Eu acabo com sua vida perfeita em um sopro

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POV' Narrador


O corredor silencioso do palácio, outrora cenário de um trágico acidente, agora ecoava com a tensão de uma discussão que transbordava pelas paredes. Dentro de um dos escritórios da realeza, duas figuras de sangue azul travavam um embate verbal tão intenso que qualquer um que passasse pela porta poderia ouvir cada palavra cortante. Mas Thalia não se importava com isso. Na verdade, era exatamente o que ela queria. Há muito tempo ela observava, impotente, enquanto seu pai, Zeus, destruía tudo o que seus tios haviam construído com tanto esforço. Agora, porém, ele havia cruzado uma linha perigosa ao mexer em um assunto que tocava o cerne de sua existência: seu irmão, Jason.

Jason havia sido condenado publicamente, humilhado e punido pelo simples crime de amar alguém. Para Thalia, isso não era apenas uma injustiça; era uma afronta direta a tudo o que ela acreditava. Sua paciência, já escassa, evaporara por completo. Agora, ela estava determinada a confrontar o homem que, além de rei, era seu pai — um título que, para ela, parecia cada vez mais vazio.

— Eu já adianto dizendo que não pude fazer nada. A imprensa o encontrou antes que eu pudesse intervir — Zeus tentou se justificar, sua voz carregada de uma frieza calculada que só servia para alimentar a raiva de Thalia.

— Cale a boca! — Ela gritou, interrompendo-o com um olhar que poderia incendiar o mundo. — Nada, absolutamente nada, vai justificar o que aconteceu com ele. — Thalia estava de pé, andando de um lado para o outro como uma leoa enjaulada. Cada passo seu era carregado de energia contida, e suas mãos tremiam com o desejo de esmurrar a face impassível de Zeus. O único fio de consciência que a impedia de agir era o conhecimento de que, por mais que o odiasse, ele ainda era seu pai.

— Ele é seu filho, seu monstro! — continuou ela, sua voz quebrando levemente ao mencionar Jason. — Já não bastou nos abandonar quando éramos crianças? Ainda teve a coragem de nem sequer fingir tristeza quando ele estava sendo chicoteado diante de todos. Você não sente nada? Nada mesmo?

Zeus franziu a testa, seus olhos azuis brilhando com uma centelha de ira. — Cuidado com o seu tom, mocinha — advertiu, sua voz mais grave e carregada de uma ameaça velada.

— Quem deve tomar cuidado com o tom é você — Thalia respondeu, aproximando-se da mesa de trabalho de Zeus e apoiando-se nela com as mãos firmes. — Basta uma palavra minha, e todo o seu plano perfeito vai por água abaixo. Ou você acha que eu não sei nada sobre os rebeldes? Sobre aquele "acidente" que não deu muito certo há uns 15 ou 16 anos? Me ajude a lembrar, papai.

Zeus ficou em silêncio por um momento, seus dedos tamborilando levemente na mesa. Ele sabia que Thalia era inteligente, mas não esperava que ela tivesse cavado tão fundo. Seu rosto, antes impassível, agora traía um leve sinal de nervosismo.

— Você não faria isso — ele disse, tentando manter a calma, mas sua voz falhou levemente.

— Eu faço! — Thalia respondeu, sua voz tão firme quanto o olhar que fixou nele. — E se algo acontecer com ela, eu farei questão de que isso vire uma manchete bem escrita por Afrodite na revista mais famosa de todos os tempos. Você não vai conseguir esconder nada.

Thalia não se orgulhava de ameaçar o próprio pai, mas sabia que isso era necessário. Era por um motivo maior do que ela mesma — por uma amiga, por uma família, por um país inteiro que estava à beira do colapso. Ela não podia mais ficar parada, observando enquanto tudo desmoronava.

— Eu acabo com sua vida perfeita em um sopro — foram as últimas palavras que ela disse antes de sair pela porta do escritório, deixando Zeus sozinho com seus pensamentos.

Do lado de fora, Thalia sentiu as lágrimas queimarem seus olhos, mas não permitiu que caíssem. Ela estava com medo — medo de si mesma, de tudo o que sabia, de tudo o que poderia acontecer se falhasse. Mas acima de tudo, tinha medo de que, se não agisse, as pessoas que amava pagariam o preço. E ela não podia permitir isso.

Enquanto isso, do outro lado do oceano, em um país distante, a rainha da Espanha sorria satisfeita. As notícias sobre uma pessoa morta que supostamente estava viva agitavam os círculos da realeza, e ela mal podia esperar para ver como tudo se desenrolaria. O jogo de poder estava apenas começando, e Thalia sabia que, para proteger aqueles que amava, teria que jogar melhor do que nunca.

A Realeza | Percabeth | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora