Valete de espada

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Pov Annabeth

O alarme foi acionado. O príncipe havia tomado sua decisão, e o mundo inteiro estava sendo convidado para a revelação. Realeza, elites e figuras importantes estavam a caminho dos Estados Unidos, e todos os criados do castelo estavam em frenesi, preparando tudo para o grande evento. Silena quase morria do coração tentando costurar um vestido em tempo recorde. Fiquei sabendo que estava noiva naquele exato momento.

Sam havia desaparecido sem avisar ninguém, e Calipso estava ocupada correndo atrás de todos os tecidos e enfeites que Silena exigia. As outras selecionadas também estavam em um caos total, uma pilha de nervos cuidando de cada detalhe. Percy havia sumido, assim como a família real. A única pessoa que consegui ver foi Bianca, organizando o salão principal com uma eficiência impressionante.

Se você quiser saber, virei capa de revista. Uma foto minha e do Percy no jardim estampava a capa com o título: "A preferida do príncipe pisa no regime e fala de um novo modo de governo". Meu apoio entre as castas mais altas estava diminuindo rapidamente, mas, por outro lado, alguns famosos do país já demonstravam apoio ao que chamavam de "rainha de copas".

Tudo estava acontecendo tão rápido, tão movimentado, que mal conseguia respirar. Mas a única coisa que realmente importava para mim era a segurança dos meus irmãos e da minha madrasta. Eles já estavam a caminho de Nova York, mas os ataques de rebeldes no coração de San Francisco, minha cidade natal, alarmavam o país inteiro.

No meio de toda essa bagunça, eu sentia um silêncio dentro de mim. Um silêncio profundo, quase assustador. Sabia que os rebeldes estavam atrás de mim. Não precisava quebrar a cabeça para entender isso. Era apenas uma questão de tempo até que invadissem o castelo, me encontrassem e me matassem.

Minha mãe é Atena, a mulher mais inteligente do mundo, uma das rainhas de um dos países mais prósperos após a Terceira Guerra Mundial. Mas era incrível pensar que eu poderia morrer por causa disso, sem ao menos saber se ela se arrependeu de ter me abandonado ou se realmente amou meu pai. Eu tinha uma carta na manga, um plano que envolvia sair escondida. Havia um velho amigo que poderia proteger aqueles que eu amo, e ele me devia muito mais do que apenas um favor.

Parti em direção ao campo de treinamento. Nunca estive lá antes, e posso afirmar que era quase melhor não ter conhecido. O cheiro de suor e homens escrotos enchia o ar. Soldados sem camisa e completamente sem noção estavam por toda parte. Ignorei cada um deles, parando apenas quando cheguei aos pés da cama de Luke.

— Annabeth? — O loiro perguntou, deixando o livro de lado e se levantando da cama. — Você por aqui?

— Eu vim pedir um favor, Luke — disse, fria, mas preocupada.

— Um favor? — Ele levantou uma das sobrancelhas, curioso.

— Quero que proteja minha família quando a cerimônia começar — engoli em seco e encarei aqueles olhos azuis. — Por favor.

— Você tem medo de que algo aconteça?

— E tem mais — complementei, suspirando antes de continuar. — Com a minha família, você tem que levar o príncipe. Se eu estiver no meio da bagunça, em nenhum momento pense em me ajudar. Mantenha-os seguros e tire-os de lá. Não se importe em me deixar para trás.

Posso ver o rosto dele sendo tomado por uma expressão apavorada.

— Você tem que jurar ir fazer o que mandei — falei, antes que ele pudesse responder. — Você me deve, e você sabe disso.

— Annabeth, eu não posso te deixar para trás — Luke se recuperou, mas sua voz ainda tremia.

— Você tem que jurar — insisti novamente.

Luke ficou apreensivo, demorou um pouco, mas finalmente concordou. Foi meu ato final. Deixei todos que amo seguros, e isso me deixou um pouco menos ansiosa.

Quando cheguei ao quarto, as meninas me deram um momento para respirar. Entrei no banho e, depois, fui seca na velocidade da luz. Hoje, meu cabelo não seria preso ou algo do tipo. Ele ficaria solto, com os cachos totalmente definidos. Meu vestido era azul-mar, justo até a cintura, com uma saia lisa e uma abertura na perna esquerda. Ele caía perfeitamente na minha silhueta. Silena havia se esforçado ao máximo para terminá-lo a tempo. Sam havia aparecido novamente e começou a maquiagem, escondendo minhas olheiras e dando mais luz ao meu rosto. Para finalizar, um delineado gatinho, fino o suficiente para matar alguém.

— Se alguma coisa acontecer — comecei, assim que Sam me deu espaço para piscar —, pegue as meninas e fuja para a floresta. Só pare quando encontrar um chalé.

Sam parecia chocada, ela não sabia da existência do chalé.

— Quando chegar, diga que Annabeth enviou vocês e que os Estados Unidos precisam de ajuda.

A criada apenas afirmou com a cabeça antes de voltar a fazer o delineado.

Quando eu estava pronta, parei na frente do espelho e me encarei por um tempo. Antes de sair, estava disposta a deixar tudo para trás. Eles talvez me subestimassem, mas eu faria com que engolissem cada dúvida sobre minha capacidade.

Eu sou Annabeth Chase, uma criança da casta cinco cujos pais são uma rainha e um rebelde. Não gosto que me subestimem e odeio que duvidem de minha inteligência e capacidade. Sou a filha da mulher mais inteligente do mundo e fui criada pelo pai mais gentil que existiu nesta terra. Não há espaço para erros. Vou lutar até o último segundo para que essa sociedade continue viva e, acima de tudo, livre.

Havia uma linha muito fina entre a guerra e a paz, e eu já havia apertado o gatilho. O barulho foi assustador e incrível, mas todos os olhos estavam em mim. A história não podia mais me ignorar. Todos iriam saber se esse momento terminaria em sangue ou em ruína. E eles estavam animados para ver a cabeça de Annabeth rolando pelas escadas, sem se preocuparem com seus próprios pescoços.

As escadas não pareciam mais tão grandes, comparadas à multidão dentro do castelo e àquela do lado de fora do portão, esperando por uma resposta. E era Percy quem decidiria quem seria a rainha.

A Realeza | Percabeth | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora