Fim de Jogo

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Pov Annabeth

As correntes nos meus pulsos me forçavam a ficar de joelhos, e meus saltos doíam cada vez mais. Thalia estava acorrentada ao meu lado, sem resistir, parecendo em choque. Por um momento, procurei as outras elites para saber se alguma delas havia sido baleada. A rainha Ártemis foi acorrentada alguns momentos depois, igualmente abalada. Fiquei profundamente preocupada.

Por um momento, pensei em perguntar o porquê de tudo aquilo, mas Rachel parecia ler minha mente.

— Zoe foi baleada — Rachel disse, sua voz carregada de culpa.

— Ela pulou na frente da bala — Thalia acrescentou, segurando as lágrimas. — O tiro que deveria ser em mim.

— Kelli — sussurrei, odiando cada vez mais aquela traidora.

— Foi dela o primeiro disparo. Depois, Reyna conseguiu segurar seus pulsos e fazê-la mirar para uma parede. Mais três disparos foram feitos — Clarisse falou, um pouco mais distante.

Os guardas ao nosso redor assumiram seus postos. Não havia mais ninguém para acorrentar, e, para eles, nós não representávamos mais uma ameaça.

— Pensei que as armas de fogo tinham sido banidas depois da Terceira Guerra — pensei em voz alta, olhando para o chão.

— Foi meu pai — Rachel se pronunciou, sua voz trêmula. — Ele recriou um modelo antigo. Foram seis armas: três para a América e o resto para países aliados.

— Sabemos onde estão as três armas dos Estados Unidos — Reyna encarou Luke, que estava trazendo Percy, mas não o trouxe para nós.

A multidão de nobres se misturava com as pessoas comuns que se aglomeravam lá fora. Uma fila de mortos se estendia pelo salão. Quando me dei conta, localizei Piper. Ela estava chorando. Jason estava no chão, uma lança atravessando seu peito. Piper chorava diante de seu corpo.

À frente, Hazel chorava no colo de Perséfone, e Nico olhava para o chão, em choque. Sua irmã também estava morta, uma bala atravessando seu coração. Silena e Charles Beckendorf, seu namorado, estavam de mãos dadas, lado a lado, mortos.

O ódio percorreu minhas veias. Aquele desgraçado havia tirado tantas vidas inocentes em troca de poder. Eu queria garantir que ele nunca mais visse a luz do dia.

Thalia se virou para ver o que eu olhava, mas assim que viu, desabou.

— JASON! — Ela gritou, tentando se levantar. — JASON, NÃO!

Seus pulsos apertavam as correntes, parecendo que suas mãos estavam prestes a quebrar. As lágrimas quase a sufocavam.

— ZEUS, SEU DESGRAÇADO! — Ela continuou, sua voz ecoando pelo salão. — VOCÊ MATOU SEU PRÓPRIO FILHO, SEU MONSTRO! EU JURO QUE VOU TE MATAR!

O bastardo parecia ouvir as palavras de Thalia, mas resolveu ignorá-las. Percy estava um pouco à frente, acorrentado, assim como Jason estivera no Halloween.

— Perseu Jackson — Zeus começou, sua voz ecoando pelo salão e silenciando todos. — Condenado por traição à coroa e cúmplice de atos rebeldes com a ajuda de Annabeth Chase. Sentenciado pelo novo rei em exercício a trinta chibatadas e morte na forca em praça pública.

A multidão protestou, pronta para se levantar contra Zeus, mas os soldados dele estavam à postos. Luke deu um tiro no chão para assustar o resto.

Assim começou. Sem nenhuma contagem desta vez, apenas o som do chicote e os gritos de Percy.

— PERCY! — Gritei, apavorada. — PAREM! ELE NÃO FEZ NADA! DEIXEM-NO EM PAZ, SEUS FILHOS DA PUTA!

Antes que eu pudesse continuar, um guarda caiu no chão. Clarisse estava de pé, sem correntes, com todos os guardas ao redor derrubados. Olhei para Reyna, cujas correntes estavam sendo desamarradas por Sam. Aquilo me deixou tão confusa que perdi a voz. Outro grito de Percy me fez voltar à realidade.

A Realeza | Percabeth | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora