Prazer, vossa majestade.

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O próximo final de semana se aproximava, e o salão de festas estava finalmente pronto. Dividido em duas partes distintas, "Sol" e "Lua", o espaço refletia o símbolo da Espanha, com cores vibrantes e detalhes meticulosos que contrastavam entre si. A metade do "Sol" brilhava em tons dourados e alaranjados, com decorações que lembravam raios de luz e flores de girassol. Já a "Lua" era um espetáculo de prata e azul, com estrelas prateadas penduradas no teto e um grande crescente luminoso no centro. Rachel, com sua mente sempre cheia de ideias grandiosas, havia conseguido contratar o melhor cantor para a noite, mas ainda assim insistiu que Apolo tocasse algo. Ele, é claro, não precisou de muita persuasão — adorava ser o centro das atenções.

Como tínhamos que lidar com dois gêmeos tão opostos quanto o dia e a noite, nos dividimos para atender às necessidades de cada um. Eu fiquei encarregada de Ártemis, a rainha da caça e da lua, enquanto Rachel cuidaria de Apolo, o maior ator do mundo e deus do sol.

— Está tudo quase pronto — Rachel disse, olhando ao redor com um sorriso de satisfação. — Fizemos um ótimo trabalho.

— O melhor que conseguimos com apenas duas semanas de planejamento — respondi, estendendo a mão para ela. Ela bateu na minha com entusiasmo, e eu não pude evitar um sorriso.

O salão estava deslumbrante. Nunca imaginei que conseguiríamos realizar o projeto extravagante de Rachel a tempo. Ela era uma sonhadora, sempre pensando em grandes ideias, mas às vezes parecia que ela pensava demais e, ao mesmo tempo, em nada. Seu entusiasmo era contagiante, mas também podia ser um pouco cansativo, especialmente para alguém como eu, que preferia o silêncio e a concentração. No entanto, Rachel tinha um talento único para fazer até mesmo o Hades sorrir.

Depois de horas de trabalho, finalmente subi para o meu quarto. Já estava tarde, e o cansaço pesava em meus ombros. As meninas me ajudaram a me despir e tomar um banho relaxante. Mal consegui me deitar na cama antes de apagar.

Mas o descanso não durou muito. No meio da noite, o som de vidro estilhaçando me acordou de um salto. Um ataque. Meu coração disparou enquanto eu corria pelos corredores, vestindo um pijama que não era nada confortável para uma situação como aquela. Era correr ou morrer.

Quando cheguei perto de um esconderijo, três rebeldes me encontraram.

— É ela! Peguem-na! — O maior deles gritou, apontando na minha direção. Um dos rebeldes avançou em minha direção, mas eu agarrei um candelabro que estava próximo e, com um movimento rápido, acertei-o em cheio. Ele caiu no chão, surpreso.

— Quem é o próximo? — perguntei, tentando disfarçar o medo com um sorriso confiante. Eles hesitaram por um momento, e eu aproveitei a oportunidade para correr.

Quando cheguei ao jardim, o castelo já estava pichado com a frase "Ao verdadeiro rei" em letras amarelas vibrantes. Como eles conseguiram fazer isso em tão pouco tempo? Não havia tempo para pensar. Os rebeldes estavam atrás de mim, e eu sabia que não podia parar. Corri em direção à floresta, ouvindo o som de tiros ao longe. Um deles passou raspando em meu braço, e a dor foi aguda, mas a adrenalina a manteve sob controle. Isso era estranho, porque armas não eram mais fabricadas no EUA e nem no mundo.

Avistei uma árvore grande e me escondi perto de suas raízes gigantes. Vários rebeldes passaram por mim, e eu me mantive o mais quieta possível, tentando controlar a respiração. A qualquer momento, eu poderia ser descoberta. A qualquer momento, eu poderia morrer.

Estava quase relaxando quando ouvi uma voz próxima.

— Fica tranquilo, ninguém me viu — a voz era suave, quase cantada. Uma figura de cabelos verdes e roupas pretas passou por mim, carregando uma bolsa cheia de papéis, livros e selos. — Fica tranquilo, vossa majestade. Eu não fiz nenhuma merda, estavam ocupados demais com uns rebeldes daqui.

Um dos papéis caiu da bolsa, e o vento o trouxe até mim. Era uma carta da Grécia, mal conservada, mas ainda legível. Falava sobre uma criança que seria guardada pela realeza até a maioridade. Quando li a assinatura, dei um suspiro surpreso, o que chamou a atenção da pessoa à minha frente.

A figura se abaixou, e eu pude ver seu rosto com mais clareza. Era magro, com um olho castanho escuro e outro âmbar pálido. Seu cabelo era escuro nas raízes, mas tingido de verde. Ele abriu um sorriso malicioso quando me viu, e eu senti um frio na espinha.

— É um prazer te conhecer — ele disse, curvando-se exageradamente. — Vossa majestade.

"Alex, o que está acontecendo? Alguém te descobriu? ALEX, FALA COMIGO!" Uma voz irritada ecoou do pequeno fone de ouvido que ele usava.

— Cala a boca, Magnus. Estou indo embora — Alex respondeu, antes de se virar e desaparecer na escuridão.

Eu não sabia quanto tempo havia passado, nem quanto sangue havia perdido. A única coisa que sabia era que estava fraca demais para manter os olhos abertos. A escuridão começou a me envolver, e eu senti meu corpo deslizar lentamente para o chão, enquanto os sons da floresta e dos rebeldes se tornavam cada vez mais distantes.

A Realeza | Percabeth | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora