas — retruquei, firme.
Iris pareceu chocada com minha resposta, mas concordou. Fiz um sinal para as meninas, que obedeceram. Elas serviram a família real e logo retornaram para perto de mim.
— Obrigada, Beth — Sam sussurrou ao se sentar ao meu lado.
— Não precisa agradecer. É o mínimo que posso fazer — sorri para ela.
Foi então que senti uma presença ao meu lado. Percy.
— Annabeth — ele sorriu, embora parecesse exausto. Seu terno, como ele uma vez confessou, o incomodava.
— Percy — retribuí o sorriso. — Como você está?
— Bem, apesar de ter sido acordado às três da manhã por causa desse ataque. Eles... — Ele hesitou.
— Os ataques ainda te intrigam — afirmei, e ele apenas assentiu. Suspirei. — Depois de todo esse tempo, acho que concordo com você. Eles estão atrás de alguma coisa... ou de alguém.
Ele sorriu de canto, talvez satisfeito por saber que não era o único paranoico.
As horas passaram. De tempos em tempos, as meninas eram chamadas para servir a família real, mas, na maior parte do tempo, ficaram comigo e com Piper, que dormia encostada em meu ombro.
Eventualmente, os guardas abriram a porta do abrigo, anunciando o fim do ataque. Enquanto caminhávamos pelos corredores, o cenário de destruição me atingiu como um soco. Vasos quebrados, símbolos desenhados nas paredes, janelas estilhaçadas e manchas de sangue no chão.
Quando cheguei ao meu quarto, encontrei tudo revirado. O vestido que as meninas haviam trabalhado tanto estava rasgado em pedaços. Respirei fundo e as ajudei a limpar e organizar tudo da melhor forma possível. Graças aos deuses, não encontraram meus mapas detalhados do castelo. Eu os queimei naquela mesma noite. Sabia que os ataques ficariam mais frequentes, e um mapa perfeito feito por alguém de dentro seria um prêmio para os inimigos.
Depois disso, nos permitiram telefonar para nossas famílias. Minha madrasta estava desesperada, e meu pai queria me tirar daquele lugar a qualquer custo. Meus irmãos choravam, pedindo para eu voltar para casa. Mas eu não podia. Já tinha percorrido um caminho longo demais para desistir agora.
Eu gostava daqui. As meninas eram legais, a comida era boa, e Percy... Percy e eu nos divertíamos jogando conversa fora no jardim. Havia desvantagens, mas aquele lugar já fazia parte da minha rotina.
Consegui acalmar minha família. Restavam apenas dois meses para o fim da Seleção. Em breve, receberíamos muitas visitas, organizaríamos vários eventos. Esse conhecimento poderia ser útil depois que Percy escolhesse com quem se casaria e eu fosse embora.
Pensar nisso me entristecia. Percy estava cada vez mais próximo de Rachel e Keli. Um dia, Thalia chegou a me repreender, dizendo que eu não deveria desistir porque ela havia apostado dinheiro em mim. Apenas ri e a ignorei.
Estávamos na reta final. Mas agora eu tinha um novo pressentimento.
Alguém estava tentando derrubar a coroa. E, seja lá quem fosse, estava dentro deste castelo.
Só torcia para que Luke não estivesse fazendo besteira de novo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Realeza | Percabeth | Livro 2
Fanfiction"Eu agora sou da Elite". A Annabeth Chase uma garota como todas as outras que teve seu destino cruzado com o príncipe por uma seleção e agora na reta final da seleção segredos serão revelados, planos se ergueram e um amor reprimido pode voltar à ton...
