Malas prontas

1K 126 34
                                        


Pov Annabeth

Quando voltei para o quarto, as meninas estavam chorando. Calipso lamentava minha expulsão, enquanto Silena estava em prantos, dizendo que a história entre o príncipe e eu mal havia começado. Sam estava parada em silêncio, olhando para mim em choque, como se não conseguisse acreditar no que havia acontecido. Parecia até outra pessoa.

Agora, a ficha estava caindo. Eu havia feito algo monumental, algo que mudaria tudo. E, embora não estivesse arrependida, a realidade do que isso significava começava a me atingir. Eu teria que ir embora. Ninguém além do príncipe, poderia decidir quem permanecia na seleção, mas o rei era a exceção à regra, não é?

Eu estava orgulhosa, mas também em pânico. Respirei fundo e fui para o banho, que já estava preparado. Mais tarde, um guarda veio me informar, com pouco entusiasmo, que eu teria até o dia seguinte para me retirar — ordens diretas do rei. Percy não apareceu naquela noite, e eu temi o que Zeus poderia fazer com ele. Me amaldiçoei a cada movimento, por não pensar nas consequências que minhas ações trariam para ele.

Atos extremos. Minha relação com o público já não estava boa, e agora eu havia piorado tudo. O pior é que eu poderia ser caçada pelos rebeldes, e assim Zeus e Poseidon teriam a desculpa perfeita para me mandar para a forca. Eu havia perdido meu pai, minha madrasta estava à beira de um colapso, e os meninos estavam em luto profundo. Eu sentia falta do meu pai, meu porto seguro, aquele que cantava para mim até eu dormir ou matava as aranhas que eu tanto temia.

Na cama, eu tremia, incapaz de conter as lágrimas. Eu havia puxado o único fio que não deveria ter tocado, provocado o tigre com uma vara curta. Talvez fugir para a floresta fosse clichê demais, mas estaria colocando em perigo Alex, Hearthstone, Blitzen e até mesmo Nico. Talvez se eu implorasse por perdão... Mas isso significaria negar tudo pelo que lutei e acreditei. Fugir para a Grécia também estava fora de cogitação. A única prova que eu tinha de ser filha da rainha era um colar enferrujado e uma carta de procedência duvidosa. Talvez o guarda me matasse na entrada, se é que eu conseguisse chegar lá.

Minha mente estava uma bagunça. Os soluços eram altos, e meus olhos estavam tão vermelhos quanto qualquer vestido que Afrodite usava. Quando menos percebi, me desliguei do mundo e me permiti dormir naquela cama confortável, só por mais uma noite.

🩵👑

Era o fim da escada, literalmente. Minhas malas estavam no jardim, apenas uma pequena maleta com as roupas que trouxe. O resto eram vestidos que as meninas haviam feito e presentes de Percy. Fazia tanto tempo que eu não saía do castelo que, quando tentei passear pelo jardim, um dos guardas me impediu.

— Você não pode passar — disse o moreno, bloqueando meu caminho.

— É meu último dia aqui. Deixe-me pegar um pouco de ar — rebati rapidamente.

— A ordem que me foi dada era levar a senhorita ao aeroporto sem nenhuma distração — o guarda respondeu, ainda mais rápido.

— Deixe-a sair.

Um déjà-vu, mas agora eu conhecia aqueles olhos e sabia que o guarda obedeceria. Ele abriu caminho, e eu segui à frente, com o príncipe logo atrás de mim. Pensei que ele fosse me repreender, dizer que eu não havia pensado direito ou que não deveria ter sido tão brusca. Talvez até me culpasse, já que meu discurso provavelmente causou muita intriga familiar. Mas ele apenas agarrou minha mão e me guiou pelo jardim.

— Eu tenho uma novidade para você — disse Percy, com aquele sorriso orgulhoso no rosto.

— Percy, eu... — Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, entramos em uma espécie de celeiro mais ao fundo do castelo. Sinceramente, vindo de Percy, eu esperava qualquer coisa.

Antes que tivesse chance de questionar, vi uma moça sair do fundo, vindo em minha direção. Ela tinha as mesmas tranças do dia em que a conheci e era tão bonita quanto quando foi chicoteada na frente de todos.

Piper me abraçou forte, e eu não pensei duas vezes antes de retribuir. Suas mãos encontraram as minhas, e pude sentir seus ferimentos. As mãos que antes eram macias agora estavam ásperas, como a língua de um gato.

— Anne, estou tão orgulhosa de você — Piper disse, com um tom de choro na voz.

— Como você está aqui? — perguntei, assim que nos separamos.

— O príncipe nos abrigou assim que realizou a cerimônia de casamento. Ele me deu um trabalho na lavanderia, e Jason está cuidando do celeiro — explicou Piper, com um sorriso brilhante.

— Você casou? Parabéns, Piper! Fico tão feliz em saber que estão bem — disse, alisando seu cabelo.

— Obrigada por tentar me salvar naquela situação. Acabei ficando com essas mãos cheias de cicatrizes — a morena falou, afastando as mãos de mim.

— Eu também tenho uma cicatriz, um tiro que passou raspando — expliquei, tocando-a. Peguei suas mãos. — Eu não me envergonho, porque as melhores pessoas que conheço carregam cicatrizes.

Eu sorri para Percy, que estava um pouco mais adiante. Ele também carregava grandes cicatrizes.

Foi incrível conversar com Piper. Ela parecia tão feliz. Mas durou pouco, porque ela precisava voltar ao seu posto para não causar suspeitas. Enquanto voltávamos, eu e Percy não trocamos uma palavra. Tive coragem de falar quando estávamos na metade do jardim.

— Obrigada.

— É o mínimo que eu podia fazer — Percy respondeu, olhando para o céu.

— Eu estou indo embora — falei, parando em frente à minha mala.

— Você não vai embora — Percy retrucou. — A menos que queira.

— Mas o seu pai...

— Meu pai está ciente de que não pode se meter na seleção. Além disso, como ele poderia finalizar a seleção com a minha escolhida de fora? — Percy falou, sorrindo.

— Como assim?

Percy tomou minhas mãos e ficou na minha frente. Até agora, eu nunca tinha visto seus olhos tão brilhantes. Ele era algum tipo de deus da beleza? Era humanamente impossível explicar o sentimento, era amor, não era algo que eu não conseguia colocar em palavras, seja em grego, inglês ou francês, nada descreveria oque eu estava sentindo.

— Anne, desde o momento em que te vi, eu pensei: como pode uma princesa aparecer na minha frente, mas essa princesa me xinga, me bate e odeia ser chamada de "minha querida"?

Ele fez uma pausa para ouvir minha risada, seus olhos verdes-mar fixos nos meus.

— Eu a questionei naquele momento sobre ter um interesse em mim, porque lá, no fundo, eu sempre quis que fosse você. Os momentos em que eu ficava longe de você eram piores que qualquer castigo. Eu queria estar ao seu lado, ouvindo você reclamar ou até mesmo apenas me ouvir com aquele seu sorriso que eu adoro. Você não sabe o quanto tive que me controlar toda vez que te via com aqueles vestidos azuis. Meu Deus, como eu amo essa cor... e como eu amo você.

Minha respiração falhou, minhas mãos se mantiveram firmes, e meus olhos estavam vidrados naquele verde-mar.

— Annabeth Chase, você gostaria de ser minha rainha? — Percy finalizou, faltando milímetros para nossos lábios se encontrarem.

— Eu te odeio, cabeça de alga — disse, deixando um selinho em seus lábios. — É claro que eu aceito.

— Eu também te amo, sabidinha.

E então ele tomou meus lábios em um beijo calmo, no meio do jardim, eu não ia mais embora. Agora eu era parte da família real, eu era noiva de Percy Jackson. Isso era surreal. 

Nota do autor:

NÃO QUERO SABER DE DEPRESSÃO E DE COISAS PARA BAIXO! E pessoal, gostaram? Infelizmente a fic chegando ao fim mas eu prometo que faço um cap especial mais para frente quando tudo isso terminar, eu amo vocês e agradeço por me acompanharem por esse jornada, deve ter mais uns 3 ou 2 capítulos para publicar então eu agradeço desde agora a experiência que vocês me proporcionaram durante esses 2 anos. Um beijo e até daqui a pouco.

A Realeza | Percabeth | Livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora